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 São Luís Maria de Montfort

 São Luís Maria de Montfort

1673-1716
Luís Maria Grignion de Montfort foi um sacerdote e missionário francês do século XVII, conhecido por sua profunda devoção à Virgem Maria e por sua intensa vida de pregação popular. Dedicou sua vida à evangelização dos pobres, à renovação da fé católica e à propagação do Rosário, deixando escritos espirituais que exerceram enorme influência na espiritualidade mariana da Igreja. Entre suas obras mais famosas está o *Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem*, considerado um dos maiores clássicos da espiritualidade católica.
Leia a biografia completa aqui ↓

Frases de  São Luís Maria de Montfort

"O Verbo eterno, a Sabedoria eterna, estava no seio do Pai desde toda a eternidade e no seio virginal de Maria no tempo de sua encarnação."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo I – La Sagesse, página 43)
"Deus o Pai deu o seu Filho único ao mundo apenas por meio de Maria."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 75)
"Se quereis oferecer alguma pequena coisa a Deus, colocai-a nas mãos de Maria para não serdes rejeitados."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 69)
"A cruz é o maior presente que Deus pode fazer aos seus eleitos na terra."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo IV – La Croix, página 119)
"Pela obediência e submissão a Maria, Jesus deu mais glória a Deus do que se tivesse convertido toda a terra."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 76)
"Quem não sofre nada pela tentação, nada sabe."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo IV – La Croix, página 120)
"A oração é a fornalha de fogo de uma alma corajosa, que a torna uma vítima amorosa de Deus."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo V – Montfort et la prière, página 128)
"Aqueles que são conduzidos pelo espírito de Maria são filhos de Maria e, consequentemente, filhos de Deus."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 101)
"Sem a oração, o homem não é nada mais do que um cadáver sem alma ou um soldado desarmado."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo V – Montfort et la prière, página 127)
"Jesus Cristo veio perfeitamente a nós por Maria e é por Maria que devemos ir perfeitamente a Ele."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 91)
"Eu vos adoro profundamente no seio e nos esplendores de vosso Pai, durante a eternidade, e no seio virginal de Maria, vossa digníssima Mãe."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo I – La Sagesse, página 54)
"Que minha alma cante e publique a glória de meu Salvador, as grandes bondades de Maria para com seu pobre servo."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 57)
"O puro amor de Deus reina em nossos corações com a divina Sabedoria."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo I – La Sagesse, página 34)
"A castidade e a pureza de Maria foram todas divinas, não tendo nunca tido igual sob o céu."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 97)
"A Eucaristia é a invenção amorosa da Sabedoria para permanecer com o homem até o fim dos séculos."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo I – La Sagesse, página 53)
"A Sabedoria ofereceu-se em sacrifício para nos retirar da escravidão do demônio e das chamas do inferno."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo I – La Sagesse, página 48)
"É necessário renunciar às próprias luzes e vontades antes de dizer ou ouvir a santa Missa ou confessar as faltas."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 95)
"Saber Jesus Cristo, a Sabedoria encarnada, é saber o suficiente; saber tudo e não saber a Ele, é não saber nada."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo I – La Sagesse, página 43)
"Jamais a Cruz sem Jesus, nem Jesus sem a Cruz."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo III – Montfort et son expérience de Dieu, página 31)
"Antes do batismo, éramos escravos do diabo; o batismo nos tornou os verdadeiros escravos de Jesus Cristo."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo III – Esclave de Jésus en Marie, página 106)
"Sua cruz é composta pelas perdas de bens, pelas dores, pelas humilhações, pelos desprezos e pelas doenças."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo IV – La Croix, página 118)
"O Espírito Santo, tendo desposado Maria, continua a produzir todos os dias nela e por ela os predestinados."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 63)
"A fé de Maria a fez acreditar sem hesitar na palavra do anjo e ela acreditou fielmente até o pé da cruz."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 97)
"Para encontrar a graça de Deus, é preciso encontrar Maria."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 61)
"A humildade profunda de Maria a fez esconder-se, calar-se, submeter-se a tudo e colocar-se na última posição."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 97)
"Devemos ser como árvores plantadas ao longo das águas da graça no campo da Igreja Católica."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo III – Esclave de Jésus en Marie, página 102)
"Devemos nos humilhar diante de Jesus como diante de nosso Deus e de nosso juiz."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 68)
"Maria é a Mãe de misericórdia que socorre poderosamente sua alma quando ela se sente perturbada pelos pecados."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 58)
"Prefiro morrer do que viver sem ser todo de Maria."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 72)
"Saibam que o verdadeiro paraíso terrestre é sofrer algo por Jesus Cristo."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo IV – La Croix, página 120)
"Aqueles que permanecem na Santíssima Virgem em espírito não cometerão pecado considerável."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 100)
"O homem recebeu graças para fazer uma digna penitência após ter transgredido os mandamentos de Deus."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo I – La Sagesse, página 49)
"É preciso que a alma seja ocupada incessantemente em cultivar e perseverar na Árvore da Vida."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 75)
"É preciso um sacrifício de si mesmo entre as mãos de Maria para se perder felizmente nela e renunciar ao mundo."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 74)
"Os servos de Maria irão por toda parte com o facho do Evangelho na boca e o santo Rosário na mão."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo V – Montfort et la prière, página 129)
"O seio de Maria é a sala dos sacramentos divinos onde Jesus Cristo e todos os eleitos foram formados."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 101)
"A vontade de Deus sobre vós é que vos torneis santos como Ele nesta vida e gloriosos na outra."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 60)
"É necessário guardar o silêncio e mortificar os sentidos para que a alma produza os frutos de vida."
(GRIGNION DE MONTFORT, Louis-Marie; MAILLÉ, Michel. L'expérience de Dieu avec Louis-Marie Grignion de Montfort. Montréal: Éditions Fides, 2002. Capítulo II – Marie, página 75)

