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São Gregório Magno

São Gregório Magno

540-604
São Gregório Magno foi um papa e Doutor da Igreja do século VI, conhecido por sua humildade, sabedoria e grande influência na cristandade medieval. Antigo monge e ex-governante romano, dedicou sua vida ao serviço da Igreja, à ajuda dos pobres e à propagação da fé cristã pela Europa.
Leia a biografia completa aqui ↓

Frases de São Gregório Magno

"A alma que tem sede de Deus é primeiro movida à compunção pelo medo, e depois pelo amor."
(GREGORY THE GREAT, Saint. Register of the Epistles of Saint Gregory the Great. s.l.: Aeterna Press, 2016. Book VII, Epistle XXVI.)
"Sabedoria que se esconde e tesouro que não se vê, que proveito há em ambos?"
(GREGORY THE GREAT, Saint. The Book of Pastoral Rule. s.l.: Aeterna Press, 2016. Part III, Chapter XXV.)
"Pois na verdade o orgulho é o começo de todo pecado."
(GREGORY THE GREAT, Saint. The Book of Pastoral Rule. s.l.: Aeterna Press, 2016. Part III, Chapter XVII.)
"Pois aquele que lamenta seus pecados e ainda assim não os abandona, sujeita-se à penalidade de um pecado mais grave."
(GREGORY THE GREAT, Saint. The Book of Pastoral Rule. s.l.: Aeterna Press, 2016. Part III, Chapter XXX.)
"O homem sábio permanece como o sol; o tolo muda como a lua; onde a comparação do sol não é aplicada ao esplendor de seu brilho, mas à perseverança no bem fazer."
(GREGORY THE GREAT, Saint. Register of the Epistles of Saint Gregory the Great. s.l.: Aeterna Press, 2016. Book VII, Epistle VII.)
"Pedro, que seria o pastor da Igreja, teve que aprender por meio de sua própria fraqueza e pecado como deve demonstrar tolerância para com a fraqueza dos outros."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 21, Page 99)
"O sangue do Cordeiro é colocado em cada um dos batentes das portas quando recebemos fisicamente o sacramento de sua paixão e meditamos sobre ele com nossas mentes."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 22, Page 135-136)
"Deus, a quem não haviam reconhecido na exposição da sagrada escritura, eles o reconheceram no partir do pão."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 22, Page 150)
"A força do amor aumenta muitas vezes a intensidade da busca."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 23, Page 166)
"O homem morto sai quando o pecador confessa livremente sua transgressão."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 25, Page 212)
"Existem de fato duas vidas, uma que conhecemos e outra que não conhecemos. Uma delas é mortal, a outra imortal."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 26, Page 288-289)
"Quando ele vier em julgamento, confortará os bons com a suavidade de sua misericórdia, mas aterrorizará os ímpios com a severidade de sua justiça."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 21, Page 102)
"Pedro aqui significa a Igreja dos gentios, e o homem mais jovem, João, significa a Sinagoga."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 21, Page 97)
"Porque fomos ungidos com a graça da liberdade interior, o jugo da dominação do diabo desmoronou."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 22, Page 117)
"É certamente difícil que alguém que não sabe regular sua própria vida seja transformado no juiz da vida de outrem."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 26, Page 279)
"Quando buscamos o Senhor pelo caminho do nosso bom desejo, trazendo conosco o perfume da virtude, podemos ver os seres celestiais em nossas mentes."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 26, Page 282)
"O cuidado das almas é a arte das artes."
(GREGORY THE GREAT, Pope. Reading The Gospels With Gregory The Great: Homilies on the Gospels 21-26. A translation with introduction and notes by Santha Bhattacharji. Petersham, Massachusetts: St. Bede’s Publications, 2001, Homily 21, Page 91)
"Ninguém é verdadeiramente humilde se compreende pelo julgamento da Vontade suprema que deve governar, mas então se recusa."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part I, Chapter 1, Page 29)
"Sua punição no inferno seria menos terrível se ele caísse sozinho."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part I, Chapter 6, Page 38)
"O diretor espiritual deve ter o cuidado de se mostrar aos leigos como uma mãe no que diz respeito à bondade e como um pai no que diz respeito à disciplina."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part I, Chapter 2, Page 32)
"O Espírito Santo pousou sobre os primeiros pastores na forma de línguas porque, a quem quer que ele tenha enchido, ele concede o poder do falar eloquente."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part II, Chapter 6, Page 67)
"A doença pode limpar tudo o que é supérfluo em nós para que a bondade da caridade baste para nos unir àquele edifício divino."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part II, Chapter 4, Page 56)
"Lamentações aperfeiçoadas purificam pecados passados."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part III, Chapter 12, Page 115)
"Quem quer que esteja se esforçando para entrar no portão da eternidade deve revelar suas tentações ao seu pastor e lavar as mãos de seus pensamentos e ações no lavacro."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part III, Chapter 29, Page 179)
"O sábio guarda a língua até o momento apropriado."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part II, Chapter 5, Page 61)
"É necessário, portanto, que o diretor seja puro no pensamento, exemplar na conduta, discernente no silêncio e proveitoso na fala."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part III, Chapter 14, Page 123)
"Nenhuma impureza deve poluir aquele que assumiu a responsabilidade de limpar os corações dos outros."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part II, Chapter 1, Page 49)
"Pastores devem ser buscados como professores fortes e perseverantes, como madeiras resistentes que declaram a unidade da Igreja."
(GREGORY THE GREAT, St. The Book of Pastoral Rule. Crestwood, New York: St. Vladimir’s Seminary Press, 2007. Part II, Chapter 2, Page 49)

