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São Luís Gonzaga

São Luís Gonzaga

1568-1591
São Luís Gonzaga nasceu nobre em Castiglione, mas aos sete anos entregou-se totalmente a Deus. Em Florença, fez voto de castidade e, após vencer a resistência paterna, ingressou na Companhia de Jesus em 1585. Destacou-se pela humildade angélica, penitência e oração profunda. Morreu aos 23 anos em Roma, vitimado pela peste após servir doentes com caridade heroica. É o padroeiro universal da juventude.
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Frases de São Luís Gonzaga

"Ó Deus, eu gostaria de saber amar a Deus com aquele fervor que merece uma tamanha Majestade; e meu coração chora que os cristãos Lhe mostrem tanta ingratidão."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Eu me perco e me confundo na consideração da bondade divina, pélago sem areia e sem fundo, a qual me chama a um eterno repouso por tão pequenas e breves fadigas."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Não deveis chorar como morto quem vai viver diante de Deus para vos ajudar com suas orações mais do que fazia aqui."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Se bem nos dá matéria de desolação ver-nos imperfeitos, deve-nos porém grandemente consolar considerar que, mesmo sendo imperfeitos, estamos escritos no livro de Deus."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Faze conta que pelo teu Anjo deves ser guiado como um cego, que não vendo os perigos do caminho, todo se entrega à providência daquele que com o bordão o guia."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Sou um ferro torto e vim para a religião para ser endireitado com o martelo das mortificações e penitências."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"É quase impossível que quem não é homem de oração e recolhimento chegue à perfeita vitória de si mesmo e a um grau eminente de santidade e perfeição."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Não encontro o mais evidente contrassinal de santidade de alguém do que quando o vejo padecer com boa consciência; isto é, vendo-o bom, e vendo que Deus lhe dá ocasião de padecer."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Uma das razões pelas quais escolhi a Companhia mais do que outra religião é esta: para fechar de todo a porta à ambição."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Digo isto porque agora tenho alguma probabilidade de estar em graça de Deus, mas não sei depois o que será no futuro, e por isso morreria de boa vontade."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Há muita dificuldade para um Senhor deste estado se salvar; não se pode servir a dois senhores, ao Mundo e a Deus; eu quero procurar assegurar a minha salvação, e vós fazei o mesmo."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Senhor Pai, eu me coloco todo em vossas mãos, fazei de mim o que vos agrada; mas eu vos protesto que sou chamado por Deus à Companhia de Jesus, e fazendo vós resistência a isto, a fazeis à vontade de Deus."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Pura e simples obediência a que somos obrigados perante Deus, oferecendo-lhe pronta e alegremente aquilo que é seu."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Ai dos seculares que diferem a penitência até à hora da morte e ai também dos Religiosos que dormiram até chegar essa mesma hora."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"A verdadeira penitência na alma nasce de uma grande dor de ter desprezado e ofendido a um Deus digno de todo amor."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Quem teme a Deus, fará o bem."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Se tu leres São Bernardo, que outra coisa te ensinaria senão que obedecesses?"
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Não sabeis a boa nova que me deram, de que vou morrer dentro de oito dias?"
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Oh, quanto devem ser grandes os contentamentos do Céu no gozo real, pois ao tratar disso aqui entre nós, tanto contento se prova!"
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"A estrada segura é caminhar segundo o conhecimento e luz da razão."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Deus Nosso Senhor me quer conceder mais perfeita saúde do que a podem dar os médicos."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Não sou mais que o Irmão Luiz da Companhia de Jesus."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Sinto um desejo extraordinário de trabalhar e servir a Deus, com tal ardor, que não me parece que Deus mo não daria, se não me houvesse de levar em breve desta vida."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Senhora e mãe, costumais dizer que gostaríeis de ter um filho religioso: creio que Deus vos fará esta mercê. E creio que serei eu."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)
"Acho muita facilidade em obedecer, porque faço a vontade de Deus, a quem considero summo favor e graça poder servir."
(CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.)

Biografia de São Luís Gonzaga

 

Nascimento e Predestinação de um Santo

 

São Luís de Gonzaga nasceu no castelo de Castiglione delle Stiviere, na Lombardia, em 9 de março de 1568, sob o pontificado de Pio V. Filho primogênito de Dom Ferrante Gonzaga, Príncipe do Império e Marquês de Castiglione, e de Dona Marta Tana Santena, sua linhagem era uma das mais ilustres da Europa. Sua vinda ao mundo foi marcada por sinais da Providência: após um parto tão difícil que pôs em risco a vida de mãe e filho, ele foi batizado em perigo de morte antes mesmo de nascer completamente. Desde o berço, parecia uma planta celeste cultivada em solo aristocrático; ao nascer, em vez de chorar como os demais recém-nascidos, soltou apenas um leve vagido e permaneceu em profunda quietude, sinal de sua futura mansidão.

