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São Camilo de Lellis

São Camilo de Lellis

1550-1614
São Camilo de Lellis foi o soldado convertido que transformou a própria experiência de sofrimento em uma missão de amor aos doentes, fundando uma ordem religiosa dedicada ao cuidado dos enfermos e ensinando que cada pessoa sofredora deve ser servida com a mesma ternura e reverência com que se serviria o próprio Cristo.
Leia a biografia completa aqui ↓

Frases de São Camilo de Lellis

"Mais coração nas mãos, meus irmãos, mais caridade."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 15, Page 126)
"Os enfermos são a pupila dos olhos de Deus e quem toca neles toca no próprio Deus."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 20, Page 184)
"Deus é tudo e o resto é nada."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 5, Page 145)
"Eu sou o maior pecador do mundo mas espero na bondade infinita de Deus."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 10, Page 85)
"Quem serve os doentes com amor serve ao próprio Jesus Cristo."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 8, Page 220)
"Morrer no serviço dos pobres é a maior felicidade que se pode desejar."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 11, Page 298)
"A cruz é o nosso guia e a nossa única esperança nesta vida."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 12, Page 102)
"O tempo é breve e a eternidade é infinita, por isso vivamos para Deus."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 13, Page 315)
"Confio inteiramente na misericórdia de Deus e nos méritos do sangue de Jesus."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 14, Page 345)
"Maria, minha mãe, não me abandoneis no momento da minha partida."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 14, Page 350)
"A caridade para com os necessitados é a escada mais segura para o paraíso."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 8, Page 232)
"É necessário sofrer com paciência todas as provações para alcançar a coroa."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 9, Page 250)
"A alma que ama verdadeiramente a Deus não teme a chegada da morte."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 12, Page 305)
"A eucaristia é o pão dos fortes e o verdadeiro consolo dos enfermos."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 24, Page 225)
"A obediência perfeita nos torna verdadeiros amigos de Deus."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 18, Page 160)
"Desejo gastar minha vida no serviço de Jesus nos seus membros sofredores."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 22, Page 205)
"O pecado é a única miséria real da qual devemos fugir constantemente."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 8, Page 70)
"O Senhor é o meu pastor e Nele deposito toda a minha confiança."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 14, Page 352)
"A pureza de coração é absolutamente necessária para podermos contemplar a Deus."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 19, Page 175)
"Devemos aceitar com alegria a vontade de Deus em todas as coisas."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 2, Chapter 5, Page 150)
"O silêncio é o guarda fiel do coração e da alma."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 19, Page 170)
"Pensemos que os anjos de Deus estão aqui presentes para ajudar os enfermos."
(FATHERS OF THE ORATORY. The Life of S. Camillus of Lellis. London: Richardson and Son, 1850, Volume 1, Chapter 21, Page 195)

Biografia de São Camilo de Lellis

São Camilo de Lellis nasceu em 25 de maio de 1550, em Bucchianico, no Reino de Nápoles (atual Itália). Era filho de João de Lélis, um militar que serviu à Coroa Espanhola, e de Camila Compelli, mulher profundamente religiosa que faleceu quando o menino ainda era pequeno.

Camilo cresceu em meio às dificuldades da vida militar e, desde cedo, desenvolveu um temperamento forte e impulsivo. Com quase dois metros de altura e grande vigor físico, seguiu os passos do pai, alistando-se no exército. Participou de campanhas militares e levou uma vida desordenada, marcada principalmente pelo vício do jogo, que o fez perder repetidas vezes todo o dinheiro que possuía.

Ao mesmo tempo, sofria com uma grave ferida em uma das pernas, provavelmente consequência de uma doença vascular. Essa chaga o acompanharia por quase toda a vida e seria um dos instrumentos de sua conversão.

A conversão

 

Depois de perder seus bens e abandonar a carreira militar, Camilo passou por um período de extrema pobreza.

Em 1575, enquanto trabalhava como servente na construção de um convento dos frades capuchinhos, ouviu uma pregação que transformou completamente sua vida.

Tomado por profundo arrependimento, decidiu abandonar definitivamente o pecado e dedicar-se inteiramente a Deus.

Tentou ingressar entre os Capuchinhos, mas a ferida permanente na perna impediu sua admissão.

Sem desanimar, compreendeu que Deus lhe reservava outra missão.

