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Santo do Dia

18 de setembro de 2026

São José de Cupertino
18 de setembro

São José de Cupertino

1603–1663

São José de Cupertino foi religioso franciscano conventual, sacerdote e místico italiano, conhecido por sua profunda humildade, intensa vida de oração e pelos extraordinários fenômenos místicos associados à sua vida, especialmente os êxtases e levitações. Apesar das grandes dificuldades que encontrou nos estudos, chegou ao sacerdócio e tornou-se um dos santos mais populares da espiritualidade franciscana. É venerado como padroeiro dos estudantes e daqueles que se preparam para exames.

 

José Maria Desa nasceu em Cupertino, na Apúlia, em 17 de junho de 1603. Sua família vivia em condições modestas e enfrentou grandes dificuldades. Seu pai, Felice Desa, morreu antes de seu nascimento, deixando a família em uma situação ainda mais difícil. Sua mãe, Franceschina Panaca, era uma mulher de caráter forte e profundamente religiosa, que procurou educar o filho na fé.

Desde pequeno, José demonstrava uma inclinação extraordinária para a oração. Tinha grande devoção à Santíssima Virgem e aos mistérios da vida de Cristo. Entretanto, sua infância e juventude foram marcadas por problemas de saúde e por dificuldades que pareciam tornar impossível qualquer futuro promissor.

Durante algum tempo, trabalhou como aprendiz de sapateiro. Desejando consagrar-se inteiramente a Deus, tentou ingressar entre os Frades Menores Conventuais, mas encontrou dificuldades para ser aceito. Sua formação intelectual era muito limitada, e ele tinha enorme dificuldade para estudar.

Chegou inclusive a ser afastado da comunidade religiosa por não conseguir desempenhar adequadamente algumas das tarefas que lhe eram confiadas. Humilhado e sem saber para onde ir, voltou-se inteiramente para Deus.

Foi então acolhido pelos Frades Menores Conventuais do convento de Grottella, inicialmente para exercer funções humildes. Ali começou a desempenhar serviços simples, cuidando da comunidade e realizando trabalhos que não exigiam grande formação intelectual. Sua humildade, obediência e vida de oração, porém, chamaram a atenção dos religiosos.

 

O caminho inesperado até o sacerdócio

 

José desejava tornar-se sacerdote, mas parecia incapaz de superar as exigências intelectuais necessárias. Estudava com enorme esforço e, segundo a tradição de sua vida, frequentemente encontrava dificuldade até mesmo para compreender os assuntos mais elementares.

Mesmo assim, seus superiores perceberam nele uma profunda sabedoria espiritual. Foi admitido aos estudos necessários e recebeu a ordenação sacerdotal em 1628.

A partir desse momento, sua vida tornou-se ainda mais intensa. A celebração da Santa Missa e a adoração diante do Santíssimo Sacramento ocupavam um lugar central em sua existência. O Papa São João Paulo II destacou que a Missa estava no centro de cada dia de São José de Cupertino, seguida de longas horas de adoração diante do sacrário.

José possuía uma particular devoção ao mistério da Encarnação. Contemplava com grande ternura o Menino Jesus e meditava profundamente sobre a Paixão de Cristo. Sua espiritualidade era essencialmente franciscana: simplicidade, pobreza, penitência, amor à Eucaristia, devoção à Virgem Maria e abandono completo à vontade de Deus.

Embora tivesse pouca instrução literária, quando falava de Deus sua maneira de se expressar mudava completamente. Pessoas simples e também pessoas instruídas procuravam ouvi-lo, atraídas pela profundidade de sua experiência espiritual.

 

Os êxtases e o “Santo dos Voos”

 

Foi sobretudo pelos fenômenos místicos que São José de Cupertino se tornou conhecido. Durante a oração, especialmente quando contemplava os mistérios de Cristo, da Virgem Maria ou de algum aspecto da vida espiritual, entrava algumas vezes em profundo êxtase.

Os testemunhos de seus contemporâneos relatam episódios em que, durante esses estados de êxtase, seu corpo teria se elevado do chão. Por causa desses acontecimentos, tornou-se conhecido popularmente como o “Santo dos Voos”.

Esses fenômenos, entretanto, nunca constituíram o centro de sua espiritualidade. Para José, a verdadeira união com Deus não estava nos fenômenos extraordinários, mas na entrega humilde e obediente à vontade divina.

Os acontecimentos extraordinários chegaram a provocar desconfiança e preocupação entre as autoridades eclesiásticas. São José foi submetido a exames e interrogatórios e, durante determinados períodos, recebeu ordens para permanecer afastado do contato com grandes multidões.

Foi transferido de um convento para outro e viveu longos períodos de isolamento. Aceitou essas mudanças sem revolta, vendo na obediência uma maneira de participar da Cruz de Cristo.

