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Santo Atanásio

Santo Atanásio

296-373
Santo Atanásio, cujo nome brilha como um farol de verdade na história do cristianismo, é venerado como o "Pai da Ortodoxia" e o baluarte invencível contra a heresia ariana. Sua vida foi uma epopeia de fidelidade heróica, marcada por milagres, visões e uma santidade que desarmava até seus inimigos mais ferrenhos.
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Frases de Santo Atanásio

"A pureza da alma é suficiente por si mesma para refletir a Deus, como o Senhor também diz: Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus."
(ATANÁSIO, Santo. Contra os Pagãos (Contra Gentes), Parte 3, Seção 34.)
"Pois assim como para aqueles que andam segundo o Seu exemplo, o prêmio é a vida eterna, assim também para aqueles que andam pelo caminho oposto, e não pelo da virtude, há grande vergonha e perigo sem perdão no dia do juízo."
(ATANÁSIO, Santo. Contra os Pagãos (Contra Gentes), Parte 3, Seção 47.)
"A imortalidade e o reino dos céus são os frutos da fé e da devoção a Ele, contanto que a alma esteja adornada de acordo com as Suas leis."
(ATANÁSIO, Santo. Contra os Pagãos (Contra Gentes), Parte 3, Seção 47.)
"Mas para o exame das Escrituras e o verdadeiro conhecimento delas, é necessária uma vida honrada, uma alma pura e aquela virtude que é segundo Cristo."
(ATANÁSIO, Santo. A Encarnação do Verbo (De Incarnatione Verbi), Capítulo 9, Seção 57.)
"Ele tomou da imaculada Virgem Maria a nossa humanidade, Cristo Jesus, a quem Ele entregou de Sua própria vontade para sofrer por nós."
(ATANÁSIO, Santo. Exposição de Fé (Expositio Fidei), Seção 1.)
"Mas como, se zombas da Cruz, não te maravilhas com a ressurreição? Ou por que, ao fazeres menção à Cruz, silencias sobre os mortos que ressuscitaram e os cegos que recuperaram a visão?"
(ATANÁSIO, Santo. A Encarnação do Verbo (De Incarnatione Verbi), Capítulo 8, Seção 50.)
"Se a consagração nos é dada em Nome do Pai e do Filho, e eles não confessam um verdadeiro Pai... não é o rito administrado por eles totalmente vazio e inútil?"
(ATANÁSIO, Santo. Quatro Discursos Contra os Arianos (Orationes contra Arianos), Discurso II, Capítulo 18, Seção 42.)
"Assim como, se um homem deseja ver a Deus, que é invisível por natureza e não pode ser visto de modo algum, ele pode conhecê-lo e apreendê-lo por meio de Suas obras."
(ATANÁSIO, Santo. Contra os Pagãos (Contra Gentes), Parte 3, Seção 35.)
"Sempre que os demônios veem os homens com medo, eles aumentam suas ilusões para que os homens fiquem ainda mais aterrorizados; e, finalmente atacando, zombam deles."
(ATANÁSIO, Santo. Vida de Santo Antão (Vita Antonii), Capítulo 6, Seção 42.)
"Pois quando a alma tem sua faculdade espiritual em um estado natural, a virtude é formada. E está em um estado natural quando permanece como veio à existência."
(ATANÁSIO, Santo. Vida de Santo Antão (Vita Antonii), Capítulo 3, Seção 20.)
"A alma, tendo se afastado da contemplação das coisas do pensamento... foi enganada e abusou do nome do bem, e pensou que o prazer era a própria essência do bem."
(ATANÁSIO, Santo. Contra os Pagãos (Contra Gentes), Parte 1, Seção 3.)

Biografia de Santo Atanásio

 

Atanásio nasceu na Alexandria, a “pérola do Mediterrâneo”, por volta do ano 296 ou 298 d.C.. Desde a infância, sua alma demonstrava uma inclinação sobrenatural para as coisas de Deus. Conta-se que, enquanto ainda era um menino, foi visto pelo Patriarca Alexandre brincando na praia com outras crianças; Atanásio, com uma gravidade além de seus anos, encenava os ritos sagrados e “batizava” seus companheiros. O Patriarca, discernindo a mão de Deus sobre o jovem, tomou-o sob sua proteção e ordenou que ele fosse educado para o serviço do altar.

Sua formação foi vasta, unindo a sabedoria da filosofia grega à profundidade das Sagradas Escrituras, que ele chamava de sua “grande universidade”. Ainda jovem, Atanásio buscou a solidão do deserto, onde serviu como acólito ao grande Santo Antônio, o Eremita. Foi sob a tutela do “Pai dos Monges” que sua alma foi inflamada pelo fogo da santidade e ele aprendeu a disciplina ascética que o sustentaria em suas futuras provações. Aqueles que o conheciam descreviam-no como “gentil e forte”, possuidor de uma mente humilde e um “rosto de anjo”.

 

O Campeão de Niceia e a Defesa do Verbo

 

A paz da Igreja foi rudemente abalada quando Ário, um presbítero de Alexandria, começou a semear a discórdia, negando a divindade eterna de Jesus Cristo. Atanásio, então um jovem diácono e secretário do Patriarca Alexandre, ergueu-se como o principal defensor da fé. No Grande Concílio de Niceia (325 d.C.), suas palavras eram como diamantes, cortando os véus de erro com que os arianos tentavam obscurecer a verdade.

