São Francisco de Assis
1181-1226Frases de São Francisco de Assis
Biografia de São Francisco de Assis
Juventude e as Primeiras Sementes da Graça
Francisco nasceu na cidade de Assis, filho de um rico comerciante, e viveu sua juventude imerso nas vaidades do mundo. Educado para o fausto, destacava-se entre os jovens por sua elegância, prodigalidade e desejo de glória humana. Contudo, mesmo em sua dissipação, a bondade divina o preservava da avareza, preparando seu coração para uma efusão mais abundante de graça. Enquanto sonhava com glórias militares em expedições para a Apúlia, o Senhor começou a visitá-lo através de enfermidades e visões noturnas, que o faziam questionar o valor das honras terrenas.
A Conversão e o Mistério de São Damião
O ponto de inflexão de sua alma ocorreu no encontro com um leproso. O que antes lhe era amargo — o horror à doença — converteu-se em doçura de alma e corpo quando, inspirado por Deus, Francisco desceu do cavalo e beijou o enfermo. Pouco depois, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, que estava em ruínas, o Crucificado falou-lhe por três vezes: “Francisco, vai e restaura a minha casa. Vês que ela está em ruínas”.
Para abraçar totalmente sua vocação, Francisco protagonizou um dos atos mais heróicos da hagiografia: diante do bispo de Assis, despojou-se de todas as suas vestes, devolvendo-as ao pai terreno para declarar que, dali em diante, teria apenas o Pai Celeste. O bispo, admirado com tamanha coragem, cobriu sua nudez com o próprio manto, simbolizando a proteção da Igreja.
A Fundação da Ordem e a Regra do Evangelho
Vivendo como um mendigo e peregrino, Francisco restaurou três igrejas materiais, mas o Espírito Santo lhe revelou que sua missão era restaurar a própria Igreja de Cristo através da pobreza evangélica. Ao ouvir o Evangelho da missão dos discípulos, onde Cristo proibia o uso de ouro, prata ou cajado, Francisco exclamou: “Isto mesmo eu quero, isto anseio!”.
Logo, o Senhor lhe enviou os primeiros companheiros, como Bernardo de Quintavalle e Pedro Catani, que venderam tudo para seguir o Poverello. Por inspiração de Deus, Francisco nomeou sua fraternidade como Irmãos Menores, para que todos fossem submissos e buscassem sempre o último lugar. O Papa Inocêncio III, após ter uma visão de uma palmeira que crescia e de um homem humilde que sustentava a Basílica de Latrão em seus ombros, aprovou a forma de vida de Francisco.
Virtudes Angélicas e o Amor às Criaturas
São Francisco via em cada criatura um reflexo do Criador e chamava-as de irmãos e irmãs. É célebre o prodígio de sua pregação às aves em Bevagna, onde os pássaros esticavam os pescoços e abriam as asas para ouvir a palavra de Deus. Sua santidade era tal que as feras se tornavam mansas; em Greccio, ele domesticou a natureza e reviveu o mistério do Natal, onde um soldado piedoso viu o próprio Menino Jesus acordar nos braços de Francisco durante a missa. Francisco considerava a Pobreza sua esposa e a “Rainha das Virtudes”, pois ela brilhara no Rei dos Reis e em Sua Mãe Santíssima.
O Selo de Cristo: Os Sagrados Estigmas
Dois anos antes de sua morte, enquanto jejuava no Monte Alverne em honra de São Miguel, Francisco foi arrebatado por uma visão seráfica. Um Serafim de seis asas, brilhantes como fogo, apareceu-lhe, ocultando a figura de um homem crucificado. Ao desaparecer a visão, Francisco trazia em seu próprio corpo os sinais dos cravos nas mãos e pés, e a ferida no lado, tornando-se o primeiro homem a portar os estigmas de Cristo visivelmente. Este “grande sacramento” confirmou que o amante havia se transformado na própria imagem do Amado.
O Trânsito para a Glória e Milagres Póstumos
Apesar de sofrer com cegueira e graves dores, Francisco compôs o Cântico das Criaturas, louvando inclusive a “Irmã Morte Corporal”. No dia 3 de outubro de 1226, na Porciúncula, ele pediu para ser colocado nu sobre a terra para morrer em total conformidade com Cristo. No momento de sua partida, bandos de cotovias, amantes da luz, voaram em círculos sobre o telhado, cantando jubilosamente. Um discípulo viu sua alma subir ao céu como uma estrela de imenso fulgor.
Mesmo após a morte, os prodígios continuaram: cegos recuperaram a vista ao tocar seu túmulo, paralíticos andaram e até mortos foram ressuscitados por sua intercessão. São Francisco foi canonizado em 1228 pelo Papa Gregório IX, que ele mesmo, em vida, profetizara que se tornaria o “bispo de todo o mundo”.
Referências bibliográficas
- ASSIS, Francisco de. Escritos de S. Francisco. Tradução de Frei Armando Mota, OFM. Braga: Editorial Franciscana, [s.d.].
- BOAVENTURA, São. Legenda Maior: Vida de São Francisco de Assis. São Caetano do Sul: Santa Cruz Editora e Livraria, 2016.
- CELANO, Tomás de. Vida Primeira. In: Biografias II. Tradução de Frei José David Antunes, OFM. Braga: Editorial Franciscana, [s.d.].
- FRANCIS, of Assisi, Saint. St. Francis of Assisi: His Life and Writings as recorded by his contemporaries. Tradução de Leo Sherley-Price. New York: Harper & Brothers, 1959.
- NORTH, Wyatt. The Life and Prayers of Saint Francis of Assisi. Wyatt North Publishing, 2012.
- WOLF, Kenneth Baxter. The Poverty of Riches: St. Francis of Assisi Reconsidered. Oxford: Oxford University Press, 2003.
- ROBINSON, Paschal. The Writings of Saint Francis of Assisi. Philadelphia: The Dolphin Press, 1906.
- MASSERON, Alexandre. Memorable Words of Saint Francis of Assisi. Chicago: Franciscan Herald Press, 1963.