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São João XXIII

São João XXIII

1881–1963
Papa de 1958 a 1963, São João XXIII foi um pastor de profunda oração, humildade e confiança na Providência. Conhecido como o “Papa Bom”, testemunhou a caridade de Cristo no cuidado com os pobres, enfermos e encarcerados. Dócil ao Espírito Santo, convocou o Concílio Vaticano II para renovar o ardor evangelizador da Igreja e conduzir os fiéis à santidade.
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Frases de São João XXIII

"Assim que uma alma é criada por Deus para um novo ser humano, especialmente quando a graça dos sacramentos a envolve com luz inefável, um anjo é chamado das hostes piedosas, pacíficas e jubilosas do céu que permanecerá ao nosso lado durante toda a nossa peregrinação terrestre."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: Guardian Angels, p. 38)
"Cumprimente o seu anjo da guarda para que ele cuide de você e saiba o quão grato você é pelo seu cuidado; dessa forma, você tem os meios para dissipar a nuvem de qualquer infelicidade ocorrida durante o dia e restaurar a paz interior."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: Guardian Angels, p. 39)
"Existem três qualidades que um jovem deve ter: alegria, sabedoria e força, as quais ele expressa com dignidade e coragem."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: To Youth, p. 36)
"As respostas de Jesus às três tentações do demônio são claras, explícitas e peremptórias até o último comando ressonante: Amarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: The Devil, p. 43)
"O matrimônio não é simplesmente uma função da natureza, mas também um grande sacramento, um grande sinal de graça, algo muito santo, enobrecendo o casamento e dotando-o com o próprio significado do sacramento."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: Marriage, p. 48)
"O Senhor absolve o pecador que se arrependeu e o conduz à salvação através do Sacramento da Penitência, que absolve todos os pecados, sejam grandes ou pequenos."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: Sin, Sinner, Forgiveness, p. 52)
"Fazer penitência pelos nossos pecados, como Jesus nos ordenou explicitamente, é o meio que o homem pecador tem para obter o perdão e alcançar a salvação eterna."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: Penance, p. 54)
"A penitência interior é necessária, sobretudo; isto é, a penitência e a absolvição dos próprios pecados, que se alcança especialmente pela boa confissão e comunhão e pela participação no santo sacrifício da missa."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: Penance, p. 56)
"Pedimos a Deus três favores: pureza de coração, fortaleza de caráter e amor à caridade."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: To the Seminarians, p. 58)
"O silêncio é o guardião seguro de todas as virtudes, especialmente da castidade e da caridade, sendo garantia de uma eficaz obra pastoral silenciosamente comprometida com a busca da perfeição."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: The Priesthood, p. 63)
"Não alcançamos a perfeição nem o verdadeiro amor a Deus e a Cristo sem uma profunda devoção à Eucaristia, que é a vida de todos os fiéis."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: The Priesthood, p. 64)
"A castidade abre os vossos corações ao amor mais verdadeiro, mais amplo e mais universal que pode existir na terra, no serviço de Cristo."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: The Religious Orders, p. 70)
"Ao final da viagem, quando o Anjo do Senhor anuncia que a viagem terminou, a porta do tempo se fecha, mas no mesmo instante a porta da eternidade se abre de par em par, e então começa a verdadeira vida, sem dor nem lágrimas."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Today's World: Life, p. 154)
"Cada um de nós é obrigado a examinar o seu passado, refletir sobre todas as suas falhas e resolver compensá-las para renovar a sua vida espiritual."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Today's World: Life, p. 154)
"A nossa vida pode ser dita uma grande procissão, todos nós juntos debaixo da Cruz, a mesma que Cristo carregou até o Calvário, e carregar a Cruz é trabalhoso e sacrificial, mas necessário para seguir em frente."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Today's World: Life, p. 155)
"Para sermos dignos do Paraíso, devemos provar a nós mesmos nos dias de provação, sofrimento e sacrifício, mantendo sempre viva em nós a ideia do céu e lembrando que nenhuma lágrima passa despercebida."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Today's World: Life, p. 156)
"Os sofrimentos desta vida mortal, que servem de expiação, elevam e dignificam o espírito e tornam possível a aquisição da glória eterna."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, The Sick and Suffering: The Afflicted and Troubled, p. 195)
"É verdadeiramente grande quem tem grande caridade; é verdadeiramente prudente quem considera as coisas desta terra como lixo para ganhar a Cristo e desfrutar da verdadeira luz que abre os horizontes da eternidade."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, The Sick and Suffering: To the Blind, p. 198)
"No amor de Cristo, não podemos viver sem a dor; as dores físicas da terra não são males absolutos, mas possibilidades de contribuição para a salvação do mundo."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, The Sick and Suffering: Sickness, p. 199)
"Que os que sofrem realizem a sua missão durante a vida e jamais se sentirão sós; no Paraíso colherão os frutos de seus esforços espirituais onde não há mais lágrimas, nem dor, nem separação."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, The Sick and Suffering: Sickness, p. 200)