Biografia de São Gregório Magno

A Vida Devocional de S. Gregório Magno

 

São Gregório Magno nasceu por volta do ano 540, em Roma, numa época em que o antigo Império Romano do Ocidente havia praticamente desmoronado. A Europa atravessava profundas crises políticas, invasões bárbaras, fome, epidemias e instabilidade constante. As antigas estruturas romanas desapareciam lentamente, enquanto a Igreja começava a assumir papel decisivo na preservação da civilização cristã.

Gregório nasceu numa família romana nobre e profundamente cristã. Seu pai, Gordiano, era senador, e sua mãe, Sílvia, seria posteriormente venerada como santa. Desde jovem recebeu excelente formação clássica, aprendendo retórica, administração e literatura latina. Demonstrava grande inteligência e habilidade política, qualidades que o levaram ainda jovem a ocupar o importante cargo de prefeito de Roma, uma das mais elevadas funções civis da época.

Apesar da posição prestigiosa e das riquezas familiares, seu coração inclinava-se cada vez mais para Deus. O vazio do mundo e a fragilidade das glórias humanas impressionavam profundamente sua alma. Após a morte do pai, decidiu abandonar a carreira pública e transformar sua própria residência num mosteiro dedicado à vida monástica sob a Regra de São Bento.

Foi ali que Gregório encontrou aquilo que mais desejava: silêncio, oração e contemplação. Passava longas horas estudando as Escrituras, praticando penitência e vivendo em austeridade. Mais tarde confessaria em seus escritos que considerava aqueles anos monásticos os mais felizes de sua vida. Contudo, Deus o preparava para uma missão muito maior.

O Pastor de Roma em Meio às Ruínas do Mundo

 

A fama de santidade e sabedoria de Gregório espalhou-se rapidamente por Roma. O Papa Pelágio II chamou-o para servir a Igreja em importantes missões diplomáticas e eclesiásticas. Mesmo desejando permanecer escondido no mosteiro, Gregório obedecia com humildade.

Em 590, após a morte do Papa Pelágio durante uma epidemia devastadora, o clero e o povo elegeram Gregório como novo Papa. A tradição afirma que tentou fugir da eleição por considerar-se indigno, mas acabou aceitando a missão por obediência à vontade de Deus.

O cenário que encontrou era dramático. Roma sofria com guerras, fome, pestes e invasões lombardas. Muitas regiões da Itália estavam devastadas. O poder imperial bizantino enfraquecera, e grande parte da população encontrava-se abandonada.

Gregório tornou-se então não apenas líder espiritual, mas verdadeiro pai do povo romano. Organizou distribuição de alimentos aos pobres, socorreu órfãos, ajudou viúvas e administrou os bens da Igreja para aliviar o sofrimento da população. Em muitos momentos, a Igreja sob sua liderança assumiu funções que antes pertenciam ao próprio governo civil.

