São Domingos Sávio
1842-1857Místico no cotidiano do Oratório, destacou-se pela pureza heroica e pelo espírito de penitência, alcançando êxtases e visões sobrenaturais.
Frases de São Domingos Sávio
Biografia de São Domingos Sávio
São Domingos Sávio nasceu em 2 de abril de 1842, em Riva di Chieri, Itália, filho de Carlos Sávio, um ferreiro, e Brígida, uma costureira. Desde o berço, sua vida foi um reflexo da graça divina, manifestada em uma piedade que transcendia sua pouca idade.
Infância e Primórdios da Santidade
Desde os quatro anos, Domingos já rezava sozinho e demonstrava uma obediência exemplar. Aos cinco anos, tornou-se acólito na paróquia de Murialdo, impressionando o pároco, Padre João Zucca, por sua reverência: mesmo sob chuva ou neve, Domingos esperava de joelhos na porta da igreja que ela fosse aberta para a missa. Devido à sua baixa estatura, ele mal conseguia mover o pesado missal do altar, mas o fazia com alegria santa.
A Primeira Comunhão e o Pacto de Santidade
Aos sete anos, em uma época em que a comunhão era reservada aos mais velhos, Domingos recebeu o Santíssimo Sacramento pela primeira vez, tamanha era sua maturidade espiritual. Naquele dia de luz, ele escreveu em seu devocionário os quatro pilares que sustentariam sua vida:
- Confessar-me-ei frequentemente e farei a comunhão sempre que o confessor permitir.
- Quero santificar os dias festivos.
- Meus amigos serão Jesus e Maria.
- Antes morrer que pecar.
Vida Escolar e Heroísmo das Pequenas Coisas
Aos dez anos, para continuar seus estudos, Domingos caminhava cerca de dez quilômetros diariamente, descalço para poupar os sapatos e sob sol escaldante ou frio intenso. Quando questionado se não temia andar sozinho, respondia: “Eu não estou sozinho; o meu anjo da guarda está sempre comigo”.
Um dos episódios mais marcantes de sua virtude ocorreu na escola de Mondonio. Dois colegas encheram a estufa de neve, causando fumaça e danos. Para evitar a expulsão dos culpados, Domingos aceitou em silêncio a punição e a humilhação pública de ajoelhar-se no chão. Quando a verdade foi descoberta e o professor lhe perguntou por que não se defendeu, ele respondeu: “Eu lembrei que Nosso Senhor também foi falsamente acusado e permaneceu em silêncio”.
O Encontro com Dom Bosco: O Pano e o Alfaiate
Em outubro de 1854, Domingos conheceu São João Bosco. Após um breve diálogo e o teste de decorar uma página do livro Leituras Católicas em apenas oito minutos, Dom Bosco percebeu que estava diante de uma alma excepcional. Domingos disse-lhe: “Eu sou o pano, o senhor é o alfaiate; leve-me consigo e faça um belo traje para o Senhor”.
No Oratório de Valdocco, sob o lema Da mihi animas, caetera tolle (Dai-me almas e levai o resto), Domingos floresceu. Ele fundou a Companhia da Imaculada Conceição, um grupo de jovens dedicados ao auxílio mútuo na santidade e na limpeza do oratório. Sua alegria era contagiante, pois ele afirmava: “Nós fazemos a santidade consistir em estar muito alegres”.
Caridade Heroica e o Milagre do Escapulário
Durante a epidemia de cólera em Turim, Domingos foi um dos quarenta e quatro voluntários que ajudaram os doentes. Pela inspiração divina, ele encontrou uma mulher moribunda em um sótão desconhecido, insistindo com Dom Bosco que ali havia alguém precisando de um padre.
Em outro momento sobrenatural, Domingos obteve permissão para visitar sua mãe, que estava em trabalho de parto difícil e em perigo de morte. Ele colocou no pescoço dela um escapulário de seda verde com a imagem da Virgem e ela foi milagrosamente curada.
Manifestações Sobrenaturais e Visões
Domingos frequentemente entrava em êxtase. Certa vez, foi encontrado atrás do altar mor, imóvel, após seis horas de oração profunda, sem perceber a passagem do tempo. Ele teve visões sobre o futuro da fé católica na Inglaterra, que Dom Bosco comunicou pessoalmente ao Papa Pio IX.
A Partida para a Pátria Celeste
A saúde frágil de Domingos declinou rapidamente devido a uma inflamação pulmonar. Em março de 1857, ele teve que deixar o Oratório para Mondonio. Ao despedir-se de Dom Bosco, disse: “Vou-me e não voltarei mais”.
Em sua agonia final, após ser submetido a sangrias dolorosas que aceitou com serenidade comparando-as aos cravos de Cristo, Domingos entrou em um sono tranquilo. De repente, acordou com o rosto radiante e exclamou as suas últimas e célebres palavras: “Adeus, papai… Oh, que belas coisas eu vejo!”. Era a noite de 9 de março de 1857; ele tinha apenas 14 anos e 11 meses.
A Glória Póstuma
Um mês após sua morte, ele apareceu ao seu pai cercado por uma luz ofuscante, confirmando que estava no Paraíso. Em 1876, ele apareceu em um sonho profético a Dom Bosco, vestido com uma túnica branca tecida de ouro e uma faixa vermelha — símbolo da pureza preservada ao custo de sacrifícios — liderando uma multidão de jovens.
São Domingos Sávio foi canonizado em 12 de junho de 1954 pelo Papa Pio XII, tornando-se o “pequeno, mas grande gigante do espírito” e o modelo perfeito para a juventude de todos os tempos.
Referências bibliográficas:
BEEBE, Catherine. Saint John Bosco and the Children’s Saint, Dominic Savio. Ilustrado por Robb Beebe. New York: Farrar, Straus & Cudahy (Vision Books), 1955,.
BOSCO, Teresio. Santo Domingo Savio. Traduzido por Basilio Bustillo.
BOSCO, Saint John. The Life of Saint Dominic Savio. Traduzido da quinta edição italiana por Paul Aronica, S.D.B. Paterson, New Jersey: Salesiana Publishers & Distributors, 1955.