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Santo Agostinho

Santo Agostinho

354-430
Santo Agostinho nasceu em Tagaste em 354. Filho de Santa Mônica, seguiu o maniqueísmo e ensinou retórica antes de se converter em Milão no ano 386. Batizado por Santo Ambrósio, retornou à África para fundar mosteiros, tornando-se padre em 391 e bispo de Hipona em 396. Autor de Confissões e A Cidade de Deus, defendeu a fé contra heresias e sistematizou o pensamento cristão. Morreu em 430 durante o cerco dos vândalos em sua sede episcopal.
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Frases de Santo Agostinho

"Se julgas que não tens tribulações, ainda não começaste a ser cristão."
(AGOSTINHO, Santo. Comentário aos Salmos (Salmos 51-100). São Paulo: Paulus, 1997. (Coleção Patrística ; 9/2). Comentário ao Salmo 55, 4.)
"Não me atrevo a afirmar, mas tampouco a negar, que ressuscitarão os fetos abortados que hajam vivido no útero materno e nele morrido."
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: contra os pagãos, parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. Livro XXII, Capítulo 13, Página 531.)
"Fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro I, Capítulo 1, Página 33.)
"Que eu te busque, Senhor, invocando-te; e que eu te invoque, crendo em ti."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro I, Capítulo 1, Página 33.)
"Onde virá Deus em mim, o Deus que fez o céu e a terra?"
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro I, Capítulo 2, Página 34.)
"Minha alma é morada muito estreita para te receber: será alargada por ti, Senhor."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro I, Capítulo 5, Página 39.)
"Pois de ti, ó Deus, me vêm todos os bens, e do meu Deus toda a minha salvação!"
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro I, Capítulo 6, Página 40.)
"Tu, Senhor, que estás sempre vivo e em quem nada morre, pois és anterior ao começo dos séculos."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro I, Capítulo 6, Página 42.)
"Onde foi, eu te suplico, meu Deus, onde foi, meu Senhor, eu teu servo, onde e quando foi que estive inocente?"
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro I, Capítulo 7, Página 48.)
"Quero recordar as minhas torpezas passadas, as corrupções de minha alma, não porque as ame, ao contrário, para te amar, ó meu Deus."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro I, Capítulo 15, Página 63.)
"É por amor do teu amor que retorno ao passado, percorrendo os antigos caminhos dos meus graves erros."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro II, Capítulo 1, Página 83.)
"Também a amizade entre os homens torna-se querida pelo vínculo suave que une muitas almas numa só."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro II, Capítulo 1, Página 83.)
"Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro II, Capítulo 5, Página 98.)
"Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei!"
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro III, Capítulo 6, Página 137.)
"Quantas lágrimas verti, de profunda comoção, ao mavioso ressoar de teus hinos e cânticos em tua igreja!"
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro X, Capítulo 27, Página 469.)
"Felicidade é gozo da verdade, o que significa gozar de ti, que és a verdade."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro IX, Capítulo 6, Página 395.)
"Que tuas Escrituras sejam castas delícias para mim; que eu não me engane sobre elas, nem a outros engane com elas."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro IV, Capítulo 3, Página 163.)
"Infeliz o homem que conhece tudo isso e não te conhece. Feliz aquele que te conhece, ainda que ignore o resto."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro X, Capítulo 23, Página 463.)
"E ninguém deve sentir-se seguro nesta vida, pois toda ela se chama tentação."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro XI, Capítulo 2, Página 517.)
"Senhor meu Deus, a quem todos os dias a minha consciência se confessa."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro V, Capítulo 4, Página 209.)
"Sei perfeitamente que meço o tempo, mas não o futuro, porque ainda não existe; nem o presente porque não tem extensão."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro X, Capítulo 32, Página 484.)
"Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro X, Capítulo 3, Página 431.)
"Que minha alma te louve para te amar; que confesse as tuas misericórdias para te louvar."
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro XI, Capítulo 26, Página 553.)
"Dá-se a morte da alma quando Deus a abandona. A alma incorpórea é iluminada pela luz incorpórea da sabedoria simples de Deus. A alma é a vida do corpo"
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro X, Capítulo 27, Página 469.)
"Dois amores fundaram, pois, duas cidades, a saber: o amor-próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena; o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial"
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro VIII, Capítulo 12, Página 372.)
"A soberba é pior e mais condenável, porque busca o recurso da escusa até para os pecados mais evidentes"
(AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. Patrística, v. 10. Livro V, Capítulo 1, Página 205.)
"A Igreja se salva pelo lenho de que pendeu o mediador entre Deus e os homens"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIII, Capítulo 2 e Livro XI, Capítulo 10.)
"Não há traições mais perigosas que aquelas que se cobrem com a máscara do afeto"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIV, Capítulo 28.)
"Esta vida não passa de corrida para a morte"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIV, Capítulo 14.)
"O corpo está sujeito a tantas enfermidades, que nem os livros dos médicos as contêm todas"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XV, Capítulo 26.)
"As esmolas devem ser feitas exclusivamente para que sejamos escutados quando pedimos perdão pelos pecados passados"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIX, Capítulo 5.)
