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Santa Clara de Assis

Santa Clara de Assis

1194-1253
Santa Clara de Assis fundou a Ordem das Clarissas, abraçando o ideal franciscano de pobreza evangélica radical. A Igreja a venera como um luminoso exemplo de vida contemplativa e total confiança na providência. Em clausura, uniu intensa penitência à profunda devoção eucarística, chegando a repelir invasores sarracenos apenas com o ostensório. Sua santidade atesta que o desapego absoluto do mundo e a adoração silenciosa são vias perfeitíssimas de união com Deus.
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Frases de Santa Clara de Assis

"E como é estreita a porta que conduz à vida e poucos são os que a encontram bem-aventurados são aqueles que recebem a graça de caminhar nesse caminho e de perseverar até o fim."
(Clara de Assis. Testamento de Santa Clara, 71-73. In: Armstrong, Regis J., ed. e trad. Clare of Assisi: Early Documents. New York: Paulist Press, 1988, p. 59.)
"Breve é a nossa labuta neste mundo mas eterna será a recompensa não te seduzam os esplendorosos deste mundo que desaparecem como sombra."
(Clara de Assis. Carta a Ermentrude de Bruges, 5. In: Armstrong, Regis J., ed. e trad. Clare of Assisi: Early Documents. New York: Paulist Press, 1988, p. 52.)
"Feche seus ouvidos aos sussurros do inferno e oponha-se bravamente aos seus ataques."
(Clara de Assis. Carta a Ermentrude de Bruges, 6. In: Armstrong, Regis J., ed. e trad. Clare of Assisi: Early Documents. New York: Paulist Press, 1988, p. 52.)
"Desde que conheci a graça de meu Senhor Jesus Cristo nenhum sofrimento me perturbou nenhuma penitência foi dura nenhuma doença foi árdua demais."
(Tomás de Celano. Legenda de Santa Clara, 44. In: Armstrong, Regis J., ed. e trad. Clare of Assisi: Early Documents. New York: Paulist Press, 1988, p. 241.)
"Por Amor a Cristo não há dor que me faça sofrer."
(Tomás de Celano. Legenda de Santa Clara, 44. In: Armstrong, Regis J., ed. e trad. Clare of Assisi: Early Documents. New York: Paulist Press, 1988, p. 241.)
"Vós que preferistes o desprezo do mundo às honrarias mundanas a pobreza às riquezas temporais e antes juntar um tesouro no céu que na terra onde nem a ferrugem nem a traça o corrompem nem os ladrões o desenterram ou roubam tereis no céu a recompensa."
(Clara de Assis. Primeira Carta à Beata Inês de Praga, 22-23. In: Armstrong, Regis J., ed. e trad. Clare of Assisi: Early Documents. New York: Paulist Press, 1988, p. 37.)
"Ó sagrada pobreza que o Senhor Jesus Cristo se dignou abraçar preferindo-a a todas as riquezas."
(Clara de Assis. Primeira Carta à Beata Inês de Praga, 15-17. In: Armstrong, Regis J., ed. e trad. Clare of Assisi: Early Documents. New York: Paulist Press, 1988, p. 36.)
"Fixa o teu olhar no espelho da eternidade deixa a tua alma banhar-se no esplendor da glória."
(Clara de Assis. Terceira Carta à Beata Inês de Praga, 12. In: Armstrong, Regis J., ed. e trad. Clare of Assisi: Early Documents. New York: Paulist Press, 1988, p. 45.)

Biografia de Santa Clara de Assis

 

O Nascimento e a Profecia da Luz

 

Santa Clara nasceu em Assisi entre 1193 e 1194, filha de Favarone di Offreduccio e de Ortolana, pertencentes à alta aristocracia da cidade. Antes mesmo de vir ao mundo, a santidade de Clara já era anunciada por um prodígio divino. Sua mãe, Ortolana, enquanto orava diante de uma cruz pedindo proteção para o parto, ouviu uma voz vinda do céu que lhe disse: “Ó senhora, não tenhas medo, pois darás à luz com alegria uma luz clara que iluminará o mundo”. Por essa razão, a criança recebeu o nome de Chiara (Clara), significando aquela que é brilhante e pura.

 

Uma Jovem Escolhida em Meio à Nobreza

 

Desde a infância, Clara demonstrou que seu coração não pertencia aos salões nobres, mas ao altar de Deus. Embora vivesse em um palácio luxuoso, ela mantinha uma vida de secreta penitência, usando um cilício de cerdas de porco por baixo de suas roupas de seda e contando suas orações com um punhado de pedrinhas. Sua caridade era admirada por todos em Assis; ela frequentemente privava-se de iguarias para enviá-las secretamente aos pobres através de sua fiel amiga Bona. Apesar de ser dotada de uma beleza notável, Clara recusou diversas propostas de casamentos nobres, mantendo sua intenção firme de preservar sua virgindade para o Esposo Celestial.

 

O Encontro com Francisco e a Fuga Sagrada

 

Ao ouvir os sermões inflamados de São Francisco, Clara sentiu o chamado definitivo. Eles se encontraram secretamente várias vezes, onde Francisco a exortava a desprezar as vaidades do mundo e a abraçar o “Cristo Pobre”. O momento culminante ocorreu no Domingo de Ramos de 1211 (ou 1212). Enquanto as outras damas se acotovelavam para receber as palmas, Clara permaneceu imóvel por timidez; percebendo isso, o Bispo Guido desceu os degraus e colocou a palma diretamente em suas mãos, em um gesto premonitório de sua eleição divina.

