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Santo do Dia

22 de setembro de 2026

Santos Maurício e Companheiros, Soldados e Mártires
22 de setembro

Santos Maurício e Companheiros, Soldados e Mártires

Século III (martírio tradicionalmente situado por volta de 286–303)

São Maurício e seus companheiros foram soldados cristãos da chamada Legião Tebana, tradicionalmente apresentada como uma unidade militar procedente do Egito. Segundo a antiga tradição conservada por Santo Euquério de Lyon, Maurício era seu comandante e, juntamente com Exupério, Cândido e muitos outros soldados, recusou-se a participar de sacrifícios pagãos e a perseguir cristãos. Por permanecerem fiéis a Cristo, foram condenados à morte em Agauno, nos Alpes, tornando-se exemplos de fidelidade cristã diante do poder imperial.

A memória dos mártires de Agauno é preservada principalmente na Passio Agaunensium Martyrum, escrita por Santo Euquério, bispo de Lyon, por volta do ano 450. Ao apresentar seu relato, Euquério afirma que procurou informações junto a pessoas consideradas dignas de confiança e menciona especialmente o bispo Isaac de Genebra, que por sua vez havia recebido a tradição de São Teodoro de Octoduro.

Segundo Euquério, durante o governo do imperador Maximiano, uma perseguição contra os cristãos atingia diversas regiões do Império Romano. Naquele período encontrava-se no exército uma legião formada por soldados cristãos, tradicionalmente identificada como a Legião Tebana.

O comandante da legião era Maurício. Ao lado dele aparecem Exupério, identificado como porta-estandarte ou responsável pela formação militar, e Cândido, apresentado como um dos oficiais. Eles se destacavam por encorajar os demais soldados a permanecerem fiéis à fé cristã.

Quando receberam ordens relacionadas ao culto pagão e à perseguição dos cristãos, Maurício e seus companheiros recusaram-se a obedecer.

 

“Somos soldados do imperador, mas servos de Deus”

 

A Passio preserva uma das mais conhecidas respostas atribuídas aos soldados de Agauno. Eles declararam que eram soldados do imperador, mas, antes disso, eram servos de Deus.

A distinção era fundamental. Como militares, reconheciam suas obrigações perante a autoridade imperial; como cristãos, porém, não poderiam negar a Deus nem participar de atos que consideravam contrários à sua fé.

Maurício exortava seus companheiros a permanecerem firmes. Euquério relata que ele recordava aos soldados o exemplo de outros cristãos que já haviam entregado a vida por Cristo e os incentivava a aceitar o martírio caso fosse necessário.

Os soldados não pegaram suas armas para combater o imperador. Sua resistência foi apresentada como uma recusa em cometer aquilo que consideravam pecado. Preferiram morrer a obedecer a uma ordem que violasse sua fidelidade a Deus.

 

O martírio em Agauno

 

Ao tomar conhecimento da recusa, Maximiano ordenou que os soldados fossem mortos.

Segundo a Passio, inicialmente foi realizada uma decimação: um em cada dez soldados deveria ser executado como forma de intimidar os demais. Entretanto, os sobreviventes permaneceram firmes.

Novas ameaças não conseguiram fazê-los abandonar a fé.

Maurício e os demais continuaram a encorajar uns aos outros, declarando que estavam preparados para morrer pela fidelidade a Cristo. A tradição conservada por Euquério apresenta então o massacre dos soldados em Agauno, no lugar que posteriormente receberia o nome de Saint-Maurice.

O relato enfatiza que os mártires não ofereceram resistência armada. Embora tivessem armas, não as utilizaram contra aqueles que vieram executá-los. Para eles, era preferível morrer inocentes diante de Deus do que preservar a própria vida cometendo uma injustiça.

Entre os principais mártires lembrados pela tradição estão Maurício, Exupério e Cândido.

 

A memória dos mártires

 

A importância da comunidade cristã de Agauno é confirmada também pela tradição episcopal antiga. Euquério relata que São Teodoro de Octoduro havia identificado o local onde estavam os corpos dos mártires e providenciado a construção de uma basílica em sua memória.

A existência de um culto antigo no local é particularmente significativa porque demonstra que a veneração dos mártires de Agauno não surgiu apenas na Idade Média. Uma basílica cristã já existia ali no século IV, e a memória litúrgica de Maurício e seus companheiros foi posteriormente preservada em várias regiões da Igreja.

No início do século VI, Santo Avito de Vienne pregou uma homilia em 515 por ocasião da inauguração da igreja construída junto ao santuário dos mártires.

A tradição da Legião Tebana, contudo, deve ser distinguida daquilo que pode ser comprovado documentalmente. A principal narrativa escrita sobre o martírio surgiu aproximadamente um século e meio depois da época tradicional do acontecimento. Por isso, os detalhes referentes ao número total de soldados, à composição exata da legião e a toda a sequência do massacre pertencem à tradição transmitida por Euquério e não podem ser verificados independentemente com a mesma segurança.

O testemunho antigo, porém, preserva uma tradição cristã muito antiga sobre mártires venerados em Agauno e sobre sua fidelidade diante das exigências religiosas do poder imperial.

 

Fidelidade até a morte

 

São Maurício e seus companheiros permaneceram na memória da Igreja como soldados que compreenderam que o serviço militar não poderia exigir deles a negação de Deus.

Sua tradição não apresenta a coragem cristã como violência ou vingança. Ao contrário, os mártires de Agauno são apresentados como homens que possuíam armas, mas escolheram não empregá-las contra aqueles que os condenavam.

Maurício, Exupério, Cândido e seus companheiros entregaram a vida convencidos de que a fidelidade a Cristo estava acima da própria segurança.

Por isso, sua memória atravessou os séculos. No lugar de seu martírio, a comunidade cristã conservou seus nomes, venerou seus túmulos e construiu uma basílica em sua honra. A festa de São Maurício e seus companheiros é celebrada em 22 de setembro.

 

Referências bibliográficas

 

EUQUÉRIO DE LYON. Passio Agaunensium Martyrum. Século V, c. 450. Principal relato antigo sobre o martírio de São Maurício e seus companheiros.

AVITO DE VIENNE. Homilia pronunciada em 22 de setembro de 515 por ocasião da dedicação da igreja junto ao santuário dos mártires de Agauno.

MARTYROLOGIUM ROMANUM. Memória de São Maurício, Exupério, Cândido e companheiros, em 22 de setembro.

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