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São Boaventura

São Boaventura

1217-1274
São Boaventura nasceu em 1217 em Bagnoregio, Itália, tornou-se frade franciscano e professor em Paris, destacando-se como teólogo e autor do *Itinerarium mentis in Deum*; foi Ministro-Geral da Ordem e nomeado cardeal em 1273, vindo a falecer em Lyon em 1274, sendo depois canonizado e reconhecido como Doutor da Igreja.
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Frases de São Boaventura

"A oração é a mãe e a origem da elevação da alma."
(BOAVENTURA, São. Itinerarium Mentis in Deum. Saint Bonaventure, N. Y.: The Franciscan Institute, 1956, Chapter I, p. 39)
"Ninguém chega à sabedoria senão por meio da graça, da justiça e da ciência."
(BOAVENTURA, São. Itinerarium Mentis in Deum. Saint Bonaventure, N. Y.: The Franciscan Institute, 1956, Chapter I, p. 43)
"Se perguntas como estas coisas acontecem, interroga a graça, não a doutrina; o desejo, não o intelecto."
(BOAVENTURA, São. Itinerarium Mentis in Deum. Saint Bonaventure, N. Y.: The Franciscan Institute, 1956, Chapter VII, p. 101)
"O pecado original infectou a natureza humana de dois modos, a mente com a ignorância e a carne com a concupiscência."
(BOAVENTURA, São. Itinerarium Mentis in Deum. Saint Bonaventure, N. Y.: The Franciscan Institute, 1956, Chapter I, p. 43)
"No coração desce a Jerusalém celeste quando o nosso espírito se torna purificado, iluminado e aperfeiçoado."
(BOAVENTURA, São. Itinerarium Mentis in Deum. Saint Bonaventure, N. Y.: The Franciscan Institute, 1956, Chapter IV, p. 75)
"O homem foi criado apto para o repouso da contemplação, e por isso Deus o colocou no paraíso das delícias."
(BOAVENTURA, São. Itinerarium Mentis in Deum. Saint Bonaventure, N. Y.: The Franciscan Institute, 1956, Chapter I, p. 43)
"Que em todas as criaturas vejas, ouças, louves, ames e adores, magnifiques e honres o teu Deus."
(BOAVENTURA, São. Itinerarium Mentis in Deum. Saint Bonaventure, N. Y.: The Franciscan Institute, 1956, Chapter I, p. 49)
"Apenas a caridade nos torna agradáveis a Deus. De todas as virtudes, apenas a caridade torna seu possuidor rico e abencoado."
(COSTELLOE, Fr. Laurence, O.F.M. Saint Bonaventure: The Seraphic Doctor. London: Longmans, Green and Co., 1911. Capítulo X. Página 75)
"Devemos amar a Deus com todo o coracao, toda a mente e toda a alma. Amar qualquer coisa que nao seja em Deus e para Deus é ser carente de Seu amor."
(COSTELLOE, Fr. Laurence, O.F.M. Saint Bonaventure: The Seraphic Doctor. London: Longmans, Green and Co., 1911. Capítulo X. Página 75)
"Na oracao, devemos entrar com o Amado na cámara do coracao e ali permanecer sozinhos com Ele."
(COSTELLOE, Fr. Laurence, O.F.M. Saint Bonaventure: The Seraphic Doctor. London: Longmans, Green and Co., 1911. Capítulo X. Página 79)
"O que principalmente me atraiu a amar a obra da vida do Bem-aventurado Francisco foi que ela guardava uma semelhanca tao próxima com o início e o crescimento da Igreja."
(COSTELLOE, Fr. Laurence, O.F.M. Saint Bonaventure: The Seraphic Doctor. London: Longmans, Green and Co., 1911. Capítulo I. Página 6)
"Aquela alma está perto da ruína que é curiosa em saber coisas estranhas e propensa a julgar os outros, mas nao cuida de conhecer a si mesma."
(COSTELLOE, Fr. Laurence, O.F.M. Saint Bonaventure: The Seraphic Doctor. London: Longmans, Green and Co., 1911. Capítulo IX. Página 68)
"O espírito que examina é o Espírito Santo, que faz com que busquemos todas as coisas, até as profundezas de Deus."
(BONAVENTURE, Saint. Commentary on Ecclesiastes. Saint Bonaventure, NY: Franciscan Institute Publications, 2005. Capítulo I, Página 103)
"O dia da morte é preferível ao nascimento, pois sua consequência é o descanso e a existência com Cristo."
(BONAVENTURE, Saint. Commentary on Ecclesiastes. Saint Bonaventure, NY: Franciscan Institute Publications, 2005. Capítulo VII, Página 261)
"Para que o ser humano se lembre de Deus, Ele deixou memoriais como o sinal dos sacramentos."
(BONAVENTURE, Saint. Commentary on Ecclesiastes. Saint Bonaventure, NY: Franciscan Institute Publications, 2005. Capítulo XII, Página 401)
"A paciência é necessária para que a constância da alma seja preservada diante da opressão."
(BONAVENTURE, Saint. Commentary on Ecclesiastes. Saint Bonaventure, NY: Franciscan Institute Publications, 2005. Capítulo VII, Página 263)
"O arrependimento e a confissão devem ser feitos com lamento, assim como Jó desejou lamentar sua dor."
(BONAVENTURE, Saint. Commentary on Ecclesiastes. Saint Bonaventure, NY: Franciscan Institute Publications, 2005. Capítulo III, Página 167)
"A alma humana é a obra-prima da natureza e carrega a imagem do Deus Triuno."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Foreword, p. iii)
"O amor nasce da memória ou do pensamento, transbordando com as ideias encerradas nele."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part One, Chapter III, p. 16)
"A Igreja nasceu na Cruz do lado aberto do Salvador como sua noiva e nossa mãe na ordem da regeneração."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part Two, Introduction, p. 70)
"Assim como Eva foi formada de Adão, a Igreja foi formada de Cristo enquanto Ele dormia o sono da morte na Cruz."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part Two, Introduction, p. 70)
"No dia do juízo final, uma destruição repentina virá sobre aqueles que forem encontrados despreparados."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part Two, Chapter IV, p. 143)
"Nosso Senhor sempre recebia pecadores penitentes com afeto paternal, mostrando-lhes o seio aberto de Sua divina misericórdia."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part One, Chapter VII, p. 58)
"Aqueles que perseverarem no bem até a morte baterão na porta do Paraíso."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part Two, Chapter II, p. 134)
"Maria penetrou no abismo mais profundo da sabedoria divina tanto quanto a condição de uma criatura permite."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part Three, Chapter III, p. 228)
"O sacerdote serve a Deus na casa de Deus, enquanto os pais servem nos templos vivos que são as almas dos filhos."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part Two, Chapter III, p. 103)
"Os sacramentos são sinais sensíveis instituídos divinamente como medicamentos para curar a alma das enfermidades dos vícios."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part Two, Chapter I, p. 81)
"O coração de Cristo aberto com a lança deu à luz a Igreja, Sua noiva, unindo a divindade com a humanidade."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part Two, Introduction, p. 70)
"Maria escolheu a melhor parte, que consiste na perfeição mística da vida virginal unida à maternidade."
(HEALY, Sister Emma Therese. Woman according to saint Bonaventure. Erie, Pennsylvania: Villa Maria College, 1956, Part Three, Chapter III, p. 256)

