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Santa Hildegarda de Bingen

Santa Hildegarda de Bingen

1098-1179
Santa Hildegarda de Bingen foi uma abadessa beneditina, mística e teóloga alemã. Desde criança, recebia visões divinas que, por ordem de Deus e com aprovação papal, registrou em obras teológicas profundas como o "Scivias". Mulher de múltiplos dons, compôs músicas sacras e estudou a natureza, sempre unindo criação e Criador. Exemplo de fidelidade e profetismo, foi canonizada e proclamada Doutora da Igreja em 2012 pelo Papa Bento XVI, sendo chamada de a "Sibila do Reno".
Leia a biografia completa aqui ↓

Frases de Santa Hildegarda de Bingen

"A menção do Pai e do Filho vem equilibrada por uma referência ao abraço do amor maternal de Deus, que é a caridade."
(Bingen, Hildegarda de. Scivias: Conhece os caminhos do Senhor. São Paulo: Paulus Editora, 2017. Página 246.)
"Deus é o fundamento de tudo; Ele empreende e dá de tal forma que nada do que é necessário para a vida falte."
(Uhlein, Gabriele. Meditations with Hildegard of Bingen. Santa Fe: Bear & Co., 1983. Página 50.)
"A Igreja jamais será vencida pelo inferno; seus segredos transcendem a compreensão, sua coroa é o ensinamento dos apóstolos e seu coração é a virgindade de Maria."
(Bingen, Hildegarda de. Scivias: Conhece os caminhos do Senhor. São Paulo: Paulus Editora, 2017. Página 258.)
"O Filho de Deus sofreu na cruz para tornar o injusto justo, e Ele os atrai a Si por meio da misericórdia."
(Baird, Joseph L.; Ehrman, Radd K. (eds.). The Letters of Hildegard of Bingen, Volume II. Oxford: Oxford University Press, 1998. Página 58.)
"O paraíso é um lugar agradável, que floresce com o frescor das flores e ervas e os deleites de todas as fragrâncias, dotado da alegria das almas bem-aventuradas."
(Bingen, Hildegarda de. Scivias: Conhece os caminhos do Senhor. São Paulo: Paulus Editora, 2017. Página 115.)
"O sofrimento no inferno está além de toda compreensão humana; apenas aquele poderoso leviatã, o sedutor de todo o mundo, pode compreendê-lo, pois ele está lá acorrentado."
(Baird, Joseph L.; Ehrman, Radd K. (eds.). The Letters of Hildegard of Bingen, Volume II. Oxford: Oxford University Press, 1998. Página 182.)
"O sacramento do corpo e sangue de Cristo deve ser adorado na Igreja em uma verdadeira liturgia, até que a última pessoa a ser salva pelo mistério apareça no fim do mundo."
(Bingen, Hildegarda de. Scivias: Conhece os caminhos do Senhor. São Paulo: Paulus Editora, 2017. Página 446.)
"A verdadeira confissão é uma segunda ressurreição, pois a raça humana foi morta pela queda do velho Adão e o novo Adão, por sua morte, a ressuscitou."
(Bingen, Hildegarda de. Scivias: Conhece os caminhos do Senhor. São Paulo: Paulus Editora, 2017. Página 481.)
"Deus é o grande médico de todas as doenças e age como um doutor que vê uma pessoa doente que anseia por ser curada."
(Bingen, Hildegarda de. Scivias: Conhece os caminhos do Senhor. São Paulo: Paulus Editora, 2017. Página 147.)
"Deixe seu olho viver e crescer em Deus, e sua alma nunca murchará; você pode contar com Ele para mantê-lo vivo, acordado e terno."
(Butcher, Carmen Acevedo. Hildegard of Bingen: A Spiritual Reader. Brewster, MA: Paraclete Press, 2007. Página 1.)
"Mas sempre que nos arrependemos de nossos passos errados e de nossos caminhos muito ocupados, e oramos: ‘Ajuda-nos, Deus!’, Ele envia anjos para nos proteger. Eles voam em nosso auxílio. Satanás não pode nos incomodar então."
(Butcher, Carmen Acevedo. Hildegard of Bingen: A Spiritual Reader. Brewster, MA: Paraclete Press, 2007, p. 89.)
"Antes que o mundo se acabe, o Filho do Homem será visto brilhante e maravilhosamente na fé católica. A verdade será plenamente mostrada nele, e a falsidade do filho da iniquidade rejeitada em todos os sentidos."
(Bingen, Hildegarda de. Scivias: Conhece os caminhos do Senhor. São Paulo: Paulus Editora, 2017, p. 865.)
"Plantas infrutíferas crescem rapidamente por si mesmas, do solo; mas as que dão fruto devem ser semeadas e plantadas com grande esforço."
(Bingen, Hildegarda de. Scivias: Conhece os caminhos do Senhor. São Paulo: Paulus Editora, 2017, p. 803.)
"Então cante! O canto da alegría amolece os corações duros. Faz com que lágrimas de piedosa tristeza fluam deles. Cantar convoca o Espírito Santo."
(Butcher, Carmen Acevedo. Hildegard of Bingen: A Spiritual Reader. Brewster, MA: Paraclete Press, 2007, p. 27.)
"As Escrituras são um caminho que leva à montanha elevada onde crescem flores e ervas preciosas, com uma brisa perfumada soprando sobre elas, trazendo à toma seu doce aroma, e onde rosas e lírios mostram seus rostos brillantes."
(Baird, Joseph L.; Ehrman, Radd K. (eds.). The Letters of Hildegard of Bingen, Volume I. Oxford: Oxford University Press, 1994, p. 106.)
"Insensato é o indigente que inveja as roupas finas de outro, mas não lava a sujeira de suas próprias vestimentas esfarrapadas."
(Baird, Joseph L.; Ehrman, Radd K. (eds.). The Letters of Hildegard of Bingen, Volume I. Oxford: Oxford University Press, 1994, p. 34.)