Biografia de  São Luís Maria de Montfort

São Luís Maria Grignion de Montfort nasceu em 31 de janeiro de 1673, no pequeno vilarejo de Montfort-sur-Meu, na Bretanha francesa, sendo o segundo de dezoito filhos de Jean-Baptiste Grignion e Jeanne Robert. Poucos meses após seu nascimento, sua família mudou-se para Iffendic, onde ele passou os anos da infância em um ambiente profundamente católico, marcado tanto pelas dificuldades materiais quanto pela sólida formação religiosa. Desde cedo manifestou extraordinária inclinação para a oração, o recolhimento e a caridade. Seus contemporâneos recordariam mais tarde que o jovem Luís frequentemente se retirava para locais silenciosos a fim de rezar o Rosário e meditar sobre as verdades eternas.

Aos doze anos ingressou no Colégio Jesuíta de São Tomás Becket, em Rennes, uma das instituições mais prestigiadas da região. Durante os oito anos em que ali permaneceu, distinguiu-se não apenas pela inteligência incomum e pela facilidade nos estudos clássicos, mas sobretudo pela vida de piedade intensa e penitência voluntária. Tornou-se membro da Congregação Mariana dos estudantes, dedicando-se com fervor especial à Santíssima Virgem. Segundo antigos relatos preservados pelos primeiros biógrafos, foi diante de uma imagem de Nossa Senhora na igreja dos Carmelitas de Rennes que recebeu interiormente a confirmação definitiva de sua vocação sacerdotal.

 

O Caminho da Pobreza e da Entrega Absoluta

 

Desde a juventude, Luís Maria demonstrava uma radicalidade evangélica que impressionava até seus mestres espirituais. Em 1693, aos vinte anos, partiu para Paris a fim de iniciar os estudos teológicos. A viagem, feita quase inteiramente a pé, tornou-se emblemática de sua espiritualidade de abandono absoluto à Providência Divina. Durante o trajeto, distribuiu aos pobres o dinheiro que possuía, bem como suas roupas melhores, conservando apenas o indispensável. Em um gesto profundamente simbólico, fez voto de viver na pobreza e confiar totalmente em Deus. Essa atitude não era mero ascetismo exterior, mas expressão concreta de uma alma convencida de que a Providência sustentaria integralmente aqueles que se entregassem sem reservas ao serviço divino.