O próprio São José não procurava os fenômenos místicos. Pelo contrário, segundo seus biógrafos, procurava esconder tudo aquilo que pudesse alimentar a curiosidade das pessoas. Sua atitude diante das graças extraordinárias era de humildade e temor diante de Deus.

 

Humildade, Eucaristia e devoção a Nossa Senhora

 

A grandeza de São José de Cupertino não estava nos êxtases, mas na maneira como viveu as virtudes cristãs.

Era profundamente obediente aos seus superiores e aceitava com simplicidade as mudanças e humilhações que lhe eram impostas. Sua vida foi marcada por um constante desapego de si mesmo.

Tinha também uma extraordinária devoção à Eucaristia. Para ele, a Missa era o centro da vida espiritual, e diante do sacrário permanecia longamente em oração. A presença de Cristo na Eucaristia despertava nele profundo amor e reverência.

Sua devoção à Santíssima Virgem era igualmente intensa. Considerava Maria sua Mãe e recorria a ela com confiança filial. Nos últimos anos de sua vida, quando estava em Ósimo, voltava frequentemente o olhar para o Santuário de Loreto, um dos grandes centros marianos da Itália.

São José também tinha grande amor pela Cruz. Contemplava os sofrimentos de Cristo e chorava ao meditar sobre a Paixão. Para ele, o pecado humano não podia ser contemplado sem recordar o amor infinito de Jesus que se entregou pela salvação dos homens.

Sua alegria, porém, era profundamente franciscana. Apesar das provações, era capaz de transmitir serenidade e alegria às pessoas que o procuravam. A santidade, nele, não aparecia apenas como austeridade, mas também como uma profunda alegria nascida da intimidade com Deus.

 

Os últimos anos em Ósimo e sua glorificação

 

Depois de anos de deslocamentos e provações, São José de Cupertino foi enviado para o convento de Ósimo, onde passou os últimos anos de sua vida. Ali encontrou um período de maior recolhimento e preparação para a eternidade.

Sua saúde começou a enfraquecer e, sentindo aproximar-se o fim, preparou-se para a morte com a mesma simplicidade com que havia vivido. Permaneceu unido à oração, à Eucaristia e à Virgem Maria.

Morreu em Ósimo, em 18 de setembro de 1663, aos 60 anos.

Sua fama de santidade espalhou-se rapidamente. Foi beatificado pelo Papa Bento XIV em 1753 e canonizado pelo Papa Clemente XIII em 16 de julho de 1767.

A Igreja reconheceu nele não apenas o místico dos êxtases, mas sobretudo um religioso que viveu profundamente as virtudes da humildade, obediência, pobreza, oração e amor a Cristo.

São José de Cupertino tornou-se especialmente querido pelos estudantes. Sua própria dificuldade diante dos estudos tornou-se uma mensagem de esperança para aqueles que enfrentam limitações, provas e inseguranças. Ele recorda que o valor de uma pessoa diante de Deus não depende de seus talentos naturais, de sua inteligência ou de seus sucessos humanos, mas da abertura do coração à graça.

Por isso, São José de Cupertino continua sendo invocado por estudantes e por todos aqueles que enfrentam momentos de dificuldade. Sua vida mostra que Deus pode realizar grandes coisas através daqueles que, aos olhos do mundo, parecem pequenos e incapazes.

Nele se manifesta aquilo que São Paulo escreveu: “Deus escolheu o que é fraco no mundo para confundir os fortes.” A santidade de José de Cupertino foi justamente a santidade de um homem que nada quis atribuir a si mesmo, entregando inteiramente a Deus aquilo que tinha e aquilo que não tinha.

 

Referências bibliográficas

 

JOÃO PAULO II. Mensagem aos Frades Menores Conventuais por ocasião do IV Centenário do nascimento de São José de Cupertino. Vaticano, 17 de março de 2003.

JOÃO PAULO II. Discurso aos peregrinos reunidos em Roma por ocasião do IV Centenário do nascimento de São José de Cupertino. Vaticano, 25 de outubro de 2003.

PAULO VI. Carta aos Frades Menores Conventuais por ocasião do III Centenário da morte de São José de Cupertino. Vaticano, 27 de junho de 1963.

BARTOLOMEO DA GUBBIO. Vita del beato Giuseppe da Copertino. Século XVII.

DA CARMIGNANO, Francesco. Vita del beato Giuseppe da Copertino. Roma, 1753.

MONTANARI, Raffaele. San Giuseppe da Copertino: il santo dei voli. Osimo: Edizioni Francescane.

ORDINE DEI FRATI MINORI CONVENTUALI. San Giuseppe da Copertino. Documentação histórica e biográfica da Ordem.

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