"Um juiz deve interpretar a lei rigorosamente e derivar sanções à imagem de Deus, que é um juiz justo, forte e conhecedor."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Urgent Problems: To the Judiciary, p. 255)
"O esquecimento da pureza e a perversão da moralidade exibidos em toda parte por meio de tantas formas de sedução e prevaricação são fonte de dor para o sacerdote e de profunda amargura para o Papa."
(JOÃO XXIII, Papa. The Teachings of Pope John XXIII: A Guide to the Words and Writings of Pope John XXIII. Editado por Michael Chinigo. New York: Grosset & Dunlap, 1967, Church Renewal: Against Bad Habits, p. 44)
"O pensamento do passado me torna humilde e envergonhado; o pensamento do presente é consolador porque a misericórdia ainda me é mostrada; o pensamento do futuro me encoraja na esperança de compensar o tempo perdido."
(RONCALLI, Angelo Giuseppe. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, My Soul Is in These Pages, p. 24)
"De que nos adiantaria possuir até mesmo todo o ouro do mundo ao preço de perder a nossa alma?"
(RONCALLI, Angelo Giuseppe. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, To My Beloved Family: May You All Be Good Christians, p. 39)
"E então vocês devem rezar, rezar sempre e rezar bem, ir frequentemente à confissão e à santa comunhão e ter um grande amor pelo Sagrado Coração de Jesus e por Nossa Senhora."
(RONCALLI, Angelo Giuseppe. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, To My Beloved Family: May You All Be Good Christians, p. 40)
"Ó Senhor, ó Bem-Aventurada Maria, sou fraco; dai-me forças para suportar esta dor como sinal do meu amor por vós que fostes crucificado por mim."
(RONCALLI, Angelo Giuseppe. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, To My Beloved Family: Desire Nothing but God's Will, p. 50)
"No último dia do julgamento particular e universal, a cada indivíduo será perguntado não se conseguiu restaurar a unidade, mas se rezou, trabalhou e sofreu por ela."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, That All May Be One: The Miracle of Love, p. 65)
"Esta unidade harmoniosa que deve existir no círculo familiar nasce da santidade e da indissolubilidade do casamento cristão."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, That All May Be One: Unity in the Family, p. 65)
"Antes de tudo e acima de tudo está o mal, o pecado; a paz é a feliz herança daqueles que guardam a lei divina."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, Lord, Grant Us Your Peace: Peace to Men of Good Will, p. 70)
"Separado de Deus, o homem não passa de um monstro, em si mesmo e para com os outros; pois a reta ordem da sociedade humana pressupõe a reta ordem da consciência do homem com Deus."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, In the Bright Light of Truth: Finding Ourselves in God, p. 91)
"Cada um de nós pode dizer com São Paulo: regozijo-me nos meus sofrimentos e os completo na minha carne pelo corpo de Cristo, que é a Igreja."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, As the Council Draws Near, p. 101)
"Não é difícil para mim entender agora que o início da santidade reside no meu abandono total à santa vontade do Senhor, mesmo nas pequenas coisas."
(RONCALLI, Angelo Giuseppe. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, My Soul Is in These Pages: Total Abandonment to God's Will, p. 29)
"Não desejo e não penso em outra coisa senão viver e morrer pelas almas que me foram confiadas."
(RONCALLI, Angelo Giuseppe. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, My Soul Is in These Pages: Shepherd and Pastor of Souls, p. 31)
"Devo estar sempre pronto para morrer, mesmo de morte súbita, e também para viver enquanto aprouver ao Senhor deixar-me aqui em baixo."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, My Soul Is in These Pages: Ready for Life or Death, p. 34)
"Ó Jesus, aqui estou diante de vós; vós estais sofrendo e morrendo por mim, velho como sou agora e aproximando-me do fim do meu serviço e da minha vida."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, My Soul Is in These Pages: Hearts Beating Together, p. 36)
"Direcionem todas as suas ações e os seus sacrifícios para este fim: que todos sirvam para torná-los mais felizes e contentes no Paraíso."
(RONCALLI, Angelo Giuseppe. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, To My Beloved Family: May You All Be Good Christians, p. 39)
"Demos uma séria reflexão à salvação de nossas almas."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, That They May Be One: Loving Other Christians in the Lord, p. 61)
"Além disso, nossa jornada por esta vida mortal não deve ser considerada como um fim em si mesma, empreendida apenas por prazer; esta jornada leva além do sepultamento de nossa carne humana para a vida imortal, para uma pátria que durará para sempre."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, Lord, Grant Us Your Peace: We Are Called Brothers, p. 78)
"Qualquer pessoa que ataca consciente e deliberadamente a verdade conhecida, armando-se com a falsidade em seu falar, em seus escritos ou em sua conduta, envolve-se em um negócio totalmente desprezível."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, In the Bright Light of Truth: Men and Women Can Discover the Truth, p. 89)
"Os cristãos devem ser para o mundo o que a alma é para o corpo."
(JOÃO XXIII, Papa. My Heart Speaks: Wisdom from Pope John XXIII. Organizado por Jeanne Kun. Ijamsville: Word Among Us Press, 2000, The Fruits of the Council: The Call to the Laity, p. 138)