O chamado para servir os enfermos

 

Durante o tratamento de sua doença no Hospital de São Tiago, em Roma, Camilo testemunhou uma realidade dramática.

Os doentes eram frequentemente tratados com negligência, falta de higiene e pouca caridade. Muitos morriam praticamente abandonados.

Aquela situação o marcou profundamente.

Convencido de que Cristo estava presente em cada enfermo, começou a cuidar pessoalmente dos pacientes com dedicação extraordinária.

Sua maneira de servir era completamente diferente da prática comum da época.

Exigia limpeza, organização, respeito e, sobretudo, amor verdadeiro pelos doentes.

Costumava dizer que os enfermos deveriam ser atendidos “como uma mãe amorosa cuida do seu único filho doente”.

Fundação dos Camilianos

 

Percebendo que a Igreja precisava de homens preparados para esse apostolado, Camilo reuniu alguns companheiros.

Em 1582, fundou a Congregação dos Ministros dos Enfermos, mais tarde conhecida como Ordem Camiliana.

Os religiosos passaram a usar uma grande cruz vermelha sobre o hábito negro, símbolo que séculos depois inspiraria, em parte, o emblema adotado por organizações de assistência humanitária.

A missão da nova ordem era cuidar dos doentes nos hospitais, em suas casas e também nos campos de batalha, muitas vezes arriscando a própria vida durante epidemias.

Essa forma organizada de assistência representou uma verdadeira renovação da caridade hospitalar na Igreja.

Sacerdote e reformador da assistência aos doentes

 

Camilo foi ordenado sacerdote em 1584.

Como padre, dedicou-se completamente ao atendimento espiritual e corporal dos enfermos.

Percorria hospitais, confortava moribundos, administrava os sacramentos e incentivava seus religiosos a servirem sempre com alegria e delicadeza.

Também introduziu importantes melhorias práticas na assistência hospitalar.

Insistia na higiene dos ambientes, na troca frequente das roupas de cama, na alimentação adequada dos pacientes e na formação humana e espiritual daqueles que trabalhavam nos hospitais.

Por isso é considerado um dos grandes precursores da moderna enfermagem e da humanização do atendimento hospitalar.

Últimos anos

 

Mesmo sofrendo continuamente com sua enfermidade, Camilo jamais diminuiu o ritmo de trabalho.

Continuou visitando hospitais e orientando seus religiosos até os últimos dias de vida.

Faleceu em 14 de julho de 1614, em Roma.

Sua fama de santidade espalhou-se rapidamente.

Foi beatificado em 1742 pelo papa Bento XIV e canonizado em 1746.

Em 1886, Leão XIII declarou São Camilo patrono dos enfermos, dos hospitais e dos profissionais da saúde. Mais tarde, Pio XI confirmou-o também como patrono dos enfermeiros.

Legado espiritual

 

São Camilo de Lélis transformou para sempre a maneira como a Igreja compreende o cuidado dos doentes.

Sua vida mostrou que a assistência aos enfermos não consiste apenas em aliviar dores físicas, mas em reconhecer a dignidade de cada pessoa como imagem de Cristo.

Sua espiritualidade permanece viva em milhares de religiosos, religiosas e leigos que continuam sua missão em hospitais, clínicas, missões e centros de saúde espalhados pelo mundo.

Mais do que fundador de uma ordem religiosa, São Camilo foi um dos maiores testemunhos de misericórdia da história da Igreja, ensinando que servir os doentes é servir o próprio Senhor.

Referências bibliográficas

 

  1. CAMILO DE LÉLLIS. Escritos de São Camilo de Lélis (Cartas, Testamento Espiritual, Regras e Exortações). Diversas edições italianas pela Casa Generalícia dos Ministros dos Enfermos.
  2. VANTI, Mario. San Camillo de Lellis e i suoi Scritti. Roma: Casa Generalizia dei Ministri degli Infermi.
  3. PRONZATO, Alessandro. São Camilo de Lélis. São Paulo: Paulinas.
  4. BUTLER, Alban. The Lives of the Saints. New York: P. J. Kenedy & Sons, 1956.
  5. FARMER, David Hugh. The Oxford Dictionary of Saints. Oxford University Press, 2011.
  6. ATTWATER, Donald. The Penguin Dictionary of Saints. Penguin Books, 1993.
  7. Martyrologium Romanum. Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2004.
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