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São João da Cruz

São João da Cruz

1542-1591
São João da Cruz foi um frade carmelita e místico espanhol. Junto com Santa Teresa d'Ávila, liderou a reforma da Ordem do Carmo, fundando os Carmelitas Descalços. Sua busca por uma vida mais austera gerou forte oposição, levando-o a ser preso e torturado por seus próprios irmãos de hábito. Durante seu cativeiro, escreveu seus mais belos poemas místicos, como "Noite Escura da Alma". Canonizado em 1726 e declarado Doutor da Igreja, é um dos maiores mestres da espiritualidade.
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Frases de São João da Cruz

"É preciso escolheres o lugar mais afastado e solitário que puderes encontrar, aplicando então todo o gozo da vontade em invocar e glorificar a Deus."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Subida do Monte Carmelo, Livro III, Capítulo XL, p. 423.)
"Com efeito, para entrar nestas riquezas da Sabedoria divina, a porta, - que é estreita, - é a cruz. O desejo de passar por esta porta é de poucos; mas o de gozar dos deleites a que se chega por ela é de muitos."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Cântico Espiritual, Canção XXXVI, p. 793.)
"A alma que caminha no amor não cansa nem se cansa."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Ditos de Luz e Amor, n. 95, p. 102.)
"Para o homem de coração puro, tudo se transforma em mensagem divina."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Cântico Espiritual, Anotação para a Canção VI, p. 622.)
"Agrada mais a Deus uma obra, por pequena que seja, feita às escondidas e sem desejo de que saibam, do que mil feitas com desejo de que os homens as conheçam."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Ditos de Luz e Amor, n. 20, p. 94.)
"O demônio teme a alma unida a Deus, como ao próprio Deus."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Ditos de Luz e Amor, n. 124, p. 105.)
"Assim como Abraão fez grande festa quando desmamou a seu filho Isaac, assim também há no céu grande gozo quando Deus tira uma alma das faixas da infância, descendo-a dos braços e fazendo-a andar com seus pés."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Noite Escura, Livro I, Capítulo XII, p. 472.)
"Assim, para o conhecimento de Deus e de si próprio, o meio esta é noite escura, com suas securas e vazios."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Noite Escura, Livro I, Capítulo XII, p. 477.)
"Os filhos de Israel, unicamente porque conservavam um só apego e lembrança das carnes e manjares saboreados no Egito, não podiam gostar do delicado pão dos anjos no deserto."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Noite Escura, Livro II, Capítulo IX, p. 510.)
"Nosso Senhor Deus é fogo consumidor (Dt 4,24), isto é, fogo de amor, o qual, sendo infinitamente forte, pode, de modo inefável, consumir e transformar em si a alma quando a toca."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Cântico Espiritual, Canção XXXIX, p. 813.)
"O ladrão: pensa ele que os outros também furtam. O luxurioso imagina que os demais também o são; o malicioso julga que os outros são igualmente maliciosos, porque forma o seu juízo por sua própria malícia. O bom, ao contrário, pensa bem dos demais, pois o seu juízo vem da bondade que tem no seu íntimo."
(São João da Cruz. Obras Completas. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1988. Chama Viva de Amor, Canção IV, p. 925.)

Biografia de São João da Cruz

 

Aurora de Santidade: O Início em Fontiveros

 

João de Yepes Álvarez nasceu em 1542, na vila de Fontiveros, perto de Ávila, Espanha. Filho de Gonzalo de Yepes e Catalina Álvarez, sua infância foi marcada por uma pobreza heroica e provações profundas, perdendo o pai e o irmão Luís ainda cedo. Desde a juventude, manifestou uma alma inclinada ao serviço de Deus, trabalhando como carpinteiro, alfaiate, pintor e até acólito na igreja da Madalena, além de atuar como ajudante de enfermeiro no Hospital da Conceição. Sua formação intelectual começou com os Jesuítas em Medina del Campo, onde estudou humanidades, preparando o solo para sua futura sabedoria teológica.

