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São Vicente Ferrer

São Vicente Ferrer

1350-1419
Conhecido como o "Anjo do Apocalipse", São Vicente Ferrer foi o maior pregador da Reforma Católica medieval. Sua santidade é marcada por um zelo apostólico incansável, percorrendo a Europa para converter multidões através do chamado ao arrependimento e à preparação para o Juízo Final.
A Igreja o venera pelo dom da taumaturgia (milagres em vida) e pela profunda humildade, recusando dignidades eclesiásticas para viver como missionário dominicano. Foi o místico da unidade da Igreja, dedicando sua oração e pregação para sanar as divisões do corpo místico de Cristo.
Leia a biografia completa aqui ↓

Frases de São Vicente Ferrer

"Vá depressa confessar a falta que você não ousou confessar até agora, e o inimigo não terá mais poder sobre você."
(FAGES, Pierre-Henri. Histoire de Saint Vincent Ferrier: Apôtre de l'Europe (Tome Second). Paris: Maison de la Bonne Presse, 1894.)
"A vaidade vai e vem, voa ao redor, mas pela graça de Deus ela não entra no coração."
(FAGES, Pierre-Henri. Histoire de Saint Vincent Ferrier: Apôtre de l'Europe (Tome Second). Paris: Maison de la Bonne Presse, 1894.)
"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua alma pelos seus amigos; não há amigo tão bom como Cristo."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"A humildade é o conhecimento veríssimo do próprio defeito."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"A castidade se conserva com três coisas: no coração, não desejando o mal; na boca, não o falando; e no corpo, não o operando."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"O religioso não deve celebrar em pecado mortal, ainda que por obediência injunta por seu superior; deve antes sofrer a prisão ou mesmo a morte."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"Assim como do alimento veio todo o mal, assim do alimento veio todo o bem, que todos devemos adorar naquela pequena hóstia."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"As orações humildes e devotas são flechas que penetram o céu e sobem até Cristo."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"Nenhuma criatura, por melhor que seja, pode salvar-se sem a misericórdia de Deus."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"Agora é o tempo de quebrar as correntes do diabo e caminhar para a casa de Deus pela graça e as boas obras."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"Corrigir os que erram com doçura e caridade, consolar os tristes e suportar os tediosos é melhor do que as obras de misericórdia corporais."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"Confiar na misericórdia de Deus sem fazer penitência é uma estultícia."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"No fim da vida haverá o resfriamento total da caridade de Deus e de Cristo por causa da abundância da iniquidade."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"No julgamento, Cristo mostrará suas feridas e perguntará aos pecadores: Eis o que eu fiz por ti; o que fizeste tu por mim?"
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"O verdadeiro arrependimento consiste em ter dor no coração, confessar com a boca e satisfazer com o corpo as faltas cometidas."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"A alma de quem mente está em putrefação, e nenhuma palavra má deve sair da boca dos que ouvem a verdade."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)
"A Eucaristia deve ser recebida com o máximo de fé, acreditando que nela está Cristo inteiro, Deus e homem."
(FAGES, Pierre-Henri. Oeuvres de Saint Vincent Ferrier: Sermons Panégyriques (Tome Second). Paris: Librairie A. Picard et Fils, 1909.)

Biografia de São Vicente Ferrer

Madrugada de Santidade em Valência

 

São Vicente nasceu na cidade de Valência, na Espanha, em meados do século XIV (por volta de 1350), fruto do matrimônio cristão entre Guilherme Ferrer e Constância Miguel. Relatos hagiográficos contam que a sua virtude taumatúrgica manifestou-se antes mesmo de seu nascimento, quando sua mãe sentiu sinais proféticos de sua futura grandeza. Desde a tenra infância, Vicente demonstrou uma maturidade que superava sua idade, dedicando-se à oração e ao estudo das letras com uma alma inflamada pela devoção à Virgem Maria.

Aos dezoito anos, renunciando às vaidades do mundo e às promessas de uma vida secular brilhante, ele vestiu o hábito branco e o escapulário da Ordem dos Pregadores (Dominicanos). Sua inteligência e piedade logo o destacaram, tornando-se mestre em teologia e professor em universidades prestigiadas como Lérida e Valência, onde sua sabedoria era vista como um dom direto do Espírito Santo.

 

O Luzeiro na Tempestade do Cisma

 

A vida de São Vicente não foi apenas de reclusão, mas de uma profunda atuação na Igreja e na sociedade. Ele foi confessor e conselheiro do Papa Bento XIII (Pedro de Luna), em um período em que a túnica inconsútil de Cristo estava rasgada pelo Grande Cisma do Ocidente. Sua busca pela unidade da Igreja levou-o a agir com firmeza e caridade, buscando sempre a paz entre príncipes e prelados.