Em Paris estudou inicialmente na comunidade de pobres estudantes de Claude Bottu de la Barmondière e, posteriormente, no célebre Seminário de Saint-Sulpice. Seus anos de formação foram marcados por grandes sofrimentos físicos, enfermidades frequentes, humilhações e extrema penúria material. Contudo, foi precisamente nesse período que amadureceu sua vida mística. Seus superiores reconheciam nele um equilíbrio raro entre contemplação profunda e ardor apostólico. Era conhecido por longas horas diante do Santíssimo Sacramento e por sua singular devoção à Sabedoria Eterna encarnada em Jesus Cristo.

Foi ordenado sacerdote em 5 de junho de 1700. Desde o início de seu ministério desejava ardentemente partir para as missões estrangeiras, sobretudo para o Canadá ou o Oriente, mas a Providência lhe reservava outra missão: a renovação espiritual da própria França.

 

O Missionário Apostólico e o Combate Espiritual

 

A França atravessava então grave crise religiosa. O rigorismo jansenista difundia uma espiritualidade marcada pelo medo, pela severidade e pela desconfiança da misericórdia divina. Contra essa atmosfera sombria, Luís Maria pregava uma espiritualidade de abandono filial, confiança absoluta em Deus e amor ardente à Virgem Maria como caminho seguro para Jesus Cristo.

Suas missões populares tornaram-se rapidamente célebres. Percorria vilarejos inteiros a pé, pregando em igrejas, praças e campos abertos. Falava com simplicidade aos pobres e camponeses, mas com extraordinária força sobrenatural. Catequizava crianças, reconciliava pecadores endurecidos, organizava procissões penitenciais e restaurava igrejas abandonadas. Seu apostolado era frequentemente acompanhado de conversões impressionantes. Muitos testemunhos relatam multidões comovidas às lágrimas durante suas pregações sobre o Juízo, a Cruz e a misericórdia divina. A centralidade do Rosário ocupava lugar essencial em sua missão; ele o considerava uma arma espiritual poderosa contra o pecado e as forças infernais.

Entretanto, sua obra encontrou forte oposição. Sacerdotes influenciados pelo jansenismo viam com suspeita sua espiritualidade mariana, suas procissões populares e o entusiasmo que despertava entre o povo simples. Acusações, intrigas e perseguições acompanharam boa parte de sua vida apostólica. Em meio a essas dificuldades, Luís Maria decidiu viajar a Roma para colocar sua missão sob o julgamento da Santa Sé. Atravessou novamente longas distâncias a pé até chegar diante do Papa Papa Clemente XI. O pontífice reconheceu seu zelo extraordinário e lhe concedeu oficialmente o título de “Missionário Apostólico”, exortando-o a continuar evangelizando a França por meio das missões populares e da renovação das promessas batismais.

 

Os Segredos de Maria e a Visão Profética

 

A espiritualidade de São Luís Maria atingiu sua expressão mais elevada na doutrina da “Santa Escravidão de Amor” a Jesus por Maria. Para ele, a Virgem Santíssima era o meio mais perfeito, rápido e seguro de união com Cristo. Em seu célebre Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, descreveu Maria como o “molde vivo de Deus”, no qual as almas são formadas à imagem de Jesus Cristo com admirável rapidez e perfeição. Sua visão teológica possuía forte dimensão profética: anunciava uma futura renovação da Igreja através de almas totalmente consagradas à Virgem, que chamava de “Apóstolos dos Últimos Tempos”.

Diversos episódios extraordinários marcaram sua existência. Há relatos de curas, discernimento sobrenatural das consciências e resistência heroica diante de violentas perseguições. Em determinado período, sofreu provável envenenamento que debilitou gravemente sua saúde, mas não diminuiu seu ardor missionário. Mesmo consumido fisicamente, continuou percorrendo cidades e povoados em incessante atividade apostólica. Fundou a Companhia de Maria — os futuros Missionários Monfortinos — e, juntamente com a Beata Marie-Louise Trichet, as Filhas da Sabedoria, destinadas ao ensino dos pobres e ao cuidado dos enfermos.