Biografia de Santa Hildegarda de Bingen

Infância e o Despertar do Dom Profético

 

Santa Hildegarda nasceu no verão de 1098, em Bermersheim, na atual Alemanha, sendo a décima e última filha de uma família da nobreza livre, Hildebert e Mechthild. Desde a mais tenra infância, a mão de Deus repousou sobre ela de maneira extraordinária; aos três anos de idade, sua alma estremeceu ao contemplar uma luz tão brilhante que sua língua infantil não conseguia descrever. Um dos sinais mais precoces de sua clarividência ocorreu aos cinco anos, quando, ao observar uma vaca prenhe, descreveu com exatidão as manchas e a cor do bezerro que ainda estava por nascer, deixando sua ama aterrorizada e maravilhada. Reconhecendo a natureza singular e mística de sua filha, seus piedosos pais decidiram oferecê-la à Igreja como um “dízimo humano”.

 

A Clausura e a Formação na Virtude

 

Aos oito anos, a jovem santa foi confiada aos cuidados da beata Jutta de Sponheim, uma reclusa de vida austera e aristocrática. No dia de Todos os Santos de 1112, Hildegarda foi formalmente enclausurada em uma cela anexa ao mosteiro de Disibodenberg. Sob a tutela de Jutta, ela mergulhou na recitação do Opus Dei e no estudo do Saltério, vivendo em um estado de “morte para o mundo” que se manifestou fisicamente durante sua cerimônia de consagração, quando deitou-se em um féretro para receber a Extrema Unção, simbolizando sua dedicação total a Deus. Enquanto sua mestra praticava um ascetismo rigoroso, chegando a usar cadeias de ferro sob as vestes, Hildegarda cultivava a humildade e o silêncio, mantendo suas visões ocultas por décadas.