"O Espírito Santo é ao mesmo tempo o Espírito do Pai e do Filho, consubstancial e coeterno com ambos"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIII, Capítulo 10.)
"Hereges... com seu mal são úteis aos verdadeiros católicos... exercitam-lhe a sabedoria"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XXI, Capítulo 14.)
"O arbítrio da vontade é verdadeiramente livre, quando não é escravo de vícios e de pecados"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XXI, Capítulo 27.)
"É próprio da humildade elevar o coração, e exclusivo da soberba abaixá-lo"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XI, Capítulo 24.)
"A juventude... época da perfeita beleza corporal"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XVIII, Capítulo 51.)
"A miséria do homem provém de não viver como quer"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIV, Capítulo 11.)
"Dá-se a morte da alma quando Deus a abandona, como a do corpo acontece quando a alma se afasta"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIV, Capítulo 13.)
"A obediência, virtude de certo modo mãe e tutora de todas as demais virtudes da criatura racional"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XXII, Capítulo 15.)
"A face de Deus significa sua manifestação e não essa parte do corpo a que damos tal nome"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIV, Capítulo 24.)
"O princípio de todo pecado é a soberba"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIII, Capítulo 2.)
"No paraíso o homem vivia como queria, porque apenas queria o que Deus mandara"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIV, Capítulo 12.)
"O pecado não se comete senão pela vontade com que queremos que as coisas nos corram bem ou com que não queremos que nos corram mal"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XXII, Capítulo 29.)
"A vida do homem sobre a terra é tentação"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XII, Capítulo 6.)
"Deus fez o que fez, não por necessidade nem por indigência, mas apenas por bondade"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIV, Capítulo 26.)
"Para vós sou bispo, convosco sou cristão."
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIV, Capítulo 4.)
"Se é certo para"
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XIX, Capítulo 8.)
"Devemos repreender em particular, censurar em particular, e não trair as pessoas por desejar censurá-las publicamente."
(AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), parte II. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Vozes de Bolso). Livro XI, Capítulo 24.)
"Não saias de ti, mas volta para dentro de ti mesmo; a Verdade habita no coração do homem."
(Agostinho, Santo. Sermão 340, 1. In: Sancti Aureli Augustini Opera, Sect. VII, Pars IV. Viena: Tempsky, 1923. (Corpus Scriptorum Ecclesiasticorum Latinorum ; 53))
"É por isso que tanto Moisés quanto Elias e o próprio Senhor jejuaram por quarenta dias, para nos sugerir que estamos sendo trabalhados em Moisés, em Elias e no próprio Cristo — isto é, na lei, nos profetas e no próprio evangelho."
(Agostinho, Santo. Sermão 82, 11. In: Essential Sermons. Editado por Daniel Doyle. Traduzido por Edmund Hill. New York: New City Press, 2007.)
"O desejo da graça é início da graça."
(Agostinho, Santo. A Graça (II). São Paulo: Paulus, 1999. (Patrística ; 13). A Correção e a Graça, Capítulo XV, 46-47.)
"Não queiras te atrasar no caminho. Não queiras retornar ou sair do caminho."
(Agostinho, Santo. A verdadeira religião ; O cuidado devido aos mortos. São Paulo: Paulus, 2002. (Patrística ; 19). Capítulo 39, 72.)
"Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro em mim, e do lado de fora eu te procurava!"
(Agostinho, Santo. "Sermon 210". In: Essential Sermons. Editado por Daniel Doyle. Traduzido por Edmund Hill. New York: New City Press, 2007)
"A oração é mais gemido que palavrório, sentimento interior que enxurrada de palavras."
(Agostinho, Santo. A graça (II): a correção e a graça. São Paulo: Paulus, 1999. (Patrística ; 13). Capítulo III, 15.)
"Há uma só Igreja Católica e esta é a Igreja de Cristo, que é a Igreja Católica, pois o termo 'católico' significa universal."
(Agostinho, Santo. Comentário aos salmos (salmos 1-50). São Paulo: Paulus, 1997. (Patrística ; 9/1). Salmo 26, 17.)
"Aquele que cai, cai por sua própria vontade, e aquele que fica de pé, fica de pé pela vontade de Deus."
(Agostinho, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus, 1997. (Patrística ; 10). Livro X, Capítulo 27, 38.)
"Nos livros dos Macabeus, lemos sobre sacrifícios oferecidos pelos mortos. No entanto, mesmo que não fosse lido em nenhum lugar nas Escrituras Antigas, não é pequena a autoridade que, neste costume, é clara, de toda a Igreja."
(Agostinho, Santo. Dos bens do matrimônio ; a santa virgindade ; dos bens da viuvez: cartas a Proba e a Juliana. São Paulo: Paulus, 2009. (Patrística ; 16). Carta 130, Capítulo 10, 20.)
"Se, refletindo, encontramos em nós mesmos defeito idêntico ao que nos dispúnhamos repreender no outro, não o reprendamos, nem corrijamos. Choremos antes com o culpado e convidemo-lo não a ceder às nossas admoestações, mas a empreender juntamente conosco o esforço da emenda."
(Agostinho, Santo. A verdadeira religião ; o cuidado devido aos mortos. São Paulo: Paulus, 2002. (Patrística ; 19). A verdadeira religião, Capítulo 7, 12.)
"És Tu quem nos dá o poder de fazer o que Tu mandas."
(Agostinho, Santo. A graça (II): o dom da perseverança. São Paulo: Paulus, 1999. (Patrística ; 13). Capítulo VIII, 19.)
"Do alto estendeste a tua mão e arrancaste a minha alma de um abismo de trevas, enquanto minha mãe, tua fiel serva, chorava por mim, mais do que as mães choram pela morte física dos filhos."
(Agostinho, Santo. A verdadeira religião ; o cuidado devido aos mortos. São Paulo: Paulus, 2002. (Patrística ; 19). O cuidado devido aos mortos, Capítulo I, 3.)
"Em relação a matar homens para não ser morto por eles, esta visão não me agrada, a menos que talvez seja um soldado ou um funcionário público."
(Agostinho, Santo. O sermão da montanha e escritos sobre a fé. São Paulo: Paulus, 2017. (Patrística ; 36). O sermão da montanha, Livro II, Capítulo 19, 64.)

