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São Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino

1225-1274
São Tomás de Aquino nasceu em 1225 em Roccasecca. Educado em Monte Cassino e Nápoles, tornou-se dominicano em 1244, apesar da oposição familiar. Estudou com Alberto Magno em Colônia e tornou-se mestre em teologia em 1256. Sua monumental obra, a Suma Teológica, harmonizou a fé cristã com a razão aristotélica. Faleceu em 1274 na Abadia de Fossanova e foi canonizado em 1323.
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Frases de São Tomás de Aquino

"Se alguém deseja alcançar a glória da eternidade, deve estudar para ser uma criança – ser puro em três coisas. Primeiramente, no coração... em segundo lugar, na boca... em terceiro lugar, em ação."
(Vaughan, Roger Bede. The Life and Labours of S. Thomas of Aquin. Vol. I. Londres: Longmans & Co.; Hereford: James Hull, 1871, p. 448)
"Que proveitosa provisão de viagem temos neste alimento (a Eucaristia) para a nossa precária peregrinação!"
(William of Tocco. The Life of St. Thomas Aquinas (1323). Traduzido por David M. Foley. Saint Marys, KS: Angelus Press, 2023, p. 192)
"Os erros dos ditos hereges [isto é, aqueles que mantêm a reencarnação] podem ser destruídos a partir disto: Pois a ressurreição não pode ser falada a menos que a alma retorne ao mesmo corpo, porque a ressurreição é ressuscitar; pertence à mesma coisa, no entanto, ressuscitar e cair."
(Tomás de Aquino, Santo. Compêndio de Teologia. Tradução de Carlos Nougué. Porto Alegre: Editora Concreta, 2015, Livro I, Capítulo 153)
"Nada te torna tão semelhante a Deus como perdoar quem te feriu."
(Tomás de Aquino, Santo. As Virtudes Morais: Questões Disputadas sobre a Virtude. Tradução de Paulo Faitanin e Bernardo Veiga. Campinas: Ecclesiae, 2012, Questão 5, Artigo 2)
"Assim como o alimento corporal é tomado todos os dias, assim é bom receber este sacramento (a Eucaristia) todos os dias. Por isso, nosso Senhor (Lc 11:3) nos ensina a orar: "Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia"."
(Tomás de Aquino, Santo. O Pai Nosso e a Ave Maria. Rio de Janeiro: Edição Eletrônica Permanência, 2003, n. 62)
"E, portanto, para que o sacramento pudesse ser tido em veneração ainda maior, foi em Sua última despedida dos Apóstolos que Nosso Senhor o instituiu (A Eucaristia)."
(Tomás de Aquino, Santo. Meditations For Lent. Editado por Philip J. Prime. Londres: Burns Oates & Washbourne, Ltd., 1920, p. 135)
"Este sacramento (A Eucaristia) é o maior milagre que Ele jamais realizou, e a única alegria poderosa daqueles que agora têm tristeza, até que Ele volte, e seus corações se alegrarão, e ninguém lhes tirará a alegria."
(Vaughan, Roger Bede. The Life and Labours of S. Thomas of Aquin. Vol. I. Londres: Longmans & Co.; Hereford: James Hull, 1871, p. 582-583)
"Cristo desceu ao inferno para nossa salvação, e devemos ser cuidadosos em descer ali frequentemente também, revolvendo em nossas mentes a dor e as penas do inferno... Aqueles que em sua meditação frequentemente descendem ao inferno durante a vida, não descerrão para lá facilmente na morte."
(Tomás de Aquino, Santo. El Credo. Tradução de Salvador Abascal. Cidade do México: Tradición, 1979, Artigo 5, n. 85)
"Concede-me, eu te suplico, ó Deus misericordioso, ardentemente desejar, estudar prudente­mente, entender corretamente e cumprir perfeitamente aquilo que Te é agradável — para o louvor e a glória do Teu Nome."
(Vaughan, Roger Bede. The Life and Labours of S. Thomas of Aquin. Vol. I. Londres: Longmans & Co.; Hereford: James Hull, 1871, p. 460)
"Todo prazer acalma a dor, e, portanto, a contemplação da verdade a acalma, e o faz mais, quanto mais perfeitamente alguém é amante da sabedoria."
(Tomás de Aquino, Santo. Aquinas Ethicus: Or, The Moral Teaching of St. Thomas. Traduzido por Joseph Rickaby, S.J., Vol. I. Nova York: Benziger Brothers, 1896, p. 125)
"Não importa qual ansiedade nos sobrevenha, temos um remédio na cruz."
(Tomás de Aquino, Santo. Meditations For Lent. Editado por Philip J. Prime. Londres: Burns Oates & Washbourne, Ltd., 1920, p. 27)