Biografia de São João XXIII

São João XXIII nasceu em 1881, em Sotto il Monte, na região de Bérgamo, na Itália, recebendo no Batismo o nome de Angelo Giuseppe Roncalli. Filho de Giovanni Battista Roncalli e Marianna Mazzola, cresceu numa família numerosa de trabalhadores rurais, em um ambiente de fé e simplicidade. A oração familiar e a participação na vida paroquial foram sua primeira escola de amor a Deus. Ali aprendeu que a vida cristã se realiza também no trabalho humilde, na perseverança e no cuidado com os outros. Seu tio Xavier teve especial importância nessa formação religiosa. Mesmo quando se tornou Papa, conservou a gratidão por suas origens: reconhecia naquele lar modesto o terreno em que o Senhor fizera amadurecer sua vocação.

 

O desejo de pertencer inteiramente a Deus

 

Angelo ingressou no seminário de Bérgamo em 1892. Sua preparação não se limitou aos estudos: desde jovem, cultivou o desejo de tornar-se um sacerdote santo, atento à vontade de Deus e disponível para servir à Igreja. Durante a adolescência, começou a escrever reflexões, exames de consciência e propósitos espirituais, posteriormente reunidos no Diário de uma alma. Esses registros revelam um caminho perseverante de conversão, no qual procurava reconhecer as próprias fraquezas e corresponder à graça. A santidade não aparece neles como uma conquista fácil, mas como um compromisso renovado ao longo dos anos. A direção espiritual e a disciplina do seminário ajudaram-no a crescer na humildade, na fidelidade e no amor à sua vocação.