Em 1412, sua autoridade moral foi o eixo do Compromisso de Caspe, onde atuou como um dos nove juízes encarregados de eleger o sucessor do trono de Aragão. Sua decisão em favor de Fernando de Antequera trouxe estabilidade à sua pátria, sendo Vicente visto como um “arco-íris da paz” para uma nação afligida por discórdias. Mais tarde, demonstrando sua lealdade suprema à Igreja, ele não hesitou em aconselhar o abandono da obediência a Bento XIII quando este se tornou um obstáculo à unificação da cristandade sob o Papa Martinho V.

 

O Apóstolo Incansável: Uma Vida de Austeridade

 

Investido de uma missão extraordinária, Vicente percorreu a pé (e mais tarde em um pequeno burro, devido a uma ferida na perna) as terras da Espanha, França, Itália, Suíça e Holanda. Sua rotina era um hino de mortificação: jejuava diariamente, fazia apenas uma refeição (sem carne), dormia pouquíssimas horas sobre um tapete ou palha, tendo uma pedra ou sua Bíblia por travesseiro.

Sua pregação era acompanhada por uma comitiva de milhares de penitentes. Vicente instituía procissões de flagelantes e trabalhava na conversão de massas de judeus e mouros, resultando em batismos em massa registrados em cidades como Alcaniz e Tortosa. Ele exortava o mundo à penitência com o grito de “Temei a Deus e dai-lhe honra, pois é chegada a hora do seu julgamento”, o que lhe valeu o título de “Anjo do Apocalipse”.

 

O Mistério das Línguas e o Poder sobre a Natureza

 

Deus confirmava a palavra de Seu servo com prodígios contínuos. O fenômeno mais assombroso era o dom das línguas: embora pregasse em sua língua materna (valenciano) ou latim, pessoas de todas as nacionalidades — franceses, italianos, gregos e alemães — compreendiam cada palavra como se ele falasse em seus próprios idiomas. Além disso, sua voz, mesmo na velhice, possuía uma vibração poderosa que alcançava multidões de até setenta mil pessoas em espaços abertos.

São Vicente exercia um império absoluto sobre os elementos. Relata-se que ele dissipava tempestades de granizo, ordenava que as águas fluíssem de fontes secas e, em momentos de calor insuportável para seus ouvintes, invocava nuvens que faziam sombra apenas sobre a assembleia. Milagres de cura eram cotidianos: cegos recuperavam a visão, surdos a audição e paralíticos voltavam a caminhar sob o simples sinal da cruz feito pelo Santo.

 

Triunfos sobre a Morte

 

A virtude taumatúrgica de Vicente atingia o ápice na ressurreição de mortos. Um dos episódios mais célebres ocorreu em Morella, onde uma mãe, em um acesso de delírio, matou seu próprio filho e o preparou como alimento para o Santo. Vicente, percebendo a tragédia, orou com fervor e, diante dos olhos atônitos dos presentes, os membros da criança se uniram e a vida voltou ao seu corpo. Em Lérida e em muitas outras cidades, registros do processo de canonização documentam mortos que se levantaram de seus caixões ao toque da mão do pregador ou à sua oração.

 

O Ocaso na Bretanha e a Glória Eterna

 

Já perto do fim de seus dias, Vicente teve uma visão de Nosso Senhor e de São Domingos, que lhe asseguraram sua salvação e o local de sua morte. Em suas viagens finais pela França, encontrou-se com Santa Colette, que profetizou que ele morreria em menos de dois anos em solo francês.

Vicente chegou a Vannes, na Bretanha, exausto por décadas de apostolado. Sentindo que sua hora se aproximava, tentou partir para Valência, mas os ventos e a vontade divina o trouxeram de volta à cidade francesa. “Hic est requies mea” (Este é o meu repouso), exclamou ele ao entrar. Morreu suavemente em 5 de abril de 1419, aos 69 anos. No momento de sua partida, uma multidão de borboletas brancas e perfumadas invadiu seu quarto, voando em direção ao céu para sinalizar a subida de sua alma ao paraíso.

O Papa Calixto III, que quando criança recebeu de Vicente a profecia de que seria Papa e o canonizaria, cumpriu a promessa em 1455. Hoje, o corpo de São Vicente Ferrer repousa na Catedral de Vannes, enquanto seu espírito continua a ser invocado como o protetor contra a peste, o erro e os flagelos, brilhando no céu da Igreja como um astro de luz inextinguível.


Referências bibliográficas

 

  • FAGES, Pierre-Henri. Histoire de Saint Vincent Ferrier: Apôtre de l’Europe. Paris: Maison de la Bonne Presse, 1894.
  • FERRIER, Vincent (Saint). Sermones. Manuscritos de Valência, Toulouse e Pisa (Canevas autógrafos e transcrições de discípulos).
  • Procès de Canonisation de Saint Vincent Ferrier. Registros de Nápoles, Bretanha e Toulouse (1453-1454)
  • BULLA CANONIZATIONIS. Papa Calixto III, 29 de junho de 1455.
  • TEYXIDOR. Notitias de San Vicente Ferrer. Manuscrito sobre as missões em Maiorca.

 

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