 

A Aurora da Conversão e a Inocência Batismal

 

Embora seu pai desejasse vê-lo seguir a carreira das armas, chegando a levá-lo para acampamentos militares aos quatro anos e vestindo-o com uma armadura em miniatura, Luís sentia-se atraído por uma glória mais alta. Ele costumava chamar este período de “vida pecaminosa” por ter repetido palavras vulgares ouvidas dos soldados, sem lhes entender o sentido. Contudo, aos sete anos, idade em que a razão desponta, Luís experimentou o que chamava de sua conversão, entregando-se totalmente a Deus com um fervor extraordinário. É testemunho de seus confessores, incluindo o Cardeal Roberto Belarmino, que ele jamais cometeu um pecado mortal em toda a sua vida, preservando intacta a túnica da inocência batismal.

 

O Voto de Virgindade e a Flor da Pureza em Florença

 

Aos nove anos, na cidade de Florença — que ele chamava de “mãe de sua devoção” — Luís deu um passo decisivo rumo à santidade. Diante da imagem milagrosa da Santíssima Anunciada, movido por uma inspiração do alto, ele fez o voto de castidade perpétua. Sua pureza era tamanha que ele evitava olhar para o rosto de qualquer mulher, inclusive o de sua própria mãe, e mantinha tal modéstia que até o ato de ser vestido por seus camareiros o fazia corar de vergonha. Em um episódio notório, ao ser desafiado em um jogo de prendas a beijar a sombra de uma jovem na parede, ele retirou-se imediatamente, indignado com a leviandade do ato.

A Luta pela Vocação e a Vitória sobre o Mundo

 

A adolescência de Luís foi um campo de batalha entre a vontade de seu pai e o chamado divino. Enquanto vivia na corte de Filipe II da Espanha como pajem do Príncipe Diogo, Luís intensificou suas penitências: jejuava a pão e água, disciplinava-se até o sangue e colocava pedaços de madeira em sua cama para mortificar o sono. No dia da Assunção de 1583, após a comunhão, ouviu uma voz clara que lhe ordenava entrar na Companhia de Jesus. Seu pai, Dom Ferrante, reagiu com fúria terrível, chegando a ameaçá-lo com açoites, ao que o santo respondeu com doçura: “Que eu seria feliz se tivesse de sofrer alguma coisa por Deus”. Após anos de resistência, o Marquês cedeu ao ver o filho prostrado em oração e disciplinando-se diante de um crucifixo. Luís abdicou de seu marquesado e de todos os títulos em favor de seu irmão Rodolfo, exclamando com alegria: “Vou à procura da minha salvação, e vós fazei o mesmo”.

 

A Vida na Companhia de Jesus: Um Anjo no Claustro

 

Ao entrar no noviciado de Santo André, em Roma, Luís exclamou: “Este é o meu repouso para sempre; aqui habitarei, pois eu o escolhi”. Na Religião, ele se tornou um espelho de obediência e humildade, buscando os ofícios mais baixos, como limpar as teias de aranha e trabalhar na cozinha. Sua união com Deus era tão profunda que ele frequentemente entrava em êxtase durante a oração, perdendo a noção do tempo; em uma ocasião, uma contemplação que lhe pareceu durar poucos minutos ocupou quase a noite inteira. Ele era de tal forma senhor de seus pensamentos que não sofria distrações, mantendo o espírito perpetuamente fixo na Divina Majestade.

 

O Sacrifício Final e o Triunfo Celeste

 

Em 1591, uma terrível peste assolou Roma. Luís, movido por uma caridade ardente, obteve permissão para servir aos doentes no hospital da Consolação. Ele carregava os moribundos nos ombros e lavava-lhes os pés, vendo em cada um a face de Cristo. Em março daquele ano, contraiu o mal que o levaria à morte. Sabendo por revelação divina que morreria na oitava do Corpus Christi, Luís foi tomado de um júbilo espiritual indescritível. No leito de morte, sussurrando o nome de Jesus e com os olhos fixos no crucifixo, ele expirou na noite de 20 para 21 de junho de 1591, aos 24 anos de idade.

 

Manifestações Sobrenaturais e Milagres

 

A santidade de Luís foi confirmada por inúmeros prodígios. Ainda criança, durante um exorcismo, o demônio foi constrangido a apontar para ele e gritar: “Vede este menino; ele irá ao céu e será glorioso”. Após sua morte, ele apareceu à sua mãe em uma esfera de luz para curá-la de uma enfermidade mortal. Santa Maria Madalena de’ Pazzi, em um êxtase em Florença, viu a glória de Luís no céu e exclamou que ele era um “mártir escondido” pelo rigor de sua vida interior. Inumeráveis curas de cegos, aleijados e enfermos de câncer foram registradas em seu túmulo e pela aplicação de suas relíquias, consolidando sua fama de poderoso intercessor junto ao trono de Deus.

 

Referências bibliográficas

 

  • CEPARI, Virgílio. Vida de S. Luiz de Gonzaga da Companhia de Jesus.
  • GONZAGA, São Luís de. Oeuvres complètes de Saint Louis de Gonzague. Edição Francesa.
  • HENDERSON, Silas. Saint Aloysius Gonzaga, S.J. With an Undivided Heart. San Francisco: Ignatius Press, 2017.
  • MARTINDALE, C. C. The Vocation of Aloysius Gonzaga. London: Sheed & Ward, 1945.

 

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