Biografia de Santo Agostinho

                  O Despertar: Infância e Juventude

 

Santo Agostinho nasceu em Tagaste, na Numídia (atual Argélia), no dia 13 de novembro de 354. Filho de Patrício, um pagão que se converteu no leito de morte, e da devotíssima Santa Mônica, Agostinho foi desde cedo o objeto das orações e lágrimas maternas. Embora tenha sido inscrito como catecúmeno na infância, seu batismo foi adiado, prática comum na época.

Sua juventude foi marcada por uma inteligência fulgurante, mas também por uma alma inquieta que buscava saciar-se em prazeres efêmeros. Em Cartago, para onde foi estudar retórica, Agostinho envolveu-se em amores carnais, dos quais nasceu seu filho Adeodato, e deixou-se seduzir pela heresia maniqueísta por nove anos, buscando nela uma explicação racional para o problema do mal. Contudo, a Providência já preparava o seu coração: aos 19 anos, a leitura do Hortensius de Cícero inflamou nele um amor ardente pela sabedoria imortal, mudando radicalmente suas aspirações.

 

A Luta das Vontades e a Luz de Milão

 

Desiludido com a vacuidade do maniqueísmo após um encontro decepcionante com o bispo Fausto, Agostinho dirigiu-se a Roma e, posteriormente, a Milão. Ali, o Senhor o colocou diante de Santo Ambrósio, cujos sermões começaram a remover o véu das Escrituras que antes lhe pareciam vulgares.

A conversão, porém, exigia um combate heroico contra os hábitos da carne. Santa Mônica, guiada por uma visão divina em que via seu filho de pé sobre a mesma regra de fé que ela, seguiu-o por mar e terra, certa de que o “filho de tantas lágrimas” não poderia perecer. Em um momento de profunda angústia nos jardins de sua residência em Milão, Agostinho ouviu uma voz infantil entoando: “Tolle, lege; tolle, lege” (Toma e lê; toma e lê). Interpretando como um comando divino, abriu as epístolas de São Paulo e leu o texto de Romanos 13:13, que dissipou todas as trevas de sua dúvida com uma luz de certeza.

