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Santa Josefina Bakhita

Santa Josefina Bakhita

1869-1947
Nascida no Sudão, viveu anos de escravidão cruel antes de ser levada à Itália, onde o tribunal declarou sua liberdade legal. Ingressou no Instituto das Irmãs Canossianas, dedicando-se por 50 anos à vida religiosa.
Sua santidade é fundamentada na "caridade heróica" e na humildade absoluta no serviço comunitário. A Igreja a canonizou baseada na sua total conformidade à vontade divina e no perdão aos seus torturadores, elevando-a como Padroeira dos Oprimidos e símbolo da dignidade cristã restaurada pela graça.
Leia a biografia completa aqui ↓

Frases de Santa Josefina Bakhita

"Quando alguém está tão apaixonado por outro, tudo o que essa pessoa deseja é estar perto dele. Então, por que eu deveria ter tanto medo da morte? A morte nos leva a Deus."
(ZANINI Roberto Italo. Bakhita Inchiesta su una santa per il 2000. Cinisello Balsamo Edizioni San Paolo 2000. p. 19)
"Se o Senhor permitir, enviarei tantas graças do paraíso para a salvação das almas."
(ZANINI Roberto Italo. Bakhita Inchiesta su una santa per il 2000. Cinisello Balsamo Edizioni San Paolo 2000. p. 19)
"Se eu encontrasse aqueles traficantes de escravos que me sequestraram e até mesmo aqueles que me torturaram, eu me ajoelharia e beijaria suas mãos porque se tudo isso não tivesse acontecido, eu não seria cristã e nem religiosa agora."
(WALLACE Susan Helen. Saint Bakhita of Sudan Forever Free. Boston Pauline Books & Media 2006. p. 81)
"Seja bom, ame o Senhor, reze pelas almas infelizes que ainda não o conhecem. Que graça é conhecer a Deus!"
(WALLACE Susan Helen. Saint Bakhita of Sudan Forever Free. Boston Pauline Books & Media 2006. p. 81)

Biografia de Santa Josefina Bakhita

 

O Alvorecer em Olgossa e a Sombra do Sequestro

 

Nascida por volta de 1869, no seio de uma família nobre e abastada da tribo Daju, no vilarejo de Olgossa, região de Darfur, Sudão, aquela que o mundo aclamaria como santa viveu uma infância banhada em felicidade. Seu pai, irmão do chefe da aldeia, proporcionava-lhe uma vida de relativa abundância, onde ela cresceu ignorante da dor até o dia em que sua irmã mais velha foi levada por traficantes de escravos, o primeiro cálice de amargura que sua família provaria.

Mesmo antes de conhecer a Revelação cristã, Bakhita possuía uma alma naturalmente contemplativa. Ao observar a beleza dos campos, das flores e das estrelas, ela se perguntava: “Quem é o dono de coisas tão belas?”. Esse “senso de Deus” inato preparou seu coração para o encontro com o verdadeiro “Paròn” (Patrão), que ela buscaria incansavelmente após ser arrancada de seu lar.

 


O Mistério da “Afortunada” e a Proteção Angélica

 

Por volta dos nove anos, enquanto colhia flores, Bakhita foi capturada por dois árabes armados. O trauma foi tão devastador que ela esqueceu o próprio nome de batismo tribal, sendo chamada por seus captores, em um gesto de ironia cruel, de Bakhita — que em árabe significa “Afortunada”.

Em meio à escuridão da floresta, durante uma tentativa de fuga com uma companheira chamada Binah, a jovem vivenciou uma manifestação sobrenatural: uma figura luminosa e belíssima apareceu para guiar seus passos e protegê-las das feras. Décadas mais tarde, já como religiosa na Itália, ela reconheceria aquele jovem resplandecente como seu Anjo da Guarda.

Vivida sob o domínio de diversos senhores, sua provação atingiu o ápice sob um general turco. Ela foi submetida ao rito brutal da tatuagem por incisão: 114 cortes profundos foram feitos em seu corpo, nos quais se esfregou sal para que as cicatrizes ficassem salientes. Sofreu ainda mutilações cruéis destinadas a apagar sua feminilidade. Contudo, Bakhita afirmaria mais tarde que a Virgem Maria a protegeu, mantendo-a fisicamente virgem e pura em meio à lama do cativeiro.

