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Santa Teresa d’Ávila

Santa Teresa d’Ávila

1515-1582
Santa Teresa d'Ávila (1515-1582) foi uma mística espanhola, freira carmelita e a primeira mulher declarada Doutora da Igreja. Após uma profunda conversão, empreendeu a árdua reforma da Ordem do Carmo, fundando os Carmelitas Descalços ao lado de São João da Cruz. Unindo notável senso prático, alegria e profunda união com Deus, escreveu obras-primas da espiritualidade como "O Castelo Interior" e o "Livro da Vida". Canonizada em 1622, é a grande mestra da oração mental e contemplativa.
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Frases de Santa Teresa d’Ávila

"Passei nesse mar tempestuoso quase 20 anos: ora caindo ora levantando. Mas levantava-me mal, pois tornava a cair."
(Santa Teresa de Jesus. **Livro da Vida**, capítulo 8, parágrafo 2. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo I. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1961, p. 62.)
"Trabalhai sempre por adquirir tão grande determinação de não ofender ao Senhor, que estejais dispostas a perder mil vidas de preferência a fazer um pecado mortal."
(Santa Teresa de Jesus. **Caminho de Perfeição**, capítulo 41, parágrafo 5. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo III. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1951, p. 175.)
"O Senhor envia esses tormentos e várias outras tentações que se apresentam — muitas vezes no início e outras no fim — para pôr à prova os que o amam, e verificar se poderão beber o cálice e ajudá-lo a carregar a cruz, antes de confiar-lhes grandes tesouros."
(Santa Teresa de Jesus. **Livro da Vida**, capítulo 11, parágrafo 11. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo I. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1961, p. 85.)
"Outra oração não quisera eu, fora da que me fizesse crescer nas virtudes."
(Santa Teresa de Jesus. **Carta 123: Ao Padre Jerônimo Gracián**. In: R. P. Frei Silvério de Santa Teresa (Trad.), **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo VI (Cartas I). Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, 1958, p. 273.)
"O demônio não necessita mais do que ver uma porta pequena aberta, para nos fazer mil ilusões."
(Santa Teresa de Jesus. **Caminho de Perfeição**, capítulo 38, parágrafo 1. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo III. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1951, p. 161.)
"Falaís muito bem com outras pessoas, por que vos faltariam palavras para falar com Deus?"
(Santa Teresa de Jesus. **Caminho de Perfeição**, capítulo 26, parágrafo 9. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo III. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1951, p. 110.)
"Não me lembro de ter pedido alguma graça a São José, que ele não me tenha alcançado."
(Santa Teresa de Jesus. **Livro da Vida**, capítulo 6, parágrafo 6. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo I. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1961, p. 43.)
"São felizes as vidas que se consumirem no serviço da Igreja."
(Santa Teresa de Jesus. **Livro da Vida**, capítulo 40, parágrafo 15. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo I. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1961, p. 352.)
"Não vos deixeis enganar por ninguém que vos mostre um caminho que não seja o da oração."
(Santa Teresa de Jesus. **Caminho de Perfeição**, capítulo 21, parágrafo 7. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo III. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1951, p. 94.)
"É desatino pensar que havemos de entrar no céu sem primeiro entrar em nós mesmos."
(Santa Teresa de Jesus. **Castelo Interior ou Moradas**, Primeiras Moradas, capítulo 1, parágrafo 2. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo IV. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1956, p. 11.)
"É tão importante este autoconhecimento de nós mesmas, que quisera jamais descuide neste ponto, por mais elevadas que estejais."
(Santa Teresa de Jesus. **Castelo Interior ou Moradas**, Primeiras Moradas, capítulo 2, parágrafo 8. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo IV. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1956, p. 19.)
"Ficai-vos com Ele de boa vontade; não percais tão boa ocasião de negociar, como é a hora depois de ter comungado."
(Santa Teresa de Jesus. **Caminho de Perfeição**, capítulo 33, parágrafo 10. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo III. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1951, p. 143.)
"O caminho mais seguro é querer apenas o que Deus quer. Ele sabe mais do que nós mesmos e nos ama."
(Santa Teresa de Jesus. **Caminho de Perfeição**, capítulo 32, parágrafo 1. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo III. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1951, p. 136.)
"Que Ele faça o que quiser conosco, leve-nos para onde querer."
(Santa Teresa de Jesus. **Livro da Vida**, capítulo 11, parágrafo 12. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo I. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1961, p. 86.)
"Não devemos construir castelos no ar. O Senhor não olha tanto para a grandeza de nossas obras, mas para o amor com que elas são feitas."
(Santa Teresa de Jesus. **Castelo Interior ou Moradas**, Sétimas Moradas, capítulo 4, parágrafo 15. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo IV. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1956, p. 191.)
"O diabo ganha muito e fica extremamente satisfeito ao ver uma alma aflita e inquieta, pois sabe que a perturbação a impede de estar totalmente ocupada em amar e louvar a Deus."
(Santa Teresa de Jesus. **Caminho de Perfeição**, capítulo 39, parágrafo 1. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo III. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1951, p. 166.)
"Deus não gosta que coloquemos limites em Suas obras."
(Santa Teresa de Jesus. **Castelo Interior ou Moradas**, Primeiras Moradas, capítulo 1, parágrafo 3. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo IV. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Limitada, II Edição, 1956, p. 12.)
"Muitas vezes nossa natureza pede mais do que necessita, e às vezes o demônio ajuda para causar medo na penitência e jejum."
(Santa Teresa de Jesus. **Livro da Vida**, capítulo 13, parágrafo 7. In: **Obras de Santa Teresa de Jesus**, Tomo I. Tradução das Carmelitas Descalças do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1961, p. 95.)

