Santa Joana Francisca de Chantal
1572-1641Frases de Santa Joana Francisca de Chantal
Biografia de Santa Joana Francisca de Chantal
Infância e Juventude
Joana Francisca Frémyot nasceu em Dijon, França, em 23 de janeiro de 1572. Filha do ilustre Bénigne Frémyot, presidente do Parlamento da Borgonha, ela foi batizada no mesmo dia de seu nascimento, recebendo o nome de Joana em honra a São João Esmoler. Órfã de mãe aos dezoito meses, foi criada sob a égide firme e piedosa de seu pai, que lhe transmitiu uma fé inabalável.
Desde cedo, Joana demonstrou uma maturidade espiritual incomum. Aos cinco anos, ao ouvir um herético negar a presença real de Cristo na Eucaristia, a criança o confrontou com sabedoria divina, afirmando a verdade da Igreja. Já na juventude, sua firmeza foi provada quando recusou pretendentes nobres, mas de fé huguenote, declarando que preferiria uma prisão perpétua a se unir a um inimigo da Igreja. Sua pureza era protegida por uma terna devoção à Virgem Maria, a quem adotou como mãe.
A “Dama Perfeita” de Bourbilly
Em 1592, Joana casou-se com o Barão Cristóvão de Chantal, um cavaleiro de rara virtude e coragem. No Castelo de Bourbilly, ela se tornou o modelo da esposa cristã, sendo carinhosamente chamada de “A Dama Perfeita”. Enquanto o marido servia ao Rei, Joana administrava a propriedade com gênio prático e piedade, transformando o castelo em um reduto de ordem e oração.
Foi em Bourbilly que Deus operou prodígios por meio de sua caridade. Durante uma severa fome que assolou a Borgonha, Joana distribuiu todo o mantimento do castelo aos pobres. Quando os servos temeram a escassez, Joana subiu ao celeiro e, com fé inabalável, ordenou que continuassem a dar esmolas; o barril de farinha e o grão multiplicaram-se milagrosamente por seis meses, alimentando a todos sem nunca se esgotar. Ela cuidava pessoalmente de leprosos e doentes com chagas horríveis, vendo neles a própria face de Cristo sofredor.
O Cadinho da Dor e o Voto de Sangue
A vida de felicidade terrena foi subitamente interrompida em 1601, quando seu amado esposo foi mortalmente ferido em um acidente de caça. No auge da dor, Joana pronunciou seu fiat, embora seu coração estivesse despedaçado. Aos vinte e oito anos, viúva e com quatro filhos pequenos, ela fez um voto de castidade perpétua e dedicou sua vida exclusivamente a Deus.
Para selar sua pertença ao Divino Esposo, em um momento de fervorosa oração, ela gravou o nome sagrado de JESUS sobre o próprio coração com um ferro em brasa. Forçada a viver no Castelo de Monthelon com seu sogro, sofreu sete anos de humilhações e tirania por parte de uma serva insolente que governava a casa. Joana tudo suportou com doçura angelical, cuidando inclusive dos filhos daquela que a perseguia, vencendo o mal com o bem.
O Encontro dos Santos e a Visão de Saint-Claude
Deus preparou o encontro de Joana com seu guia espiritual por meio de visões. Antes de conhecê-lo, ela viu em espírito um bispo com aparência angélica e ouviu uma voz: “Eis o guia bem-amado de Deus”. Em 1604, ao ouvir São Francisco de Sales pregar em Dijon, ela reconheceu imediatamente o homem da visão. Francisco, por sua vez, também tivera uma visão de Joana no Castelo de Sales.
A direção espiritual definitiva foi selada em uma peregrinação a Saint-Claude. Lá, Joana entendeu que sua entrada no “sagrado repouso dos filhos de Deus” se daria por aquela porta, conforme lhe fora profetizado em sonho. Sob a direção do “Doutor da Suavidade”, ela subiu os degraus da oração de quietude e do abandono total à Providência.
A Fundação da Visitação e o Martírio do Coração
Em 1610, após arranjar o casamento de sua filha Marie-Aymée com o irmão de São Francisco e garantir o futuro de seu filho Celse-Bénigne (passando heroicamente sobre o corpo do jovem que se deitara à porta para impedi-la de partir), Joana fundou a Ordem da Visitação Sainte-Marie em Annecy.
Como Superiora, Joana foi agraciada com visões da “geração escolhida” que Deus lhe daria. Sua vida religiosa foi marcada por um “martírio de amor”, um estado de provação interior e desolação mística que ela abraçou com força invencível. Deus operou inúmeros milagres por sua intercessão, como a cura instantânea de doentes e a extinção milagrosa de um incêndio no convento após sua oração fervorosa.
O Trânsito Glorioso e a Apoteose Celestial
Santa Joana Francisca entregou sua alma a Deus em 13 de dezembro de 1641, no monastério de Moulins. Suas últimas palavras, proferidas com um rosto radiante, foram: “Eu vou. Jesus, Jesus, Jesus!”.
No momento de sua morte, São Vicente de Paulo teve uma visão sublime : viu duas colunas de fogo (as almas de Joana e de Francisco de Sales) que subiam ao céu e se fundiam em um único globo de luz, representando a união eterna dessas almas em Deus. Seu corpo foi levado para Annecy e sepultado junto ao de seu santo pai e diretor, de onde continua a exalar o perfume da santidade.
Referências bibliográficas
- BOUGAUD, Louis-Émile. Histoire de Sainte Chantal et des origines de la Visitation. Paris: Librairie Ve Poussielgue et Fils, 1863, v. 1 e v. 2.
- CHAUGY, Françoise-Madeleine de. Mémoires sur la vie et les vertus de Sainte Jeanne-Françoise de Chantal. Paris: E. Plon, 1874 (Coleção Sainte Jeanne-Françoise Frémyot de Chantal: Sa Vie et ses Œuvres, v. 1).
- CHANTAL, Joana Francisca de. OEuvres de Sainte Chantal (Incluindo: Petit Livret, Questions et Réponses, Papiers Intimes, Exhortations, Entretiens, Instructions, Méditations et Lettres). Paris: E. Plon, 1875-1879, v. 2, 3, 4, 5, 7.
- SALES, Francisco de. Lettres de S. François de Sales. (Edições e fragmentos diversos citados nas fontes).
- STOPP, Elisabeth. Madame de Chantal: Portrait of a Saint. Westminster, Md: Newman Press, 1963.
- JONES, C. A. The Life of S. Frances de Chantal. London: J. T. Hayes.
- SAUDREAU, Auguste. Mystical Prayer According to St. Jane de Chantal. 1929.