Entre suas obras, nenhuma se tornaria tão influente quanto o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. O próprio santo parecia prever o combate espiritual que cercaria esse escrito. Em páginas impressionantes, afirmava que o demônio tentaria ocultar e destruir o manuscrito por odiar a devoção mariana que nele era ensinada. De fato, após sua morte, o texto permaneceu praticamente desconhecido durante mais de um século, sendo reencontrado providencialmente em 1842 numa arca da casa-mãe dos missionários monfortinos em Saint-Laurent-sur-Sèvre. Posteriormente, essa obra exerceria profunda influência sobre inúmeros santos e papas, especialmente Papa João Paulo II, cujo lema episcopal e pontifício — Totus Tuus — foi inspirado diretamente pela espiritualidade de Montfort.

 

O Trânsito Glorioso e o Legado Imortal

 

Os últimos meses de sua vida foram consumidos pelo trabalho missionário incessante. Em abril de 1716, enquanto pregava uma missão em Saint-Laurent-sur-Sèvre, sua saúde entrou em colapso. Mesmo extremamente debilitado, insistiu em continuar pregando até não possuir mais forças físicas. Em 28 de abril de 1716, segurando um crucifixo e uma pequena imagem da Santíssima Virgem, pronunciou suas últimas palavras: “Em vão me atacais; estou entre Jesus e Maria. Terminei minha carreira; tudo acabou. Não pecarei mais”. Morreu aos quarenta e três anos, consumido pelo zelo apostólico e pela caridade ardente.

Após sua morte, sua fama de santidade espalhou-se continuamente pela França e além dela. Foi beatificado em 1888 pelo Papa Papa Leão XIII e canonizado em 1947 pelo Papa Papa Pio XII. Hoje é reconhecido como um dos maiores mestres da espiritualidade mariana da história da Igreja. Sua influência permanece viva em congregações religiosas, movimentos marianos e na própria teologia contemporânea da consagração total a Maria.

Seu epitáfio resume admiravelmente sua existência: “Se queres compreender sua vida, nenhuma foi mais pura; sua penitência, nenhuma mais austera; seu zelo, nenhum mais ardente; sua devoção a Maria, nenhuma mais semelhante à de São Bernardo”.

 

 

Referências bibliográficas

 

  • SAINT LOUIS-MARIE GRIGNION DE MONTFORT, Lettre aux Amis de la Croix, Paris, Librairie Religieuse, 1868.
  • SAINT LOUIS-MARIE GRIGNION DE MONTFORT, Cantiques spirituels de Saint Louis-Marie Grignion de Montfort, Saint-Laurent-sur-Sèvre, Maison Mère des Missionnaires Montfortains, 1911.
  • SAINT LOUIS-MARIE GRIGNION DE MONTFORT, Œuvres complètes, Paris, Éditions du Seuil, 1966.
  • GRANDIN, Jean-Baptiste, La Vie de Monsieur Louis-Marie Grignion de Montfort, Missionnaire Apostolique, Nantes, Chez Nicolas Verger, 1724.
  • BESNARD, Adrien, Vie de Louis-Marie Grignion de Montfort, Tours, Maison Alfred Mame et Fils, 1884.
  • MULOT, René, Mémoires sur la vie et les vertus de Louis-Marie Grignion de Montfort, Saint-Laurent-sur-Sèvre, Archives Montfortaines, manuscrits du XVIIIe siècle.
  • LE CROM, Louis, Un Apôtre de Marie: Saint Louis-Marie Grignion de Montfort, Paris, Librairie Bloud et Gay, 1942.
  • DE FIORES, Stefano, Itinéraire spirituel de Saint Louis-Marie Grignion de Montfort, Paris, Centre International Montfortain, 1993.

 

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