 

A Consagração e o Encontro Providencial

 

Em 1563, movido por um amor profundo e convicto pela Virgem Maria, João recebeu o hábito carmelita, assumindo o nome de Frei João de São Matias. Após sua profissão em 1564, seguiu para a prestigiada Universidade de Salamanca, onde mergulhou na teologia escolástica e no tomismo, recebendo lições de mestres como Mancio de Corpus Christi. Ordenado sacerdote em 1567, sua alma ansiava por uma vida de maior recolhimento, chegando a considerar a entrada na Cartuxa. Foi então que ocorreu o encontro transformador com Santa Teresa de Ávila, que o conquistou para a obra da Reforma do Carmelo entre os frades.

 

O Humilde Solitário de Duruelo e a Reforma Teresiana

 

Em 1568, João abraçou a nova vida reformada em Duruelo, em uma pequena e pobre alquería, mudando seu nome para João da Cruz. Lá, lançou os fundamentos da Reforma Descalça, vivendo em extrema pobreza e oração constante. Tornou-se o primeiro reitor e mestre de noviços, moldando as primeiras vocações do Carmelo com sua mansidão e sabedoria. Sua presença era descrita como a de um homem de rosto grave e venerável, de trato agradável e extraordinariamente espiritual, que deixava todos os que o ouviam inflamados de virtude.

 

O Crisol de Toledo: Milagres na Escuridão

 

A fidelidade à Reforma trouxe-lhe a perseguição. Em dezembro de 1577, foi violentamente aprisionado e levado para o convento dos Calçados em Toledo, onde permaneceu recluso por oito meses em um cárcere estreito e escuro. Foi neste “crisol” de sofrimento e privação que sua alma floresceu em píncaros de santidade. Sem papel ou tinta, compôs em sua memória as estrofes do Cântico Espiritual, vertendo sua experiência mística em poesia sublime. Sua fuga milagrosa, durante a oitava da Assunção em 1578, foi guiada por uma luz interior que ele descreveu como mais segura que a luz do meio-dia.

 

O Mestre das Almas e o Cantor do Amor Divino

 

Após Toledo, João ocupou diversos cargos de governo em Beas, Baeza e Granada, onde foi Prior de Los Mártires. Sua vida era um contínuo face a face com Deus, marcada por visões e êxtases. Um dos seus dons mais notáveis era o discernimento de espíritos; certa vez, identificou com clareza a falsa luz em uma religiosa que se acreditava favorecida por revelações, exortando-a à humildade e à obediência como provas reais de santidade. Ele escreveu seus grandes tratados — Subida do Monte Carmelo, Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama Viva de Amor — muitas vezes de joelhos, sob o sopro de uma invasão divina.

 

A Noite Passiva do Espírito e o Trânsito Glorioso

 

Os últimos anos de sua vida foram marcados por um novo período de abandono e surda perseguição dentro da própria Ordem. Diante das calúnias, respondia com serenidade absoluta, chamando a si mesmo de “verme”. Em 1591, doente e sem cargos, retirou-se para Úbeda, escolhendo o lugar onde ninguém o conhecia para morrer. Suportou dores atrozes com paciência angélica, vendo nelas pérolas preciosas. Momentos antes de sua morte, pediu que lhe lessem o Cântico dos Cânticos, expirando na madrugada de 14 de dezembro de 1591, aos 49 anos. Seu corpo, mais tarde transladado para Segóvia, exalava um odor de santidade e tornou-se fonte de inúmeras graças.

 

Referências bibliográficas

 

  • Wojtyla, Karol (Papa João Paulo II). Faith According to St. John of the Cross. Ignatius Press, 1981.
  • Slattery, Peter (Ed.). Saint John of the Cross: A Spirituality of Substance. Alba House, 1994.
  • Zorrilla C., Hugo. Saint John of the Cross from Anabaptist Spirituality. 1993.
  • Haggerty, Donald. Saint John of the Cross: Master of Contemplation. Ignatius Press, 2022.
  • Rodriguez, Otilio. Saint John of the Cross: The Nightingale of God. 1990.
  • São João da Cruz. Obras Completas. Edição organizada por Frei Patrício Sciadini, O.C.D. Editora Vozes, 1988.
  • Barnstone, Willis. The Poems of Saint John of the Cross.

 

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