 

A humildade e a espiritualidade franciscana

 

Ainda seminarista, aproximou-se da espiritualidade de São Francisco de Assis. Foi admitido na Ordem Franciscana Secular em 1896 e professou sua regra no ano seguinte. Essa pertença acompanhou sua vida e encontrou expressão no gosto pela simplicidade, na fraternidade e no desapego da própria importância. Roncalli não deixou de assumir responsabilidades exigentes, mas procurou vivê-las sem fazer delas um motivo de exaltação pessoal. Mais tarde, ao refletir sobre sua eleição ao papado, reconheceria a grandeza do ministério recebido e sua própria pequenez diante dele. Essa consciência não o paralisava: conduzia-o à confiança em Deus. Sua humildade consistia em acolher o que lhe era confiado, sabendo que precisava da graça para cumprir sua missão.

 

Um sacerdote dedicado ao cuidado das almas

 

Depois de prosseguir sua formação em Roma, Angelo foi ordenado sacerdote em 1904. No ano seguinte, tornou-se secretário de Dom Giacomo Maria Radini Tedeschi, bispo de Bérgamo. Acompanhando-o em visitas pastorais e iniciativas diocesanas, aprendeu a conhecer as necessidades do povo e a unir a vida de oração ao trabalho apostólico. Também ensinou no seminário e colaborou com obras e associações católicas. O estudo e as tarefas administrativas tinham sentido dentro de sua entrega sacerdotal: servir à Igreja e ajudar as pessoas a aproximarem-se de Cristo. A convivência com seu bispo fortaleceu nele a solicitude pelos pobres e a compreensão de que o pastor deve conhecer o sofrimento de seu rebanho, não apenas dirigir suas atividades.

 

A caridade junto aos feridos e aos que sofriam

 

Durante a Primeira Guerra Mundial, Roncalli prestou assistência sanitária e exerceu o ministério de capelão junto aos soldados hospitalizados em Bérgamo. Encontrou homens feridos, famílias angustiadas e pessoas confrontadas com a possibilidade da morte. Nessas circunstâncias, sua vocação sacerdotal tornou-se presença de consolo, escuta e auxílio espiritual. O sofrimento dos outros exigia uma caridade concreta, capaz de permanecer próxima quando as palavras não eram suficientes. Terminada a guerra, continuou a dedicar-se à formação dos jovens e ao acompanhamento espiritual dos seminaristas. Em 1921, assumiu responsabilidades na Obra da Propagação da Fé na Itália. Seu zelo missionário ampliava aquele mesmo desejo: colaborar para que mais pessoas conhecessem o Evangelho e recebessem os dons da vida cristã.

 

Obediência e paz: um programa de santidade

 

Consagrado bispo em 1925, escolheu o lema “Obediência e paz”. Essas palavras resumem uma disposição espiritual que atravessou sua vida. A obediência significava acolher a vontade de Deus e os serviços que a Igreja lhe confiava, inclusive quando exigiam mudanças, renúncias e longos períodos longe de sua terra. A paz nascia dessa entrega e da confiança em Jesus Cristo. Na Bulgária, onde foi enviado como visitador apostólico, encontrou dificuldades pastorais e uma comunidade católica pequena. Procurou fortalecer os fiéis e estabelecer relações respeitosas com os demais cristãos. As provações dessa missão aprofundaram sua união com Jesus crucificado. Seu caminho de santificação passava pela paciência, pela perseverança e pela disposição de servir sem exigir condições favoráveis.

 

A caridade que reconhecia um irmão em cada pessoa

 

Nas missões que exerceu na Turquia e na Grécia, Roncalli continuou a agir como sacerdote e pastor. A convivência com ortodoxos e muçulmanos ofereceu-lhe oportunidades de demonstrar respeito e benevolência, sem deixar de testemunhar sua fé católica. Durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou em iniciativas de auxílio aos perseguidos, procurou notícias de prisioneiros e colaborou para proteger judeus ameaçados. Sua atenção não se restringia aos que pertenciam à sua comunidade religiosa. Reconhecia nas pessoas em perigo vidas que precisavam ser defendidas. Também como núncio na França, a partir de 1944, buscou conservar a simplicidade evangélica em situações complexas. A prudência e a capacidade de diálogo estavam a serviço da caridade, não de uma ambição de prestígio.