Biografia de São Tomás de Aquino

 

No vasto firmamento da santidade cristã, poucos astros brilham com a intensidade e a clareza de São Tomás de Aquino. Nascido por volta de 1225 no castelo de Roccasecca, na região de Aquino, ele foi o fruto de uma linhagem de nobres condes ligados às casas imperiais da Europa. Contudo, sua verdadeira grandeza não residia no sangue, mas na predestinação divina que acompanhou seus primeiros passos na terra. Antes mesmo de seu nascimento, sua mãe, a condessa Teodora, recebeu a visita de um eremita santo chamado Buono, que profetizou que o filho em seu ventre se tornaria um frade da Ordem dos Pregadores e que sua doutrina iluminaria o mundo inteiro, ultrapassando qualquer sabedoria humana conhecida.

 

Sinais e Maravilhas da Infância

 

A infância de Tomás foi marcada por prodígios que anunciavam sua proteção celestial. Enquanto ainda era um bebê, um raio atravessou a torre do castelo onde ele dormia, matando instantaneamente sua irmãzinha e alguns animais que estavam no estábulo, mas deixando o pequeno Tomás ileso nos braços de sua ama. Esse evento incutiu nele um temor reverencial que o acompanhou por toda a vida, levando-o a sempre buscar abrigo sob o sinal da cruz. Outro sinal notável ocorreu durante um passeio às termas de Nápoles: o bebê agarrou um pequeno pedaço de pergaminho que encontrou no chão. Quando sua mãe conseguiu abrir sua mãozinha, descobriu que no papel estavam escritas as palavras da Saudação Angélica, Ave Maria. Tomás, em um gesto que prefigurava sua futura devoção à Verdade, colocou o pergaminho na boca e o engoliu, como o profeta Ezequiel que consumira o rolo da lei.

Aos cinco anos, foi enviado como oblato à Abadia de Monte Cassino. Lá, enquanto outras crianças se perdiam em brincadeiras, o jovem Tomás era encontrado meditando silenciosamente nos corredores. Sua alma era assaltada por uma sede insaciável de conhecimento divino, e ele frequentemente assombrava os monges com a pergunta fundamental que daria direção a toda a sua vida: O que é Deus? Essa busca por Deus através da razão e da fé tornou-se o eixo central de sua existência.

 

O Combate da Vocação e o Cinturão dos Anjos

 

Após seus estudos iniciais, Tomás seguiu para a Universidade de Nápoles, onde conheceu os frades da recém-fundada Ordem de São Domingos. Atraído pela pobreza evangélica e pelo ideal de pregar a verdade, ele decidiu tomar o hábito dominicano em 1244. Tal decisão foi um golpe para as ambições de sua família, que desejava vê-lo como um abade mitrado e influente em Monte Cassino. Para impedi-lo, seus irmãos, que serviam como soldados imperiais, sequestraram-no durante uma viagem para Paris e o mantiveram prisioneiro por cerca de dois anos nos castelos da família.

Foi nesse cativeiro que a santidade de Tomás foi provada pelo fogo. Seus irmãos, em uma tentativa cruel de quebrar sua vontade, introduziram uma cortesã em seu quarto para tentá-lo ao pecado. Com uma fortaleza sobrenatural, Tomás agarrou um tição em chamas da lareira e expulsou a mulher, traçando em seguida o sinal da cruz na porta do quarto com a ponta carbonizada. Exausto pela batalha espiritual, ele caiu em sono profundo e teve uma visão celestial: dois anjos desceram do céu e cingiram-no com um cordão branco, símbolo da castidade perpétua concedida por Deus. O aperto do cinturão foi tão real que o santo soltou um grito de dor ao despertar. Desde aquele dia, ele nunca mais sentiu qualquer movimento da carne, vivendo com a pureza de um anjo.

 

O Boi Mudo e a Sabedoria Infusa

 

Uma vez libertado, Tomás seguiu para Colônia e Paris sob a tutela de Santo Alberto Magno. Por sua constituição física robusta e seu silêncio humilde, os outros estudantes apelidaram-no de Boi Mudo. Alberto Magno, contudo, reconhecendo o gênio profundo de seu discípulo, proferiu a famosa profecia: Vós o chamais de boi mudo, mas eu vos digo que ele dará um tal mugido na doutrina que ecoará por todo o mundo. A ciência de Tomás não era apenas fruto do estudo, mas da oração constante e das lágrimas. Seu companheiro, Frei Reginaldo, testemunhou que Tomás nunca se punha a escrever ou ditar sem antes ter rezado intensamente diante do tabernáculo.