 

Batismo, o Êxtase de Óstia e o Santo Ócio

 

No amanhecer da Páscoa de 387, Agostinho foi batizado por Santo Ambrósio, junto a seu filho Adeodato e seu amigo Alípio. Decidido a retornar à África para viver em retiro, ele e sua mãe experimentaram em Óstia um momento de ascensão mística e êxtase, onde por um breve instante tocaram a Sabedoria eterna. Pouco depois, Santa Mônica faleceu, tendo cumprido sua missão de ver o filho na Igreja Católica.

De volta a Tagaste, Agostinho vendeu seus bens, distribuiu-os aos pobres e fundou uma comunidade monástica, dedicando-se ao “ócio deificante” da oração, estudo e contemplação da Verdade. Sua santidade e sabedoria, contudo, não puderam permanecer ocultas.

 

O Bispo de Hipona: Defensor da Unidade e Marreta de Hereges

 

Em 391, durante uma visita a Hipona, a multidão aclamou: “Agostinho presbítero!”, forçando-o a aceitar o sacerdócio para auxiliar o bispo Valério. Em 395, foi sagrado bispo, tornando-se o “Doutor da Graça” e o baluarte da ortodoxia contra maniqueus, donatistas e pelagianos.

Sua vida como bispo foi um modelo de caridade: transformou sua residência em um mosteiro para clérigos, exercia a justiça em favor dos oprimidos e pregava incansavelmente. Agostinho era como uma cesta do semeador, recolhendo a semente da Palavra para espalhá-la ao povo. Em sua humildade, combatia o orgulho dos filósofos, afirmando que a verdadeira sabedoria só é acessível pela fé e pelo amor de Cristo.

 

Milagres e Manifestações do Poder de Deus

 

A vida de Santo Agostinho foi cercada de sinais sobrenaturais que confirmavam sua autoridade divina:

  • Visão das Relíquias: Ele foi testemunha ocular em Milão quando Ambrósio, por revelação em sonho, descobriu os corpos dos mártires Gervásio e Protásio, evento em que um cego recobrou a vista ao tocar o ataúde.
  • Curas Miraculosas: Em suas obras, Agostinho relata inúmeros milagres, como o de um médico curado de podagra no momento do batismo e o de um jovem paralítico sanado em uma procissão de relíquias de Santo Estêvão.
  • O Caso de Restituto: Ele registrou o caso de um presbítero que entrava em estados de morte aparente e êxtase, não sentindo dor ou fogo, ouvindo apenas vozes distantes.
  • A Proteção Divina: O próprio Agostinho escapou milagrosamente de uma emboscada de donatistas que pretendiam matá-lo.
  • A Lenda da Praia: A tradição narra que, ao tentar compreender o mistério da Trindade, Agostinho viu um menino na praia tentando colocar o mar em um buraquinho; o menino (um anjo) revelou que tal tarefa era mais fácil do que esgotar o mistério de Deus com a mente humana.

O Trânsito para a Jerusalém Celeste

 

No crepúsculo de sua vida, com Hipona sitiada pelos vândalos, Agostinho adoeceu. Em seus últimos dias, pediu que os salmos penitenciais fossem afixados nas paredes de seu quarto para que pudesse lê-los em oração constante. Na noite de 28 de agosto de 430, aos 76 anos, o grande Santo entregou sua alma a Deus, deixando como legado uma Igreja fortalecida e mosteiros cheios de almas sob voto de santidade. Seu símbolo permanece o coração em chamas, sinal de um amor que nunca descansou até repousar inteiramente no Senhor.

O legado do Doutor da Graça

 

O legado de Santo Agostinho é um dos mais profundos e duradouros da história ocidental, sendo ele considerado o mais insigne teólogo e o mais exímio filósofo entre os Padres da Igreja. Ele exerceu uma influência decisiva não apenas na dogmática e na teologia moral e mística, mas também na vida social, na caridade, na política eclesiástica e no direito público. Conhecido como o “Doutor da Graça”, Agostinho sistematizou e defendeu as doutrinas da graça divina, do pecado original e da predestinação, que se tornaram pedras angulares da fé católica ocidental.

Na literatura e espiritualidade, sua obra-prima Confissões estabeleceu um modelo insuperável para a narração autobiográfica e para a análise perspicaz da vida interior e do itinerário da alma para Deus. Já o seu tratado A Cidade de Deus é reconhecido como a primeira teologia e filosofia da história, oferecendo uma interpretação do mundo que marcou profundamente o pensamento político da Idade Média. No campo dogmático, seu trabalho em A Trindade lançou os fundamentos da teoria psicológica das processões e da concepção latina da unidade da natureza divina.