 

A oração e a devoção à Santíssima Virgem

 

A atividade de Roncalli era sustentada por uma vida interior perseverante. A oração e a meditação acompanhavam suas responsabilidades, mantendo-o consciente de que o sacerdote precisa permanecer unido ao Senhor para servir com fidelidade. Sua devoção à Santíssima Virgem também se expressou no incentivo ao Santo Rosário. Já Papa, ensinou que essa oração deve conduzir à contemplação dos mistérios de Jesus e de Maria, ao exame da própria vida e à súplica pelas necessidades dos irmãos. Não a apresentava como repetição vazia, mas como caminho de união com Deus e de crescimento na caridade. Ao recomendar o Rosário pela paz, unia a confiança na intercessão de Nossa Senhora à preocupação com as famílias, a Igreja e os povos.

 

O pastor de Veneza e o chamado à Cátedra de Pedro

 

Em 1953, Roncalli foi criado cardeal e nomeado patriarca de Veneza. Depois de muitos anos a serviço da Santa Sé em outros países, pôde dedicar-se diretamente ao cuidado de uma diocese. Visitava as comunidades e acompanhava sacerdotes, religiosos e fiéis, procurando exercer uma verdadeira paternidade espiritual. A idade avançada não diminuiu sua disposição de servir. Em 1958, foi eleito Papa e escolheu o nome João XXIII. Acolheu esse chamado com humildade, consciente de que a responsabilidade ultrapassava suas forças humanas. Seus escritos espirituais mostram que não considerava o pontificado uma realização pessoal: recebia-o como serviço à Igreja de Cristo, para o qual precisava permanecer disponível, tanto na vida quanto diante da morte.

 

O Papa Bom e as obras de misericórdia

 

Como sucessor de Pedro, São João XXIII tornou visível a proximidade do pastor com aqueles que mais necessitavam de consolo. Visitou hospitais e a prisão de Regina Coeli, em Roma, levando aos doentes e encarcerados a presença paterna da Igreja. Esses gestos correspondiam às obras de misericórdia que procurava praticar: aproximar-se dos que sofrem, confortar os aflitos e recordar a dignidade de cada pessoa. Seu trato cordial e sua mansidão fizeram com que fosse chamado de “Papa Bom”. Essa bondade tinha raízes mais profundas que um temperamento afável. Era alimentada pela oração e pelo esforço de viver o Evangelho. Ao lado da ternura, havia coragem: sua caridade não o afastava das responsabilidades, mas orientava a maneira de assumi-las.

 

O Concílio como serviço à fé e à santificação

 

Em 1959, João XXIII anunciou a convocação do Concílio Vaticano II, solenemente aberto em 1962. Seu desejo era que a Igreja anunciasse a fé recebida com renovado vigor e conduzisse os homens a Cristo. A preparação do Concílio, para ele, exigia mais que estudos e organização: pediu aos bispos que se preparassem pela santidade de vida e exortou os fiéis à oração ao Espírito Santo. Convidou também os doentes e sofredores a oferecerem suas dores por essa intenção. Essa perspectiva revela o centro espiritual de sua iniciativa. A renovação da Igreja deveria brotar da graça, da fidelidade e da conversão. Destacou a oração e a Eucaristia como fontes indispensáveis de um ministério pastoral fecundo.

 

A mansidão e a firmeza no anúncio da verdade

 

Na abertura do Vaticano II, João XXIII reafirmou a responsabilidade de conservar o patrimônio da fé e de apresentá-lo de maneira pastoralmente adequada. Seu apelo à misericórdia não significava indiferença à verdade. Desejava que a Igreja ajudasse os homens a reconhecer e acolher a verdade de Cristo, sem se deixar dominar pelo medo ou pelo desalento. Sua confiança era uma expressão de esperança cristã: a Igreja pertence ao Senhor e é assistida pelo Espírito Santo. João XXIII acompanhou a primeira sessão do Concílio, mas não viveu para assistir à conclusão dos trabalhos, realizada sob Paulo VI. Sua contribuição permanece ligada à coragem de iniciar esse serviço, confiando à Providência frutos que ele mesmo não chegaria a contemplar.