Sua espiritualidade era profundamente marcada pela humildade. Chamava a si mesmo de Servus servorum Dei — “Servo dos servos de Deus” — título que permaneceu tradicional entre os papas ao longo dos séculos.

Ao mesmo tempo, trabalhou intensamente pela evangelização da Europa. Incentivou missões entre povos bárbaros e enviou Santo Agostinho da Cantuária para converter os anglo-saxões na Inglaterra. Sua ação missionária ajudou decisivamente na formação da cristandade medieval.

Gregório também tornou-se um dos maiores escritores da história da Igreja. Seus livros influenciaram profundamente a espiritualidade cristã durante toda a Idade Média. Entre suas obras mais famosas estão os Diálogos, a Regra Pastoral, as Homilias sobre Ezequiel e numerosos comentários bíblicos.

Sua Regra Pastoral tornou-se durante séculos um dos principais manuais para formação de bispos e sacerdotes, ensinando que o verdadeiro pastor deve unir firmeza, humildade, caridade e vida interior.

 

O Doutor da Igreja e o Homem da Liturgia

 

São Gregório Magno também exerceu enorme influência sobre a liturgia da Igreja. Seu nome ficou tradicionalmente ligado ao chamado “Canto Gregoriano”, forma solene de música sacra desenvolvida e organizada ao longo dos séculos sob forte influência de sua reforma litúrgica.

Sua vida era marcada por intensa penitência e sofrimento físico. Enfermidades constantes debilitavam seu corpo, mas ele continuava trabalhando incansavelmente pelo povo cristão. Em suas cartas, frequentemente mencionava dores, febres e fraquezas que o acompanhavam durante os últimos anos.

Mesmo cercado por enormes responsabilidades políticas e religiosas, jamais abandonou o espírito monástico. Continuava vendo-se antes de tudo como monge. Seu amor pela contemplação permanecia vivo no meio das preocupações do governo da Igreja.

Gregório morreu em 12 de março de 604. Sua morte causou profunda comoção em Roma e em toda a cristandade ocidental. Rapidamente passou a ser venerado como santo pelo povo cristão.

Ao longo dos séculos, a Igreja reconheceu nele um dos maiores papas da história. Tornou-se um dos quatro grandes Doutores da Igreja do Ocidente, ao lado de Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo.

Sua influência atravessou toda a Idade Média. Em tempos de desordem política e colapso social, São Gregório ajudou a preservar não apenas a fé cristã, mas também parte significativa da cultura, da organização e da unidade espiritual da Europa.

 

A Herança Espiritual de São Gregório Magno

 

São Gregório Magno permanece como um dos maiores exemplos de liderança espiritual da história cristã. Sua vida mostrou que a verdadeira autoridade nasce da humildade, do serviço e da fidelidade a Deus.

Sua espiritualidade ensina que:

a oração sustenta o homem em meio às crises do mundo;
a autoridade cristã deve servir e não dominar;
a caridade para com os pobres é dever essencial da Igreja;
a vida interior deve permanecer mesmo entre grandes responsabilidades;
a evangelização transforma povos e civilizações inteiras.
Enquanto muitos governantes buscavam poder terreno em meio ao caos da queda romana, São Gregório procurava conduzir almas para Deus pela humildade, pela sabedoria e pela caridade.

Seu legado continua vivo na espiritualidade católica, na liturgia, na música sacra e na própria história da civilização cristã.

 

Referências bibliográficas

 

BUTLER, Alban. Lives of the Fathers, Martyrs, and Principal Saints. Dublin: James Duffy, 1866.

ATTWATER, Donald; JOHNSTONE, Catherine. The Penguin Dictionary of Saints. 3rd ed. London: Penguin Books, 1993.

FARMER, David Hugh. The Oxford Dictionary of Saints. 5th ed. Oxford: Oxford University Press, 2011.

GREGORY THE GREAT. Pastoral Rule (Regula Pastoralis). Translated by Henry Davis. Westminster, MD: Newman Press, 1950.

GREGORY THE GREAT. Dialogues. Translated by Odo John Zimmerman. Washington, D.C.: Catholic University of America Press, 1959.

ACTA SANCTORUM. Martii, Tomus II. Antwerp: Société des Bollandistes, 1668.

CATHOLIC CHURCH. Roman Martyrology. Vatican City: Libreria Editrice Vaticana, 2004.

 

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