Muitas vezes, São Tomás era visto em levitação e êxtase. Durante sua estada em Paris, enquanto escrevia sobre o mistério da Eucaristia, os mestres da universidade, incapazes de resolver uma disputa sobre a natureza dos acidentes do pão, recorreram a ele. Tomás colocou seu tratado no altar e orou com fervor. Naquele momento, o próprio Jesus Cristo apareceu sobre o manuscrito e disse: Thomas, escreveste bem sobre este sacramento de meu corpo. Em outra ocasião, diante do crucifixo em Nápoles, a voz do Salvador ecoou pela igreja: Escreveste bem de mim, Tomás. Que recompensa desejas? E a resposta do santo foi a síntese de sua alma: Nada além de Ti, Senhor.

 

Diálogos com o Mundo Invisível

 

A vida de São Tomás era pontuada por comunicações diretas com o além. Ele conversava com os santos e com as almas do purgatório. Em Paris, sua irmã Marietta apareceu-lhe após a morte para pedir orações e, posteriormente, voltou para anunciar que já estava no céu. Ele também teve um encontro místico com Frei Romano, que falecera pouco antes. Tomás perguntou ao amigo se os hábitos da ciência adquiridos na terra permaneciam na visão beatífica, e Romano respondeu que via a Deus face a face e que isso era suficiente.

Um dos milagres mais sublimes ocorreu quando Tomás lutava para entender uma passagem obscura do profeta Isaías. Ele jejuou e orou por muitos dias até que, durante a noite, Frei Reginaldo ouviu vozes em sua cela. Eram os Apóstolos Pedro e Paulo, que desceram do céu para explicar ao Doutor Angélico o sentido profundo das Escrituras. Tomás apenas revelou o segredo ao seu secretário sob juramento de silêncio, pois sua humildade era tão profunda quanto seu conhecimento.

 

O Mistério do Silêncio e o Trânsito para a Eternidade

 

No dia 6 de dezembro de 1273, enquanto celebrava a missa na capela de São Nicolau em Nápoles, Tomás teve uma visão tão avassaladora que suspendeu todos os seus instrumentos de escrita. Tudo o que escrevi, disse ele a Reginaldo, parece-me palha comparado ao que vi e me foi revelado. Ele deixou a Summa Theologiae inacabada, pois sua mente agora habitava as regiões da glória eterna.

Convocado pelo Papa Gregório X para o Concílio de Lyon, Tomás partiu mesmo debilitado. No caminho, sentindo que sua hora havia chegado, pediu para ser levado à Abadia de Fossa Nuova. Ao entrar no mosteiro, exclamou as palavras do salmo: Este é o meu repouso para sempre, aqui habitarei, pois eu o escolhi. Em seu leito de morte, a pedido dos monges, ainda comentou o Cântico dos Cânticos, unindo a ciência teológica ao amor místico final. Recebeu o Viático com uma profissão de fé heroica e lágrimas abundantes, entregando sua alma a Deus na madrugada de 7 de março de 1274. No momento de sua partida, uma estrela radiante foi vista pairando sobre a abadia, e milagres de cura, incluindo a restituição da visão ao subprior blind, ocorreram instantaneamente ao contato com seu corpo sagrado, que exalava um perfume celestial de rosas.

 

Referências bibliográficas

 

 

  • Chesterton, G. K. Saint Thomas Aquinas: The Dumb Ox. Nova York: Image Books, 1956.
  • Conway, Placid. Saint Thomas Aquinas of the Order of Preachers (1225-1274). Londres: Longmans, Green and Co., 1911.
  • Gilson, Étienne. The Philosophy of St. Thomas Aquinas. Cambridge: W. Heffer & Sons, 1924.
  • Kennedy, D. J. Saint Thomas Aquinas and Medieval Philosophy. Nova York: The Encyclopedia Press, 1919.
  • McInerny, Ralph. Selected Writings of Thomas Aquinas. Londres: Penguin Classics, 1999.
  • Moura, Odilão. Introdução à Suma Contra os Gentios. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, 1990.
  • Pegues, Thomas. The Catechism of the Summa Theologica of Saint Thomas Aquinas. Londres: Burns Oates & Washbourne Ltd., 1922.
  • Tocco, Guilelmus de. The Life of St. Thomas Aquinas (1323). Traduzido por David M. Foley. Saint Marys, KS: Angelus Press, 2023.
  • Vaughan, Roger Bede. The Life and Labours of S. Thomas of Aquin. Londres: Longmans & Co., 1871.

 

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