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Santo Antônio de Pádua

Santo Antônio de Pádua

1195-1231
Nascido em Lisboa como Fernando, Santo Antônio é o "Doutor Evangélico" da Igreja. Sua santidade floresceu na Ordem Franciscana, onde uniu profunda humildade a uma erudição prodigiosa.
Ficou célebre por sua eloquência mística, convertendo hereges e defendendo os pobres contra a usura. Operador de milagres em vida, sua relação íntima com o divino é simbolizada pela visão do Menino Jesus. Faleceu em Pádua, sendo canonizado em tempo recorde por seu inegável odor de santidade.
Leia a biografia completa aqui ↓

Frases de Santo Antônio de Pádua

"Como te confessaste, assim deves emendar-te. São muitos os que confessam os próprios pecados, mas não se corrigem nunca."
(SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA. Sermões. Tradução de Pe. Geraldo Monteiro, OFM Conv. São Paulo: Mensageiro de Santo Antônio, 2011, vol. 1, p. 492)
"O bom pastor reúne os cordeirinhos que ainda não conseguem andar, toma-os nos braços e leva-os junto ao peito."
(SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA. Sermões. Tradução de Pe. Geraldo Monteiro, OFM Conv. São Paulo: Mensageiro de Santo Antônio, 2011, vol. 1, p. 450)
"Vive e comporta-te hoje, como se tivesses de morrer amanhã. E quando tiveres sugado o veneno da culpa, recorre logo ao contravenenno da sincera e sentida confissão."
(SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA. Sermões. Tradução de Pe. Geraldo Monteiro, OFM Conv. São Paulo: Mensageiro de Santo Antônio, 2011, vol. 1, p. 195)
"O diabo, que, por causa da cruz, perdeu seu poder sobre o gênero humano, tem horror de aproximarse da cruz."
(SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA. Sermões. Tradução de Pe. Geraldo Monteiro, OFM Conv. São Paulo: Mensageiro de Santo Antônio, 2011, vol. 1, p. 402)
"Assim, se ofendes a Cristo com o pecado mortal e lhe fazes qualquer outra injúria, mas depois lhe ofereces a flor da contrição ou a rosa de uma confissão banhada pelas lágrimas – as lágrimas são o sangue da alma – ele não se lembrará mais da tua ofensa, perdoa a culpa e corre para te abraçar e beijar."
(SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA. Sermões. Tradução de Pe. Geraldo Monteiro, OFM Conv. São Paulo: Mensageiro de Santo Antônio, 2011, vol. 1, p. 325)
"Jejuai, pois, se quiserdes conseguir estas duas coisas: a vitória sobre o diabo e a restituição da graça perdida."
(SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA. Sermões. Tradução de Pe. Geraldo Monteiro, OFM Conv. São Paulo: Mensageiro de Santo Antônio, 2011, vol. 1, p. 248)
"Na hora da morte, as folhas das riquezas cairão, a água dos prazeres secará, e então o infeliz pecador ficará nu e seco."
(SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA. Sermões. Tradução de Pe. Geraldo Monteiro, OFM Conv. São Paulo: Mensageiro de Santo Antônio, 2011, vol. 1, p. 812)
"Deixemos que as palavras cessem e que as nossas obras falem... o nosso discurso está vivo quando as nossas obras falam."
(SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA. Sermões. Tradução de Pe. Geraldo Monteiro, OFM Conv. São Paulo: Mensageiro de Santo Antônio, 2011, vol. 1, p. 556)

Biografia de Santo Antônio de Pádua

Nascimento e Alvorada da Santidade em Lisboa

 

Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, provavelmente em 15 de agosto de 1195, na festa da Assunção de Nossa Senhora. Filho primogênito de uma família da nobreza, seus pais, identificados posteriormente como Martim de Bulhom e Maria, eram tidos como justos diante de Deus e dedicados aos Seus mandamentos. No batismo, recebeu o nome de Fernando.

Desde a infância, o jovem Fernando demonstrou uma alma predestinada, preferindo a oração e o auxílio aos pobres às vaidades da corte. Uma de suas primeiras manifestações sobrenaturais ocorreu ainda menino na Catedral de Lisboa: ao ser tentado pelo demônio, o pequeno Fernando traçou o Sinal da Cruz nos degraus do altar, o que afugentou instantaneamente o maligno e deixou a marca da cruz impressa na pedra. Seus pais confiaram sua instrução à escola da Catedral de Santa Maria, onde ele cresceu sob a proteção da Virgem e no amor às Sagradas Escrituras.

 

A Vida sob a Regra de Santo Agostinho

 

Aos quinze anos, impulsionado pelo desejo de servir a Deus em reclusão, Fernando ingressou na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho no Mosteiro de São Vicente de Fora. Buscando maior isolamento para suas orações e estudos, transferiu-se dois anos depois para o Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, um renomado centro de saber teológico.

Durante cerca de dez anos como agostiniano, Fernando mergulhou profundamente no estudo da Bíblia e dos Santos Padres, especialmente Santo Agostinho. Sua memória era tão prodigiosa que, em sua alma, ele carregava um “tesouro” de conhecimento divino, preparando-se para sua futura missão como Doutor da Igreja. Acredita-se que tenha sido ordenado sacerdote por volta de 1218, enquanto ainda residia em Coimbra.

 

A Chama do Martírio e a Vocação Franciscana

 

Em 1220, a vida de Fernando foi transformada pelo exemplo de cinco frades franciscanos martirizados em Marrocos, cujas relíquias foram trazidas para Coimbra. Inflamado pelo desejo de martírio e pela humildade daqueles “mendigos de Cristo”, ele decidiu ingressar na Ordem dos Frades Menores.