 

A paz como fruto da justiça e da caridade cristã

 

O empenho de São João XXIII pela paz também nasceu de sua missão de pastor. Diante da ameaça de guerra, via famílias, crianças e povos expostos ao sofrimento. Seu apelo durante a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, expressou essa solicitude pela vida humana. Nas encíclicas Mater et Magistra e Pacem in terris, ensinou a responsabilidade cristã perante o trabalho, a justiça e a convivência entre os povos. A paz não poderia sustentar-se apenas em interesses ou acordos: precisava de verdade, justiça, caridade e liberdade. Sua preocupação com essas questões não o afastava da salvação das almas. Mostrava as consequências do Evangelho na vida social e a necessidade de reconhecer, em cada pessoa, a dignidade recebida de Deus.

 

A entrega a Deus na enfermidade e na morte

 

Nos últimos meses de vida, João XXIII enfrentou uma grave doença. A fragilidade física colocou diante dele, de modo mais próximo, aquela disponibilidade que cultivara durante tantos anos: continuar a servir enquanto Deus lhe concedesse a vida e acolher a morte quando chegasse sua hora. Em seus escritos, manifestou o desejo de não recusar nem a vida nem a morte, permanecendo entregue ao Senhor. Essa atitude ilumina sua esperança cristã e seu desapego da própria vontade. Morreu no Vaticano em 3 de junho de 1963, aos oitenta e um anos. O pastor que havia confortado tantas pessoas no sofrimento chegava ao fim de sua peregrinação sustentado pela fé em Cristo e pela confiança na misericórdia divina.

 

A santidade reconhecida pela Igreja

 

João XXIII foi beatificado por São João Paulo II em 2000 e canonizado pelo Papa Francisco em 27 de abril de 2014. Na homilia da canonização, Francisco destacou sua docilidade ao Espírito Santo e apresentou-a como uma característica de sua santidade. A Igreja não o propõe à veneração apenas pela importância de seu pontificado, mas por uma vida na qual a graça produziu frutos de fé, esperança e caridade. Sua humildade, sua obediência, sua mansidão e seu zelo pastoral formam um testemunho de pertença a Cristo. São João XXIII ensina que a bondade evangélica é uma força espiritual: nasce da oração, permanece firme na verdade e se torna serviço amoroso aos irmãos. Sua vida convida os fiéis a buscar a santidade nas responsabilidades cotidianas, confiando em Deus e correspondendo à sua graça.

 

Referências bibliográficas

 

  1. JOÃO XXIII. Il giornale dell’anima e altri scritti di pietà. 3. ed. Roma: Edizioni di Storia e Letteratura, 1964.
  2. JOÃO XXIII. Mater et Magistra: carta encíclica sobre a evolução da questão social à luz da doutrina cristã. 15 de maio de 1961. In: Acta Apostolicae Sedis. Cidade do Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis, vol. 53, 1961, p. 401–464.
  3. JOÃO XXIII. Allocutio in sollemni SS. Concilii inauguratione: Gaudet Mater Ecclesia. 11 de outubro de 1962. In: Acta Apostolicae Sedis. Cidade do Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis, vol. 54, n. 14, 1962, p. 786–796.
  4. JOÃO XXIII. Pacem in Terris: carta encíclica sobre a paz de todos os povos na base da verdade, justiça, caridade e liberdade. 11 de abril de 1963. In: Acta Apostolicae Sedis. Cidade do Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis, vol. 55, 1963, p. 257–304.
  5. SANTA SÉ. Profilo biografico di Giovanni XXIII. In: Libretto della celebrazione per la canonizzazione dei beati Giovanni XXIII e Giovanni Paolo II. Cidade do Vaticano, 27 de abril de 2014.
  6. FONDAZIONE PAPA GIOVANNI XXIII. Cronologia essenziale. Bérgamo: Fondazione Papa Giovanni XXIII, sem data. Publicação eletrônica.
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