Naquela mesma noite, Clara fugiu de casa por uma porta secundária bloqueada por vigas pesadas, que ela moveu com uma força sobrenatural. Ela correu até a igrejinha da Porciúncula, onde os frades a esperavam com tochas. Diante do altar de Nossa Senhora, Francisco cortou seus cabelos e deu-lhe a túnica da pobreza, selando seu divórcio com o mundo.

 

 A Fortaleza de São Damião e o Privilégio da Pobreza

 

Clara foi levada inicialmente para mosteiros beneditinos, onde resistiu heroicamente às tentativas violentas de seus parentes de levá-la de volta. Pouco depois, sua irmã Inês juntou-se a ela, protagonizando outro milagre: quando os soldados do tio Monaldo tentaram arrastar Inês à força, o corpo da jovem tornou-se tão pesado que nem muitos homens conseguiram movê-la, e a mão do tio, erguida para golpeá-la, secou e ficou paralisada de dor.

Finalmente, Clara estabeleceu-se na igreja de São Damião, onde fundou a Ordem das Poveras Damas (Clarissas). Ali, ela obteve o inaudito “Privilégio da Pobreza”, o direito de viver sem possuir nada, recusando até mesmo as doações de terras oferecidas pelo Papa Gregório IX. Clara era o “Espelho da Perfeição”, lavando os pés das irmãs, limpando os leitos das doentes e passando noites inteiras em vigília e oração prostrada no chão.

 

Maravilhas e Proteção Sobrenatural

 

A vida de Clara em São Damião foi marcada por manifestações do poder de Deus. Entre os prodígios mais célebres estão:

  • O Milagre do Santíssimo Sacramento: Quando soldados sarracenos escalaram os muros do mosteiro, Clara, mesmo doente, fez-se levar à porta segurando o ostensório de marfim. Uma voz vinda da Eucaristia prometeu proteção, e os invasores, tomados por um medo súbito, fugiram desordenadamente.
  • Multiplicação dos Alimentos: Em tempos de extrema escassez, Clara multiplicou um único pão para alimentar cinquenta irmãs, e um jarro de óleo vazio foi encontrado milagrosamente cheio após sua oração.
  • Curas pelo Sinal da Cruz: Clara curou inúmeras irmãs de enfermidades como febres, fístulas incuráveis, surdez e até insanidade mental, simplesmente traçando o sinal da cruz sobre elas.

Visões Celestiais e Êxtases

 

Santa Clara foi agraciada com visões profundas que revelavam sua união com o divino:

  • A Visão do Peito de São Francisco: Ela viu a si mesma subindo uma escada e bebendo leite do peito de São Francisco, que se transformava em ouro puro, refletindo o mundo inteiro como um espelho.
  • A Visão do Natal: No Natal de 1252, impossibilitada de ir à igreja, Clara ouviu e viu de sua cela, em êxtase, toda a missa celebrada na Basílica de São Francisco, a quilômetros de distância, vendo inclusive o presépio do Senhor.
  • Aparição do Menino Jesus: Irmãs relataram ter visto um menino de beleza indescritível no colo de Clara durante suas orações, ou próximo a ela enquanto ouvia sermões.

O Trânsito Glorioso para a Eternidade

 

Após 28 anos de enfermidade, Clara aproximava-se do fim. O Papa Inocêncio IV visitou-a em seu leito de morte, dando-lhe a absolvição e confirmando sua Regra. No momento de sua partida, em 11 de agosto de 1253, uma das irmãs viu uma multidão de virgens vestidas de branco entrando no quarto; entre elas estava a Virgem Maria, que cobriu Clara com um manto de transparência divina e inclinou-se sobre ela em um beijo sagrado. Suas últimas palavras foram dirigidas à sua própria alma: “Vai em paz, pois tiveste uma boa escolta… Bendito sejas Tu, meu Senhor, que me criaste!”.

Mesmo após sua morte, milagres continuaram a ocorrer em seu túmulo: cegos recuperaram a vista, coxos voltaram a andar e possessos foram libertados, confirmando que a luz de Clara jamais se apagaria.

 

Referências bibliográficas:

 

Mueller, Joan. A Companion to Clare of Assisi: Life, Writings, and Spirituality. Leiden • Boston: Brill, 2010.

Armstrong, Regis J., ed. e trad. Clare of Assisi: Early Documents. New York • Mahwah: Paulist Press, 1988.

Caroli, Ernesto, a cura di. Fonti Francescane: scritti e biografie di san Francesco d’Assisi; scritti e biografie di santa Chiara d’Assisi. Nuova ed. Padova: EFR – Edizioni Francescane, 2004.

Armstrong, Regis J.; Brady, Ignatius C., trad. Francis and Clare: The Complete Works. New York • Mahwah: Paulist Press, 1982.

Leonardi, Claudio, a cura di. La letteratura francescana: Francesco e Chiara d’Assisi, Vol. 1. Commento di Daniele Solvi. Milano: Fondazione Lorenzo Valla / Arnoldo Mondadori Editore, 2004.

Poor Clares; Saint Clare (of Assisi). Rule and Testament of St. Clare and Constitutions of the Poor Clare Nuns. Chicago: Franciscan Herald Press, 1987.

Downing, Sr. Frances Teresa. Saint Clare of Assisi, Volume Four: The Spirituality of Her Letters: Letter Four. Phoenix: Tau Publishing, 2017.

Dhombre, Pierre; De la Fuente, Pierre. St. Clare of Assisi. Traduzido por Marianne Lorraine Trouvé. Boston: Pauline Books & Media, 1995.

Brady, Ignatius, trad. The Legend and Writings of Saint Clare of Assisi. St. Bonaventure, NY: The Franciscan Institute, 1953.

Bargellini, Piero. The Little Flowers of Saint Clare. Pádua: Messaggero Editions, 1972.

The Rule of the Holy Virgin Saint Clare. Dublin, 1807.

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