Ao receber o hábito no convento de Olivares, assumiu o nome de Antônio, em honra a Santo Antão, o eremita. Ao partir, um cônego agostiniano comentou ironicamente que ele talvez se tornasse um santo, ao que Antônio respondeu humildemente: “Quando ouvires que me tornei um santo, louvarás a Deus”. Pouco depois, partiu para Marrocos com o intuito de pregar aos sarracenos e dar a vida por Cristo, mas a Providência Divina tinha outros planos: uma grave doença o manteve prostrado todo o inverno, forçando seu retorno.

 

 Do Exílio ao Encontro com São Francisco

 

No mar, uma violenta tempestade desviou seu navio para a Sicília, de onde Antônio viajou para o Capítulo das Esteiras em Assis, em 1221. Lá, o jovem frade passou despercebido por todos, ocultando sua vasta cultura sob um véu de profunda humildade. Ele foi finalmente aceito pelo provincial da Romagna, que o enviou ao eremitério de Montepaolo.

Em Montepaolo, Antônio viveu em uma caverna, dedicando-se a penance e à contemplação, alimentando-se de pão e água. Sua sabedoria permanecia oculta até que, em uma ordenação em Forlì, foi solicitado a pregar. Ao abrir a boca, as palavras de Antônio, movidas pelo Espírito Santo, deixaram a todos maravilhados por sua profundidade bíblica e eloquência celestial. Ao saber disso, São Francisco escreveu-lhe pessoalmente, chamando-o de “meu bispo” e ordenando que ensinasse teologia aos frades, desde que o espírito de oração não fosse extinto pelo estudo.

 

 O “Martelo dos Hereges” e o Doutor Evangélico

 

Santo Antônio tornou-se o primeiro leitor de teologia da Ordem Franciscana, ensinando em Bolonha, Montpellier e Toulouse. Sua pregação era tão poderosa que ele foi chamado de Malleus Haereticorum (Martelo dos Hereges), combatendo erros com doçura e lógica divina. Em Arles, enquanto Antônio pregava sobre a cruz, São Francisco apareceu miraculosamente no meio dos frades, abençoando a assembleia.

Sua conexão com o sobrenatural era constante. Conta-se que, ao pregar em Rimini contra hereges que se recusavam a ouvi-lo, Antônio dirigiu-se à foz do rio e pregou aos peixes, que surgiram da água em multidão para escutar a palavra de Deus. Outra manifestação notável foi o Milagre da Mula, que, mesmo após dias de jejum, preferiu ajoelhar-se diante da Sagrada Eucaristia do que comer sua ração, convertendo um incrédulo.

 

Visões Celestiais e o Mistério do Menino Jesus

 

A visão mais célebre de sua vida ocorreu em um castelo na França (ou, segundo outras fontes, em Camposampiero): enquanto Antônio rezava, o próprio Menino Jesus apareceu-lhe, repousando em seus braços e cobrindo-o de carícias celestiais. Esta visão simboliza sua união íntima com a humanidade de Cristo e sua sabedoria infusa.

Antônio também era dotado do dom da bilocação. Em certa ocasião, enquanto pregava na França, lembrou-se de que devia cantar uma lição no coro de seu convento; foi visto simultaneamente pregando no púlpito e cumprindo seu dever no coro. Além disso, possuía o espírito de profecia, prevendo o martírio de um notário pecador que o ridicularizava em Puy-en-Velay.

 

A Páscoa do Santo e sua Glória Eterna

 

Antônio passou seus últimos anos em Pádua, onde suas pregações levavam multidões de trinta mil pessoas ao arrependimento e à paz social. Sentindo o fim próximo, retirou-se para Camposampiero, onde viveu em uma pequena cela construída entre os galhos de uma nogueira gigante.

Em 13 de junho de 1231, após um ataque de fraqueza, pediu para ser levado de volta a Pádua. Ele faleceu no convento de Arcella, entoando o hino à Virgem Maria: “O Gloriosa Domina”. Suas últimas palavras, ao olhar para o céu com olhos radiantes, foram: “Eu vejo o meu Senhor”.

Santo Antônio foi canonizado pelo Papa Gregório IX apenas onze meses após sua morte, em 30 de maio de 1232. Durante a cerimônia, o Papa invocou-o espontaneamente como Doutor da Igreja, título que foi formalmente confirmado por Pio XII em 1946 como Doutor Evangélico. Em 1263, ao abrir seu túmulo, sua língua foi encontrada incorrupta, rubra e viva, testemunhando para sempre que aquela língua jamais deixara de bendizer a Deus e conduzir as almas ao Céu.

 

Referências Bibliográficas

 

  1. HUBER, Raphael M. (O.F.M.Conv., S.T.D.). St. Anthony of Padua: Doctor of the Church Universal. Milwaukee-Washington, copyright 1948. Esta obra fornece uma análise detalhada da vida, milagres e o processo que levou Santo Antônio a ser declarado Doutor da Igreja.
  2. CLASEN, Sophronius (O.F.M.). St. Anthony: Doctor of the Gospel. Tradução de Ignatius Brady, O.F.M. Chicago: Franciscan Herald Press, 1961. (Original em alemão: Antonius, Diener des Evangeliums und der Kirche). Foca na missão evangélica e nos locais onde o santo viveu.
  3. ANTÔNIO DE PÁDUA, Santo. Sermões. Tradução de Frei Ary E. Pintarelli, OFM. Petrópolis: Editora Vozes, 2019. (Original em italiano: I Sermoni). Reúne o pensamento teológico e as pregações originais do santo.
  4. O’BRIEN, Isidore (OFM). Saint Anthony of Padua: Life of the Wonder-Worker. Boston: St. Paul Editions, 1976 (3ª Edição). Obra voltada para a vida devocional e os prodígios do santo.

 

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