Embora fosse pequeno em estatura, sua presença no Concílio foi gigante. Ele foi o arquiteto espiritual do Credo Niceno, lutando pela palavra Homoousios (consubstancial), que afirmava que o Filho é da mesma substância do Pai. Por sua eloquência e zelo, ele atraiu o ódio eterno dos inimigos de Cristo, que passaram a persegui-lo como lobos a um cordeiro.

 

O Patriarcado e os Prodígios da Providência

 

Com a morte do santo Alexandre, Atanásio foi aclamado por todo o povo fiel como seu sucessor. No leito de morte, Alexandre chamara por ele, prevendo sob inspiração divina: “Atanásio, tu pensas que podes escapar, mas não será assim”. Aos trinta anos, ele assumiu o peso do patriarcado com a coragem de um soldado de Cristo.

Seu governo foi marcado por atos de caridade e milagres. Quando Frumentius chegou da Etiópia contando sobre a conversão daquele povo, Atanásio, movido pelo Espírito Santo, consagrou-o bispo, selando assim a fé naquela terra distante.

Entretanto, as trevas da heresia não descansavam. Seus inimigos forjaram acusações infames, incluindo o assassinato de um bispo chamado Arsênio, cuja mão decepada eles exibiam em uma caixa de madeira para “provar” a bruxaria de Atanásio. No Concílio de Tiro, em um momento de pura intervenção divina, Atanásio trouxe o próprio Arsênio vivo e oculto sob um manto. Ao revelar o rosto de Arsênio e mostrar suas duas mãos intactas, Atanásio ironizou: “Creio que Deus não deu a nenhum homem mais de duas mãos”. Seus inimigos, cegos pelo ódio, alegaram que aquilo era um “truque de magia”, mas o povo viu ali a mão justiceira de Deus.

 

O Exílio e o Refúgio nos Desertos

 

Por sua lealdade à verdade, Santo Atanásio sofreu cinco exílios, totalizando dezessete anos de banimento sob as ordens de imperadores injustos. Foi enviado para Tréveris, na Gália, onde sua santidade e virtude converteram o coração do jovem Constantino II. Em Roma, ele encontrou um aliado no Papa Júlio e plantou as sementes da vida monástica no Ocidente.

Durante o seu terceiro e mais dramático exílio, as tropas imperiais cercaram a igreja de St. Theonas durante uma vigília noturna. Enquanto flechas voavam e espadas brilhavam, Atanásio permaneceu sentado em seu trono, ordenando que o povo cantasse o Salmo 136: “Porque a sua misericórdia dura para sempre”. Em um prodígio de proteção divina, ele foi carregado por monges através das fileiras dos soldados, que pareciam ter os olhos vendados por Deus, escapando ileso para a escuridão da noite.

Atanásio passou anos escondido nos desertos do Egito, protegido por uma rede de monges que prefeririam morrer a entregá-lo. Ele era o “Patriarca Invisível”, cuja voz, no entanto, movia o mundo através de tratados e cartas que refutavam a heresia e encorajavam os fiéis. Ele vivia entre os monges como um deles, mais mortificado e sereno do que os próprios eremitas.

 

O Crepúsculo do Guerreiro de Deus

 

Sob o governo do imperador Juliano, o Apóstata, Atanásio foi novamente perseguido. Enquanto fugia pelo Nilo em um pequeno barco, percebeu que uma galé imperial o perseguia. Com uma calma sobrenatural, ordenou que seu barco desse meia-volta e enfrentasse os perseguidores. Quando os soldados de Juliano gritaram: “Vistes Atanásio?”, o santo respondeu: “Ele está muito perto; apressai-vos!”. Sem o reconhecerem, os soldados aceleraram o passo em vão, enquanto o bispo retornava em segurança para Alexandria.

Em seus últimos anos, Atanásio viu o triunfo final da causa de Niceia. Ele escreveu a vida de seu amado mestre, Santo Antônio, uma obra que inspiraria inúmeras almas, incluindo o próprio Santo Agostinho, a abraçar a vida religiosa.

No dia 2 ou 3 de maio de 373 d.C., após quarenta e oito anos de um episcopado heróico, Atanásio passou pacificamente da agitação deste mundo para o repouso eterno do Senhor. Ele morreu como viveu: uma rocha contra a qual as ondas do erro se quebraram, deixando para a Igreja o legado da fé inabalável na divindade de Cristo, “o mesmo ontem, hoje e para sempre”.

 


Referências bibliográficas

 

  • Forbes, F. A. Saint Athanasius: The Father of Orthodoxy. London: R. & T. Washbourne, Ltd., 1919.
  • Athanasius, Saint. The Complete Works of Saint Athanasius. Toronto, Ontario: Public Domain, 2016.
  • Hough, Lynn Harold. Athanasius: The Hero. Cincinnati: Jennings and Graham, 1906.
  • Athanasius, Saint. Historical Tracts of S. Athanasius, Archbishop of Alexandria. Oxford: John Henry Parker, 1843.
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