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São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval

1090-1153
São Bernardo nasceu em 1090 em Fontaine. Em 1113, ingressou em Cister com trinta companheiros. Fundou Claraval em 1115, tornando-se seu primeiro abade. Graças aos seus esforços, a Ordem Cisterciense cresceu, fundando mais de 160 mosteiros. Apoiou o Papa Inocêncio II e pregou a Segunda Cruzada. Místico, combateu os erros de Abelardo e comentou o Cântico dos Cânticos. Faleceu em 1153, reconhecido como o último dos Padres da Igreja.
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Frases de São Bernardo de Claraval

"Onde encontrar orgulho maior do que o de um homem sozinho que prefere o seu julgamento ao de toda uma comunidade, como se só ele possuísse o Espírito de Deus?"
(SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, Os graus da humildade e da soberba, Tradução de Carlos Nougué, Porto Alegre, Editora Concreta, 2016, página 81)
"Qual de vós continuará a lastimar-se e a dizer: 'O nosso trabalho é demasiado árduo, o nosso jejum demasiado severo, a nossa vigília demasiado prolongada', se, mesmo que nos apliquemos até ao limite das nossas forças, não conseguirmos preencher a milésima, ou sequer a centésima parte das nossas obrigações?"
(AILBE J. LUDDY, Bernardo de Claraval, Tradução de Eduardo Saló, Lisboa, Editorial Aster, página 57)
"Nada é mais certo que a morte, nada mais incerto que a sua hora."
(AILBE J. LUDDY, Bernardo de Claraval, Tradução de Eduardo Saló, Lisboa, Editorial Aster, página 130)
"A verdade pura não a compreende senão o coração puro."
(SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, Os graus da humildade e da soberba, Tradução de Carlos Nougué, Porto Alegre, Editora Concreta, 2016, página 31)
"Fiquem sabendo, de fato, que após esta vida haveréis de pagar o cêntuplo nas regiões do Purgatório, até o último centavo do que foi negligenciado aqui embaixo."
(SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, Sermão II para a Quaresma — Em Quarta-Feira de Cinzas, conforme citado em AILBE J. LUDDY, Bernardo de Claraval, Lisboa, Editorial Aster, página 52)
"A Eucaristia é o amor que supera todos os outros amores no céu e na terra."
(SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, conforme citado em G. R. EVANS, Bernard of Clairvaux, Great Medieval Thinkers, página 110)
"Se então você for sábio, você se mostrará mais como um reservatório do que como um canal. Pois um canal espalha a água conforme a recebe, mas um reservatório espera até que esteja cheio antes de transbordar, e assim comunica, sem perda para si mesmo, suas águas superabundantes... Na Igreja, atualmente, temos muitos canais, poucos reservatórios."
(SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, Sermões sobre o Cantar dos Cantares, Sermão 18, conforme citado em MICHAEL CASEY, Athirst for God: spiritual desire in Bernard of Clairvaux's Sermons on the Song of Songs, Kalamazoo, Cistercian Publications, 1988, página 94)
"O inferno está cheio de boas intenções."
(SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, conforme citado em AILBE J. LUDDY, Bernardo de Claraval, Lisboa, Editorial Aster, página 64)
"Ação e contemplação são companheiras próximas; elas vivem juntas na mesma casa em igualdade. Marta e Maria são irmãs."
(AILBE J. LUDDY, Bernardo de Claraval, Tradução de Eduardo Saló, Lisboa, Editorial Aster, página 58)
"Cristo possuía uma inesgotável provisão no céu. Não obstante, havia um tesouro que Ele não conseguia encontrar ali, nomeadamente o da pobreza, do qual existia na terra abundância, e superabundância, embora os homens não suspeitassem do seu valor real."
(AILBE J. LUDDY, Bernardo de Claraval, Tradução de Eduardo Saló, Lisboa, Editorial Aster, página 150)
"Engana-se completamente se se acredita que este pequeno número de dias é suficiente para fazer penitência, enquanto que toda a duração da vida aqui embaixo não tem certamente outro objetivo. Buscai o Senhor não somente durante quarenta dias, mas enquanto Ele se deixa encontrar."
(SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, Sermão I para a Quaresma — Em Quarta-Feira de Cinzas, conforme citado em AILBE J. LUDDY, Bernardo de Claraval, Lisboa, Editorial Aster, página 51)

Biografia de São Bernardo de Claraval

 O Filho do Destino e a Visão Profética

 

Bernardo nasceu em 1090 (ou 1091) no Castelo de Fontaines-les-Dijon, na Borgonha. Filho do cavaleiro Tescelino o Ruivo e da piedosa Aleth de Montbard, sua vinda foi marcada por um sinal do céu: enquanto grávida, Aleth sonhou que carregava um cão branco que latia incessantemente. Um religioso interpretou que ela daria à luz um fiel vigia da casa de Deus, cuja língua curaria feridas espirituais. Desde a infância, Bernardo demonstrou uma pureza angelical e uma devoção singular à Virgem Maria, recebendo o favor de uma visão do Menino Jesus na noite de Natal, que abriu em seu coração uma fonte eterna de doçura divina.

