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Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz)

Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz)

1891-1942
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) foi uma brilhante filósofa judia convertida ao catolicismo. A Igreja a venera como mártir e copadroeira da Europa. Ao abraçar a vocação carmelita, uniu a busca intelectual pela verdade à profunda união mística com Cristo. Presa pelos nazistas e morta em Auschwitz, ofereceu sua vida por seu povo. Sua santidade reflete a síntese perfeita entre fé, razão e o abraço amoroso à cruz como caminho de redenção suprema.
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Frases de Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz)

"Quem entra no Carmelo não se distancia das pessoas pois sua existência se converte em benefício para elas uma vez que o papel das carmelitas é permanecer diante de Deus orando por todos."
(Stein, Edith. Vida de uma família judia e outros escritos autobiográficos. São Paulo: Paulus, 2018, p. 10).)
"Se Maria é o protótipo da genuína feminilidade a imitação de Maria deverá ser a meta da formação feminina."
(Stein, Edith. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça. Bauru: EDUSC, 1999, p. 221).)
"Quanto mais profundo alguém é atraído para Deus mais ele deve sair de si mesmo isto é ele deve ir ao mundo a fim de levar a vida divina para dentro dele."
(Stein, Edith. Self-Portrait in Letters 1916-1942. Washington, DC: ICS Publications, 1993, p. 54. Carta 45 a Sr. Callista Kopf, 12 de fevereiro de 1928).)
"Deus é verdade. Todos os que buscam a verdade buscaram a Deus quer isto seja claro para eles ou não."
(Stein, Edith. Self-Portrait in Letters 1916-1942. Washington, DC: ICS Publications, 1993, p. 272. Carta 259).)
"Toda mulher seja uma Imagem da mãe de Deus uma Sponsa Christi uma apóstola do coração divino assim todas cumpririam sua vocação feminina."
(Stein, Edith. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça. Bauru: EDUSC, 1999, p. 65).)
"A cruz serve de bastão para acelerar a marcha para o cume."
(Stein, Edith. The Science of the Cross. Washington, DC: ICS Publications, 2002, p. 17).)
"Geralmente recebemos uma cruz mais pesada quando tentamos nos livrar de uma cruz antiga."
(Stein, Edith. The Science of the Cross. Washington, DC: ICS Publications, 2002, p. 19).)
"Uma vida feminina que visa ter como forma interna o amor divino terá de ser uma vida eucarística."
(Stein, Edith. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça. Bauru: EDUSC, 1999, p. 68).)
"O destino da mulher provém da eternidade. Ela deve ter em mente a eternidade para definir sua vocação neste mundo."
(Stein, Edith. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça. Bauru: EDUSC, 1999, p. 118).)
"Somente Deus pode aceitar a entrega de alguém totalmente de uma maneira em que a pessoa não perca sua alma mas sim a ganhe."
(Stein, Edith. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça. Bauru: EDUSC, 1999, p. 64).)
"A mulher que cumpre da maneira mais pura a sua vocação feminina é aquela que leva Cristo para todo lugar e que desperta em todo lugar o amor a Cristo."
(Stein, Edith. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça. Bauru: EDUSC, 1999, p. 280).)

Biografia de Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz)

 

A vida de Santa Teresa Benedita da Cruz, nascida Edith Stein, é uma jornada sublime de busca incansável pela Verdade, culminando no sacrifício heroico por seu povo e pela Igreja. Ela é descrita como a síntese dramática do nosso século e uma verdade plena acerca do homem.

 

A Flor de Israel e o Prenúncio da Graça

 

Edith Stein nasceu em Breslau no dia 12 de outubro de 1891, sendo a última de onze irmãos em uma piedosa família israelita. Seu nascimento ocorreu no Yom Kippur (Dia do Perdão), o que sua mãe, Augusta, considerava um presságio favorável e um sinal da benção de Deus sobre a vida da filha. Desde a infância, Edith demonstrou uma inteligência superior e uma memória extraordinária, sendo capaz de recitar poetas alemães aos quatro anos. No liceu, era tão brilhante que o diretor exclamou: “Firam a pedra [Stein] e a sabedoria jorrará”. Apesar de ter passado por um período de crise religiosa na adolescência, no qual decidiu conscientemente parar de rezar, ela afirmaria mais tarde que sua “ânsia pela verdade era sua própria oração”.

 

A Peregrinação Intelectual e a Descoberta da Cruz

 

Sua busca intelectual levou-a a ser a aluna predileta de Edmund Husserl, o fundador da fenomenologia, de quem se tornou assistente e obteve o doutorado summa cum laude em 1916. No círculo acadêmico, ela era vista como uma “autoridade” por sua lógica infalível. O primeiro encontro místico com a força sobrenatural da fé ocorreu em 1917, ao visitar a viúva de seu amigo Adolf Reinach. Edith esperava encontrar uma mulher desesperada, mas viu Anna Reinach transfigurada pela paz de Cristo, vitoriosa sobre o aguilhão da morte através da Cruz. Ela revelou pouco antes de morrer que esse foi o momento em que sua incredulidade colapsou e Cristo brilhou diante dela no Mistério da Cruz.