Agostinho também deixou um legado prático e institucional através da fundação de comunidades monásticas e da redação de uma Regra que se tornou o gérmen de uma árvore grandiosa de ordens religiosas no Ocidente. Suas contribuições à exegese, especialmente em A Doutrina Cristã, forneceram as bases para a cultura eclesiástica e regras para a interpretação correta das Sagradas Escrituras.

Sua autoridade intelectual foi tamanha que ele se tornou a principal fonte para os teólogos medievais e o autor predileto de líderes como Carlos Magno. O impacto de seu pensamento continua vivo na contemporaneidade, tendo sido o autor mais citado nos documentos do Concílio Vaticano II. Em suma, Agostinho realizou a transição da cultura greco-romana para a síntese entre o Classicismo e o Cristianismo, moldando definitivamente a identidade espiritual e intelectual da civilização ocidental.

 

Fontes bibliográficas:

 

  • Confissões:
    • AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1997. (Coleção Patrística; 10).
    • AGOSTINHO, Santo. Confissões; De Magistro (Do Mestre). Tradução de J. Oliveira Santos, S.J. et al. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Série Os Pensadores).
  • A Cidade de Deus:
    • AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus: (contra os pagãos). Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Federação Agostiniana Brasileira, 2017. (Selo Vozes de Bolso).
  • Tratados sobre a Fé e a Trindade:
    • AGOSTINHO, Santo. A Trindade. Tradução de Frei Agustinho Belmonte, O.A.R. São Paulo: Paulus, 1994. (Coleção Patrística; 7).
    • AGOSTINHO, Santo. O Sermão da Montanha e Escritos sobre a fé. Tradução de vários tradutores. São Paulo: Paulus, 2017. (Coleção Patrística; 36).
    • AGOSTINHO, Santo. A verdadeira religião ; O cuidado devido aos mortos. Tradução de Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulus, 2002. (Coleção Patrística; 19).
  • Obras Filosóficas e Educativas:
    • AGOSTINHO, Santo. O livre-arbítrio. Tradução de Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulus, 1995. (Coleção Patrística; 8).
    • AGOSTINHO, Santo. Contra os acadêmicos, A ordem, A grandeza da alma, O mestre. Tradução de Frei Agustinho Belmonte. São Paulo: Paulus, 2008. (Coleção Patrística; 24).
    • AGOSTINHO, Santo. A doutrina cristã: manual de exegese e formação cristã. Tradução de Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulus, 2002. (Coleção Patrística; 17).
  • Escritos sobre a Graça e Comentários Bíblicos:
    • AGOSTINHO, Santo. A Graça (I). Tradução de Agustinho Belmonte. São Paulo: Paulus, 1998. (Coleção Patrística; 12).
    • AGOSTINHO, Santo. A Graça (II). Tradução de Agustinho Belmonte. São Paulo: Paulus, 1999. (Coleção Patrística; 13).
    • AGOSTINHO, Santo. Comentário ao Gênesis. Tradução de Frei Agustinho Belmonte. São Paulo: Paulus, 2005. (Coleção Patrística; 21).
    • AGOSTINHO, Santo. Comentário aos Salmos (1-50). Revisão de H. Dalbosco. São Paulo: Paulus, 1997. (Coleção Patrística; 9/1).
  • Sermões:
    • AUGUSTINE, Saint. Essential Sermons. Editado por Daniel Doyle. Tradução de Edmund Hill. New York: New City Press, 2007.

Fontes Biográficas e Históricas (Fontes Secundárias):

  • POSSÍDIO. Vida de Santo Agostinho. Tradução de Sister Mary Magdeleine Muller e Roy J. Deferrari. In: Early Christian Biographies. FOTC 15, 1952.
  • ALTANER, B.; STUIBER, A. Patrologia. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1988.
  • BROWN, Peter. Augustine of Hippo, A Biography. London, 1967.
  • PESSANHA, José Américo Motta. Santo Agostinho: Vida e Obra. In: Confissões; De Magistro. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
  • FRANGIOTTI, Roque. Introduções e Notas. In: Obras de Santo Agostinho na Coleção Patrística. São Paulo: Paulus.
  • TRAPÉ, Agostino. Saint Augustin, l’homme, le pasteur, le mystique. Paris: Fayard, 1988.
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