 

O Combate pela Castidade e a Chamado Divino

 

Durante sua juventude e estudos em Châtillon-sur-Seine, Bernardo foi cercado por seduções mundanas. Para preservar sua castidade, em um momento de tentação violenta, ele mergulhou em um lago gelado até que o frio dominasse a rebelião da carne. Após a morte de sua mãe Aleth, que lhe aparecia em visões para exortá-lo a abandonar as vaidades, ele sentiu o chamado definitivo para a vida monástica. Em uma igreja solitária, sob uma torrente de lágrimas, as trevas do seu espírito se dissiparam, e ele decidiu “sepultar-se vivo” na solidão de Cister.

 

O Pescador de Almas e a Renovação de Cister

 

Dotado de uma eloquência que arrebatava corações, Bernardo não entrou no claustro sozinho: ele converteu trinta companheiros, incluindo seus próprios irmãos e seu tio Gaudry. Sua persuasão era tal que “mães escondiam seus filhos e esposas seus maridos”, temendo que fossem levados pelo seu apelo irresistível. Ao chegar a Cister em 1113, sua presença e a de seus companheiros salvaram a ordem da extinção. Durante seu noviciado, Bernardo viveu em um estado de tal recolhimento que seus sentidos físicos pareciam suspensos: ele via sem ver e ouvia sem ouvir, focado apenas na união com o divino.

 

Claraval: O Vale da Luz e os Milagres da Providência

 

Em 1115, foi enviado para fundar Claraval no “Vale do Absinto”, que ele transformou no “Vale da Luz”. Os primeiros tempos foram de privações heroicas, onde os monges se alimentavam de folhas de faia e pão de cevada. Diante da fome extrema, Bernardo ajoelhou-se em oração e uma voz do céu ressoou: “Levanta-te, Bernardo; a tua prece foi atendida”, sendo imediatamente seguida pela chegada de carros de mantimentos. Outras vezes, multiplicou miraculosamente o sal e o trigo para prover seus filhos e os pobres da região.

 

 O Taumaturgo de Deus e o Defensor da Igreja

 

Bernardo tornou-se o maior milagreiro de sua era, realizando curas instantâneas de cegos, surdos, mudos e paralíticos apenas com o sinal da cruz ou a imposição de mãos. Em uma missão no Reno, registrou-se a cura de trinta e seis pessoas em um único dia. Sua autoridade sobrenatural era tal que ele enfrentou o duque Guilherme da Aquitânia carregando a Hóstia Sagrada, forçando o tirano a prostrar-se e abandonar o cisma. Como “Oráculo da Cristandade”, ele resolveu o cisma papal de Inocêncio II, redigiu a regra dos Templários e combateu as heresias de Pedro Abelardo com a força da verdade revelada.

 

Visões Celestiais e o Trânsito para a Eternidade

 

Ao longo de sua vida, Bernardo foi agraciado com visitas da Rainha dos Céus, que uma vez, acompanhada por São Bento e São Lourenço, tocou seu corpo enfermo e o curou instantaneamente. Ele previu a data de sua própria morte e a de seu amado irmão Gerardo. Em 1148, seu amigo São Malaquias faleceu em seus braços em Claraval, cumprindo uma promessa de união eterna.

No dia 20 de agosto de 1153, após receber os últimos sacramentos, Bernardo entregou sua alma a Deus enquanto seus filhos choravam ao redor de seu leito. Mesmo no funeral, seu corpo operou tantos milagres que o abade de Cister teve de ordenar-lhe, por obediência, que cessasse os prodígios para que o sepultamento pudesse ocorrer em paz. São Bernardo foi canonizado em 1174 e declarado Doutor da Igreja em 1830, permanecendo para sempre como o último dos Padres e a luz que guiou a Idade Média.

 

Referências bibliográficas

 

  • SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, Os graus da humildade e da soberba, Tradução de Carlos Nougué, Porto Alegre, Editora Concreta, 2016.
  • AILBE J. LUDDY, Bernardo de Claraval, Tradução de Eduardo Saló, Lisboa, Editorial Aster.
  • MICHAEL CASEY, Athirst for God: spiritual desire in Bernard of Clairvaux’s Sermons on the Song of Songs, Kalamazoo, Cistercian Publications, 1988.
  • G. R. EVANS, Bernard of Clairvaux, Great Medieval Thinkers, Oxford University Press.
  • DENNIS E. TAMBURELLO, Bernard of Clairvaux: Essential Writings, The Crossroad Spiritual Legacy Series.
  • SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, On the Song of Songs II, Translated by Kilian Walsh OCSO and Jean Leclercq OSB, Gorgias Press.
  • SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, Tratado sobre o amor de Deus, Tradução de Nei Ricardo de Souza, São Paulo, Paulus Editora, 2016.
  • Life and Works of Saint Bernard, Editado por Dom John Mabillon, Traduzido por Samuel J. Eales.
  • SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, On the Song of Songs I, Translated by Kilian Walsh, Cistercian Fathers Series 4, 1971.
  • WATKIN WILLIAMS, Saint Bernard of Clairvaux, 1953.
  • P. GONZALO MARTÍNEZ O.C.S.O., San Bernardo de Claraval, 1964.
  • Sermons pour l’année — Saint Bernard, Taizé, 1991, Brepols.
  • FR. THEODORE RATISBONNE, St. Bernard of Clairvaux: Oracle of the Twelfth Century, TAN Books, 2012.
  • Sermons for Lent and the Easter Season, Cistercian Fathers Series 52, Liturgical Press, 2013.
  • Sermons for the Autumn Season, Cistercian Fathers Series 54, Liturgical Press, 2016.

 

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