 

O Mandato Divino e o Nascimento de “Scivias”

 

Com a morte de Jutta em 1136, Hildegarda foi eleita unânime e divinamente como a sucessora e magistra da comunidade. No entanto, foi em 1141 que sua vida mudou para sempre: uma luz ígnea de excepcional brilho desceu do céu aberto, infundindo em seu cérebro e coração o entendimento profundo das Escrituras. Uma voz celestial ordenou-lhe: “Ó frágil mortal… dize e escreve o que vês e ouves”. Apesar do temor e de uma doença paralisante que a acometeu por sua hesitação inicial, Hildegarda obedeceu à visão após ser encorajada por seu mestre espiritual, o monge Volmar. Em 1147-1148, o Papa Eugênio III, durante o Sínodo de Tréveris, leu publicamente partes de sua obra inicial, Scivias, e deu-lhe a bênção apostólica para continuar seus escritos, autenticando-a como uma autêntica profetisa de Deus.

 

Fundações Sagradas em Rupertsberg e Eibingen

 

Seguindo uma ordem recebida em visão, Santa Hildegarda fundou seu próprio mosteiro em Rupertsberg, por volta de 1150, apesar da veemente oposição dos monges de Disibodenberg, que não queriam perder sua maior jóia espiritual. Ela conduziu cerca de vinte freiras nobres para um local desolado, transformando-o, pela graça divina, em um centro de santidade onde as virgens de Deus celebravam a liturgia vestidas com véus de seda e coroas de ouro, simbolizando a beleza da alma antes da Queda. Anos mais tarde, em 1165, sua caridade expandiu-se com a fundação de um segundo convento em Eibingen. Mesmo com a saúde fragilizada, a santa abadessa cruzava o Reno duas vezes por semana para cuidar pessoalmente de suas filhas espirituais.

 

Pregação Pública, Milagres e Combate ao Mal

 

Hildegarda, conhecida como a “Sibila do Reno”, realizou o feito inédito para uma mulher de sua época de empreender quatro grandes turnos de pregação pública pela Alemanha. Em cidades como Colônia e Tréveris, ela denunciou a corrupção do clero e a heresia dos cátaros, falando com a autoridade de quem via o “Sol Vivente”. Seu ministério foi acompanhado por inúmeros sinais sobrenaturais; ela expulsou demônios de uma nobre chamada Sigewize, que foi libertada após um longo período de possessão quando a santa ordenou que o inimigo saísse. Relatos da época narram curas de cegos, surdos e leprosos que ocorriam pelo simples toque de suas mãos ou pela invocação de suas orações.

 

O Último Combate e o Trânsito Glorioso

 

No final de sua vida, a santa enfrentou seu último e mais doloroso teste: um interdito imposto pelo clero de Mogúncia por ela se recusar a exumar o corpo de um nobre enterrado em seu mosteiro, o qual Deus lhe revelara estar em estado de graça. Hildegarda defendeu a música como uma lembrança do paraíso perdido, lamentando o silêncio forçado das canções celestiais em seu convento. O banho de luz divina finalmente levantou o interdito poucos meses antes de sua morte.

Em 17 de setembro de 1179, aos 81 anos, Santa Hildegarda partiu para o Esposo Celestial. No momento de sua morte, duas espalhafatosas arco-íris cruzaram-se no céu acima de seu leito, e uma cruz brilhante apareceu no firmamento, iluminando o monte St. Rupertsberg, sinalizando que a “Luz Vivente” agora recebia sua fiel serva na glória eterna.

 


Referências bibliográficas

 

  • Butcher, Carmen Acevedo. Hildegard of Bingen: A Spiritual Reader. Brewster, MA: Paraclete Press, 2007.
  • Bingen, Hildegarda de. Scivias: (Scito Vias Domini): Conhece os caminhos do Senhor. São Paulo: Paulus Editora, 2017.
  • Baird, Joseph L.; Ehrman, Radd K. (eds.). The Letters of Hildegard of Bingen, Volume I. Oxford: Oxford University Press, 1994.
  • Kienzle, Beverly Mayne. Hildegard of Bingen and Her Gospel Homilies: Speaking New Mysteries. Turnhout: Brepols, 2009.
  • Kienzle, Beverly Mayne. Homilies on the Gospels. Collegeville: Liturgical Press, 2011.

 

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