 

“Esta é a Verdade”: A Conversão e Vida de Piedade

 

A graça final de sua conversão aconteceu no verão de 1921, na casa de sua amiga Hedwig Conrad-Martius. Ao ler ao acaso a autobiografia de Santa Teresa de Ávila, Edith não parou até terminar o livro na madrugada, fechando-o com a afirmação definitiva: “Esta é a verdade”. Foi batizada em 1º de janeiro de 1922, recebendo o nome de Teresa. A partir de então, sua vida tornou-se um ato de adoração contínua, servindo como modelo de virtude e silêncio nas Dominicanas de Espira, onde exercia o magistério como uma verdadeira vocação religiosa. Edith descobriu que “é possível adorar a Deus através da pesquisa científica”, unindo a fenomenologia ao tomismo de Santo Tomás de Aquino.

 

No Porto da Vontade Divina: O Carmelo

 

Em 1933, diante da perseguição antissemita que a impediu de lecionar em Münster, Edith viu “a porta aberta que buscava” para o Carmelo. Em uma profunda visão espiritual e discernimento diante do Santíssimo Sacramento, ela recebeu o “sim do Bom Pastor” para sua entrada na Ordem. Ela compreendeu que o destino de seu povo judeu era o seu próprio, e ofereceu-se a Deus pela salvação de Israel. Em 14 de outubro de 1933, ingressou no Carmelo de Colônia, recebendo o nome de Teresa – Benedita da Cruz. No claustro, viveu em humildade comovente, entregue a ofícios simples e à oração fervorosa, sentindo-se “inteiramente em casa, no coração e na alma”.

 

O Calvário e o Martírio de Sangue

 

Prevendo a intensificação da perseguição, Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda, em 1938. Lá, escreveu sua obra mística definitiva, A Ciência da Cruz, retirando-a das profundezas de sua intensa contemplação. Em seu testamento de 1939, aceitou com alegria a morte que Deus lhe reservara como sacrifício de expiação pela paz e pela incredulidade de seu povo. No dia 2 de agosto de 1942, foi presa pela Gestapo. Suas últimas palavras registradas ao deixar o convento, dirigidas à sua irmã Rosa, foram: “Vem, vamos pelo nosso povo”. Foi martirizada na câmara de gás em Auschwitz no dia 9 de agosto de 1942.

 

Manifestações Sobrenaturais e a Glória dos Altares

 

A santidade de Edith Stein foi confirmada por sua vida heroica e por manifestações sobrenaturais após sua morte. Em seu processo de canonização, o Vaticano reconheceu oficialmente a cura milagrosa da menina Teresia Benedicta McCarthy, ocorrida em 1987, que sobreviveu sem sequelas a uma falência múltipla de órgãos após seus pais invocarem a intercessão de Edith Stein. Santa Teresa Benedita da Cruz foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 1987 e canonizada em 11 de outubro de 1998. Em 1999, foi declarada copadroeira da Europa, brilhando como um exemplo de amor à verdade, justiça e paz.

 

Referências bibliográficas

 

  • STEIN, Edith. Vida de uma família judia e outros escritos autobiográficos. São Paulo: Paulus, 2018. (Coleção Obras de Edith Stein, v. 1). Esta fonte fundamenta os detalhes da infância em Breslávia, a relação com a mãe Augusta, o nascimento no Yom Kippur e a entrada no Carmelo.
  • STEIN, Edith. A Mulher: sua missão segundo a natureza e a graça. Tradução de Alfred J. Keller. Bauru: EDUSC, 1999. Fonte para as reflexões sobre a “mulher forte”, a vocação feminina e o magistério em Münster e Speyer.
  • STEIN, Edith. A Ciência da Cruz: estudo sobre João da Cruz. (The Science of the Cross). Washington, DC: ICS Publications, 2002. (The Collected Works of Edith Stein, v. 6). Utilizada para descrever sua última obra mística e a aceitação do sofrimento.
  • STEIN, Edith. Self-Portrait in Letters 1916-1942. Tradução de Josephine Koeppel. Washington, DC: ICS Publications, 1993. (The Collected Works of Edith Stein, v. 5). Base para os detalhes da vida acadêmica, correspondência com Husserl e as últimas mensagens antes do martírio.
  • STEIN, Edith. Ser Finito e Ser Eterno. (Finite and Eternal Being). Washington, DC: ICS Publications, 2002. (The Collected Works of Edith Stein, v. 9). Referência para sua síntese entre fenomenologia e tomismo.
  • STEIN, Edith. Potência e Ato. (Potency and Act). Washington, DC: ICS Publications, 2009. (The Collected Works of Edith Stein, v. 11). Documenta sua transição intelectual para a filosofia cristã.

 

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