Biografia de Santa Teresa d’Ávila

 

Alvorecer de uma Alma Escolhida

 

No seio das muralhas ancestrais de Ávila, em 28 de março de 1515, nasceu Teresa de Cepeda y Ahumada. Filha de Don Alonso Sánchez de Cepeda e Doña Beatriz de Ahumada, Teresa cresceu em um lar onde a virtude e o temor de Deus eram o ar que se respirava. Desde a tenra infância, a pequena Teresa demonstrava uma inclinação extraordinária para as coisas do céu. Aos sete anos, inflamada pela leitura das vidas dos santos, convenceu seu irmão Rodrigo a fugir com ela para a “terra dos Mouros”, desejando o martírio para ver a Deus o mais depressa possível. Detidos por um tio e devolvidos ao lar, os irmãos passaram a brincar de eremitas no pomar da casa, construindo pequenas celas de pedra e buscando a solidão. A morte de sua mãe, quando Teresa tinha apenas treze anos, marcou-a profundamente; em meio à dor, ela prostrou-se diante de uma imagem de Nossa Senhora, implorando à Virgem que passasse a ser sua mãe.

 

O Chamado e o Cadinho do Sofrimento

 

Após uma adolescência de breves vaidades e leituras de livros de cavalaria, Teresa sentiu o chamado para a vida religiosa. Embora tenha enfrentado a resistência inicial de seu pai, ela “fugiu” de casa em 1535 para ingressar no Mosteiro da Encarnação. No entanto, o Senhor logo a submeteria a um severo cadinho de provações físicas. Acometida por doenças misteriosas e dores lancinantes no coração, Teresa chegou a cair em um coma profundo que durou quatro dias. Julgada morta, chegaram a colocar cera em seus olhos e a cavar sua sepultura. Milagrosamente, ela despertou, atribuindo sua cura à intercessão de São José, de quem se tornou devota perpétua. Durante anos, Teresa viveu em um estado de paralisia parcial, arrastando-se de joelhos, suportando tudo com uma paciência angélica que maravilhava suas irmãs de hábito.

 

A Conversão e o Fogo do Amor Divino

 

A verdadeira transformação espiritual de Teresa ocorreu diante de uma imagem de um “Cristo muito chagado”. Ao contemplar o sofrimento do Salvador, ela sentiu que seu coração se partia de dor por suas imperfeições passadas e entregou-se inteiramente ao amor divino. Foi a partir deste momento que as manifestações sobrenaturais se intensificaram. O episódio mais sublime de sua mística foi a Transverberação: Teresa viu um anjo em forma corpórea, resplandecente, que com um dardo de ouro com ponta de fogo lhe atravessou o coração. Essa ferida mística deixou-a totalmente inflamada pelo amor de Deus, uma dor tão doce que ela desejava que nunca cessasse. Suas experiências incluíam levitações súbitas durante a oração, que ela, em sua profunda humildade, tentava resistir para não ser vista por outros, e visões intelectuais da Santíssima Trindade, que lhe infundiam uma sabedoria que superava a de muitos teólogos.

 

A Reforma e o Caminho das Fundações

 

Inspirada por Deus e movida pelo zelo de restaurar a austeridade primitiva da Ordem do Carmo, Teresa fundou em 1562 o pequeno convento de São José de Ávila. Foi o início de uma epopeia espiritual. Como uma “andariega” de Deus, ela percorreu as estradas da Espanha em carroças rudimentares, sob calores intensos e invernos rigorosos, fundando dezessete conventos para as suas monjas. Sua determinação era inquebrável, enfrentando oposições da nobreza, do clero e da própria Inquisição, que chegou a examinar seus escritos. Em meio a essa atividade febril, ela encontrou em São João da Cruz um “meio frade” (pela sua baixa estatura, mas gigante em espírito) para estender a reforma aos homens. Teresa provou que a contemplação mais alta não é obstáculo para a ação mais eficiente, afirmando que “o Senhor também caminha entre as panelas” na cozinha.

 

O Trânsito Glorioso e a Glória Eterna

 

O fim de sua jornada terrena chegou em outubro de 1582, em Alba de Tormes. Exausta pelas viagens e fundações, Teresa sentiu que o momento de seu encontro definitivo com o Esposo se aproximava. Suas últimas palavras foram de fidelidade: “Enfim, Senhor, sou filha da Igreja”. Ela partiu para a glória em meio a um arrebatamento místico, enquanto um perfume celestial, que ficou conhecido como “odor de santidade”, emanava de seu corpo e se espalhava por todo o mosteiro. O milagre de sua vida continuou após a morte: seu corpo permaneceu incorrupto e seu coração, ao ser examinado, mostrava fisicamente a cicatriz da ferida do anjo. Em 1970, a Igreja reconheceu formalmente a profundidade de sua doutrina ao declará-la a primeira mulher Doutora da Igreja. Santa Teresa de Jesus permanece como um farol de determinação inquebrável, ensinando-nos que “só Deus basta”.

 

Referências bibliográficas

 

  • AUCLAIR, Marcelle. Saint Teresa of Avila.
  • EIRE, Carlos. The Life of Saint Teresa of Avila: A Biography. Princeton University Press, 2019.
  • HATZFELD, Helmut A. Santa Teresa de Avila. Twayne Publishers, 1969.
  • KAVANAUGH, Kieran; RODRIGUEZ, Otilio (Trad.). The Collected Works of St. Teresa of Avila. Vols. 1, 2 e 3. ICS Publications.
  • TOMAS ALVAREZ; FERNANDO DOMINGO. Saint Teresa of Avila: A Spiritual Adventure. 1981.
  • WALSH, William Thomas. Saint Teresa of Avila: A Biography. Bruce Publishing Company, 1943.

 

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