Biografia de São Boaventura

A Itália Medieval e o Nascimento de um Espírito Luminoso

 

São Boaventura nasceu por volta do ano 1217 na cidade de Bagnoregio, região do Lácio, na Itália, recebendo no batismo o nome de João Fidanza. Sua infância transcorreu numa Europa profundamente marcada pelo florescimento das universidades medievais, pelo fortalecimento das ordens religiosas mendicantes e pelo intenso desenvolvimento da teologia cristã. Era o século de São Francisco de Assis, São Domingos de Gusmão e das grandes escolas teológicas de Paris.

Segundo antiga tradição franciscana, ainda menino João teria adoecido gravemente, sendo curado milagrosamente por intercessão de São Francisco de Assis. Sua mãe, cheia de gratidão, teria consagrado o filho a Deus. Mais tarde, o próprio Boaventura recordaria com profunda devoção a figura do Pobrezinho de Assis, cuja espiritualidade marcaria toda a sua vida.

Dotado de inteligência extraordinária, foi enviado à Universidade de Paris, então o maior centro intelectual da cristandade ocidental. Ali estudou filosofia e teologia, tornando-se discípulo do célebre mestre Alexandre de Hales. Em Paris ingressou na Ordem dos Frades Menores, abraçando definitivamente o ideal franciscano de pobreza, humildade e amor contemplativo.

Desde cedo chamou atenção não apenas pela genialidade intelectual, mas também pela profunda vida espiritual. Diferentemente de muitos estudiosos movidos pela busca de prestígio acadêmico, Boaventura compreendia o estudo como caminho para amar mais perfeitamente a Deus. Para ele, a verdadeira sabedoria não consistia apenas em conhecer verdades, mas em conduzir a alma à união com Cristo crucificado.

 

O Mestre Franciscano e o Doutor da Igreja

 

São Boaventura rapidamente se tornou um dos maiores teólogos de sua época. Lecionou na Universidade de Paris ao lado de figuras imensas como São Tomás de Aquino. Embora possuíssem estilos diferentes, ambos se respeitavam profundamente e se tornaram os dois grandes pilares da escolástica católica do século XIII.

Enquanto São Tomás destacava-se pela clareza racional e estrutura filosófica inspirada em Aristóteles, Boaventura conservava forte inclinação contemplativa e agostiniana. Sua teologia era profundamente marcada pelo amor divino, pela espiritualidade franciscana e pela contemplação dos mistérios sobrenaturais.