 


A Providência em Solo Italiano: O Encontro com Cristo

 

A mão de Deus se manifestou plenamente quando o cônsul italiano Callisto Legnani a comprou em Cartum, em 1883. Tratada com dignidade paternal, Bakhita viajou para a Itália em 1885, sendo entregue aos cuidados da família Michieli em Zianigo. Lá, tornou-se babá da pequena Alice — Mimmina —, a quem amava profundamente.

Foi por meio de Illuminato Checchini, administrador da família, que ela recebeu o primeiro presente de sua vida: um crucifixo de prata. Ao olhar para a imagem de Cristo, Bakhita sentiu uma força misteriosa. Ao entrar no Instituto dos Catecúmenos das Irmãs Canossianas em Veneza, em 1888, ela descobriu que aquele homem na cruz era o Filho de Deus. Quando a Sra. Michieli tentou forçá-la a retornar à escravidão na África, a dócil Bakhita revelou uma firmeza heróica:

“Não sairei daqui, porque não quero perder a Deus.”

A justiça italiana declarou-a legalmente livre em 29 de novembro de 1889.

 


A Esposa de Cristo e a “Teologia das Duas Malas”

 

No dia 9 de janeiro de 1890, Bakhita recebeu o batismo, a crisma e a comunhão pelas mãos do Patriarca de Veneza, assumindo o nome de Josefina Margarida Fortunata Maria. Sua alegria era indescritível: “Aqui me tornei filha de Deus”, declarava.

Sentindo o chamado à vida consagrada, ingressou no noviciado canossiano, sendo encorajada pelo futuro São Pio X. Professou seus votos em 8 de dezembro de 1896. Transferida para Schio em 1902, viveu os 45 anos seguintes servindo como cozinheira, sacristã e porteira.

Com uma humildade abismal, Bakhita desenvolveu uma sabedoria mística única. Ela descrevia sua preparação para o céu através da “Parábola das Duas Malas”: para o julgamento divino, levaria uma mala pequena com seus pecados, coberta pelos méritos de Maria, e uma mala pesada contendo os méritos infinitos de Jesus. Sua presença era um ímã espiritual — durante as guerras, os habitantes de Schio acreditavam que a cidade era protegida pelas preces daquela que chamavam de “Irmã Universal”.

 


O Tabor da Dor e o Trânsito para a Glória

 

Os últimos anos de Santa Josefina foram marcados por doenças terríveis: bronquite asmática, artrite e elefantíase. Quando uma irmã comentou que ela estava em seu calvário, Josefina corrigiu com um sorriso celeste:

“Não estou no Calvário, estou no Tabor.”

Em sua agonia, no dia 8 de fevereiro de 1947, ela reviveu os fantasmas do passado, clamando em sofrimento: “Soltem as correntes, pesam tanto!”. No entanto, seu último suspiro foi um êxtase de luz:

“Como estou feliz… Nossa Senhora!… Nossa Senhora!”

Após a morte, ocorreu um fenômeno que assombrou médicos e fiéis: seu corpo permaneceu flexível, quente e com um colorito rosado, sem qualquer sinal de rigor mortis por dias. Milhares de pessoas acudiram para tocar suas mãos, sentindo o perfume de sua santidade.


Milagres e Canonização

 

A glória de Bakhita foi selada por milagres incontestáveis. O primeiro, para sua beatificação, foi a cura de Irmã Angela Silla, que sofria de tuberculose óssea incurável no joelho e foi instantaneamente curada após uma novena à Santa. O segundo, para a canonização, foi a cura da brasileira Eva da Costa, cujas feridas diabéticas profundas — que expunham o osso — desapareceram milagrosamente em 1992.

São João Paulo II, ao canonizá-la em 1º de outubro de 2000, apresentou-a como um farol de esperança e perdão: uma mulher que afirmou que, se encontrasse seus algozes, beijaria suas mãos — pois através deles encontrou a Cristo.

 


Referências  Bibliográficas

 

  • Olmi, Véronique. Bakhita. Albin Michel, 2017.
  • Zanini, Roberto Italo. Bakhita: Inchiesta su una santa per il 2000. Edizioni San Paolo, 2000.
  • Roullet, Hervé. La esclava indomable: Biografía de Bakhita, la santa sudanesa. Ediciones Rialp, 2019.
  • Wallace, Susan Helen. Saint Bakhita of Sudan: Forever Free. Pauline Books & Media, 2006.
  • Hall, Marjorie; Ismail, Bakhita Amin. Sisters under the sun: the story of Sudanese women. Longman Publishing, 1981.
  • Roche, Aloysius. Bakhita: Pearl of the Sudan. St Paul Publications, 1964.

 

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