Santa Margarida Maria Alacoque
1647-1690Frases de Santa Margarida Maria Alacoque
Biografia de Santa Margarida Maria Alacoque
Infância Predestinada e o Voto de Virgindade
Margarida Maria Alacoque nasceu em 22 de julho de 1647, na aldeia de Lhautecour, na Borgonha, França. Filha de Claude Alacoque, um notário real e juiz, e de Philiberte Lamyn, foi a quinta de sete filhos. Desde os seus primeiros anos, a mão de Deus repousava sobre ela; Margarida relata que, aos dois ou três anos, já sentia um horror sobrenatural ao pecado, considerando qualquer pequena falta um tormento insuportável.Aos quatro anos, enquanto vivia com sua madrinha, Mme. de Fautrières, no Castelo de Corcheval, a pequena Margarida foi movida por um impulso do Espírito Santo a fazer o seu primeiro voto de castidade perpétua. Ela passava horas ajoelhada na capela do castelo, imersa em uma oração que parecia mais própria de um anjo do que de uma criança.
O Crisol do Sofrimento e a Juventude
A vida da Santa foi marcada pela cruz desde cedo. Após a morte de seu pai em 1655, a família mergulhou em dificuldades financeiras e humilhações. Margarida e sua mãe foram tratadas quase como servas em sua própria casa por parentes que assumiram o controle dos bens. Durante este tempo, ela foi acometida por uma doença grave que a deixou paralisada por quatro anos. Sua cura milagrosa ocorreu apenas quando ela se consagrou à Santíssima Virgem, prometendo ser um dia uma de suas filhas.Na juventude, Margarida enfrentou a pressão da família para o casamento. Embora tenha sentido por um breve momento a vaidade do mundo, o Senhor a repreendia interiormente com doçura e severidade. Em uma visão, Jesus apresentou-se a ela coroado de espinhos, dizendo que seus mundanismos lhe causavam aquelas feridas. Resoluta, ela venceu todas as resistências e ingressou no Mosteiro da Visitação em Paray-le-Monial em 20 de junho de 1671.
Vida Religiosa e a Missão do Sagrado Coração
Ao entrar na vida religiosa, Margarida Maria entregou-se totalmente à obediência. Em 6 de novembro de 1672, fez sua profissão solene, declarando-se “escrava e criatura” de seu Bem-Amado. Foi no recolhimento deste claustro que o Salvador decidiu revelar ao mundo os tesouros de Sua misericórdia.
Entre 1673 e 1675, ocorreram as chamadas “Grandes Aparições”. Durante a oitava da festa de Corpus Christi, enquanto ela estava diante do Santíssimo Sacramento, Jesus apareceu-lhe com o peito resplandecente e o Coração cercado de chamas e espinhos. Ele proferiu as palavras que mudariam a história da Igreja: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor”. Jesus pediu a instituição de uma festa em honra ao Seu Coração e a prática da Comunhão reparadora nas primeiras sextas-feiras do mês.
Virtudes e Manifestações Sobrenaturais
Margarida Maria não foi apenas uma vidente, mas uma vítima de amor. Ela possuía o dom da “profecia interior” e muitas vezes sentia em seu próprio corpo as dores da Paixão de Cristo. Sua humildade era tão profunda que ela desejava ser o “lixo do mosteiro”, aceitando com alegria as incompreensões de suas irmãs e superiores, que inicialmente duvidavam de suas visões.O Senhor concedeu-lhe o beato Claude de la Colombière como diretor espiritual, que reconheceu a autenticidade de sua missão e ajudou a difundir a devoção. Entre os milagres e prodígios, relata-se que ela tinha visões das almas do purgatório e que o próprio Menino Jesus foi entregue em seus braços pela Virgem Maria durante um momento de êxtase.
O Trânsito para o Céu e Legado
Consumida pelas chamas do amor divino e pelo desejo de se unir ao seu Esposo, Margarida Maria previu a própria morte. Ela faleceu em 17 de outubro de 1690, aos 43 anos, enquanto pronunciava o Santíssimo Nome de Jesus. Aqueles que cercavam seu leito relataram que uma beleza celestial transfigurou seu rosto no momento da partida.
Sua canonização pelo Papa Bento XV em 1920 selou seu papel como a “Discípula Amada” do Sagrado Coração. Suas revelações transformaram a espiritualidade católica, oferecendo ao mundo um remédio contra a frieza e o indiferentismo através da adoração ao Coração de carne do Salvador.
Referências bibliográficas
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Vie et Révélations de Sainte Marguerite-Marie Alacoque écrites par elle-même. Paris: Librairie Saint-Paul, 1920 (Edição baseada nos textos autênticos e relatos das Contemporâneas).
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BOUGAUD, Émile. The Life of St. Margaret Mary Alacoque. New York: Benziger Brothers, 1890/1920 (Reeditado por TAN Books, 2012).
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Sisters of the Visitation of Roselands. Thoughts and Sayings of St. Margaret Mary Alacoque. Charlotte: TAN Books, 1986 (Baseado na edição de 1920 de Vie et Oeuvres).