Em suas obras, ensinava que toda criatura conduz a Deus como reflexo da beleza do Criador. O universo inteiro era visto como caminho espiritual que leva a alma ao Senhor. Sua obra mais famosa, Itinerarium Mentis in Deum (“Itinerário da Alma para Deus”), tornou-se um dos maiores clássicos da espiritualidade cristã medieval.

Boaventura afirmava que o conhecimento sem oração torna-se estéril. Por isso, insistia continuamente que o verdadeiro teólogo deve unir inteligência e santidade. Sua vida parecia confirmar suas palavras: quanto mais crescia em ciência, mais aumentava em humildade.

No ano de 1257, foi eleito Ministro Geral da Ordem Franciscana. A congregação atravessava enormes tensões internas após a morte de São Francisco. Alguns desejavam rigor extremo; outros buscavam adaptações mais moderadas. Com admirável prudência, Boaventura conseguiu preservar a unidade da Ordem sem destruir o espírito franciscano.

Foi também responsável por organizar oficialmente muitas tradições ligadas à vida de São Francisco. Sua obra Legenda Maior Sancti Francisci tornou-se durante séculos a principal biografia oficial do santo de Assis.

 

O Cardeal Humilde e o Homem da Contemplação

 

Apesar da enorme fama intelectual, São Boaventura permaneceu profundamente humilde. As tradições antigas relatam que evitava honras e preferia a simplicidade da vida religiosa. Quando o Papa Gregório X decidiu criá-lo cardeal e bispo de Albano, encontrou-o lavando pratos no convento. Conta-se que Boaventura pediu aos enviados papais que pendurassem o chapéu cardinalício numa árvore até terminar o serviço humilde que realizava.

Sua vida espiritual era intensamente centrada na contemplação de Cristo crucificado. Via no amor divino a chave de toda a teologia. Para ele, a verdadeira perfeição cristã consistia em inflamar a alma no amor de Deus.

Durante o II Concílio de Lyon, convocado para buscar a reconciliação entre Oriente e Ocidente, São Boaventura exerceu papel fundamental nos trabalhos teológicos e diplomáticos da Igreja. Contudo, no meio dessas atividades, sua saúde começou a declinar.

Morreu em 15 de julho de 1274, durante o próprio Concílio de Lyon. Sua morte causou profunda comoção em toda a cristandade. O Papa Gregório X presidiu pessoalmente suas exéquias, enquanto inúmeros bispos e teólogos lamentavam a perda daquele que era considerado uma das maiores luzes espirituais da Igreja medieval.

Em 1482 foi canonizado pelo Papa Sisto IV. Mais tarde, em 1588, o Papa Sisto V proclamou-o Doutor da Igreja, concedendo-lhe o título de “Doutor Seráfico” devido à profundidade ardente de sua espiritualidade.

 

A Herança Espiritual de São Boaventura

 

São Boaventura permanece como um dos maiores mestres espirituais da tradição católica. Sua vida mostra que inteligência e santidade não se opõem, mas se completam quando submetidas ao amor de Deus.

Sua espiritualidade ensina que:

  • toda verdadeira ciência deve conduzir à contemplação;
  • o conhecimento sem humildade torna-se vazio;
  • Cristo crucificado é o centro da vida espiritual;
  • a criação inteira conduz a alma ao Criador;
  • a oração é superior ao mero raciocínio humano.

Num mundo frequentemente dividido entre racionalismo frio e sentimentalismo superficial, São Boaventura recorda a harmonia perfeita entre verdade, beleza e amor divino. Sua obra continua iluminando teólogos, religiosos e fiéis que buscam unir vida intelectual e profunda intimidade com Deus.

 

Referências bibliográficas

 

BONAVENTURA, Sanctus. Opera Omnia. Ad Claras Aquas: Collegium S. Bonaventurae, 1882-1902.

BONAVENTURA, Sanctus. Itinerarium Mentis in Deum. In: Opera Omnia, Tomus V.

BONAVENTURA, Sanctus. Legenda Maior Sancti Francisci. In: Opera Omnia, Tomus VIII.

THOMAS DE CELANO. Vita Prima Sancti Francisci. Assis: Fontes Franciscanas.

SÃO BOAVENTURA. Breviloquium. Quaracchi: Collegium S. Bonaventurae.

SÃO BOAVENTURA. De Reductione Artium ad Theologiam. Quaracchi Edition.

ACTA SANCTORUM. Julii, Tomus III. Antwerp: Société des Bollandistes.

CATHOLIC CHURCH. Roman Martyrology. Vatican City: Libreria Editrice Vaticana, 2004.

BERNARDINO DE BUSTIS. Mariale. Milan, século XV.

FONTES FRANCISCANAS. Documenta et Scripta Sancti Francisci et Sociorum. Assis.

 

 

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