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Santo do Dia

21 de abril de 2026

Santo Anselmo de Cantuária
21 de abril

Santo Anselmo de Cantuária

1033-1109

Nascido em Aosta em 1033, Santo Anselmo foi marcado por uma infância de piedade profunda e visões místicas. No mosteiro de Bec, destacou-se como o maior pensador cristão de sua era, unindo fé e razão sob o lema "fides quaerens intellectum". Em 1093, tornou-se Arcebispo de Cantuária, enfrentando exílios ao defender a liberdade da Igreja contra monarcas normandos. Faleceu em 1109, sendo lembrado como o "Doutor Magnífico" e um pilar da santidade cristã

 

A vida de Santo Anselmo, conhecido como o “Doutor Magnífico”, é um testemunho radiante da união entre a inteligência suprema e a santidade heróica. Nascido em 1033 na cidade de Aosta, situada aos pés dos Alpes, Anselmo foi moldado desde cedo pela piedade profunda de sua mãe, Ermenberga, cujas sementes de paixão por Deus floresceram em uma alma destinada a iluminar a Cristandade. Ainda criança, em uma visão mística que prefigurava sua jornada espiritual, o pequeno Anselmo sonhou que escalava as montanhas até o palácio de Deus. Lá, encontrou o Rei Supremo e foi alimentado por Ele com um pão de brancura celestial, símbolo da sabedoria eucarística e doutrinal que mais tarde distribuiria ao mundo.

 

A Jornada para a Casa de Deus e a Ascensão em Bec

 

Apesar de um período de juventude marcado por conflitos com seu pai, Gundulf — um homem de temperamento mundano e pródigo — a chama da vocação monástica jamais se apagou no coração de Anselmo. Aos vinte e sete anos, guiado pela fama de Lanfranco, o maior mestre de seu tempo, ele cruzou os Alpes e chegou ao mosteiro beneditino de Notre Dame de Bec, na Normandia. Ali, sob a Regra de São Bento, Anselmo encontrou seu verdadeiro lar.

Em Bec, sua vida tornou-se uma oração contínua. Sua ascensão foi rápida, não por ambição, mas por obediência: tornou-se prior em 1063 e abbot em 1078. Foi nesta solidão fecunda que o Senhor lhe revelou mistérios profundos. Conta-se que, certa noite, enquanto meditava sobre como os profetas viam o futuro, Anselmo recebeu o dom da visão sobrenatural, conseguindo enxergar através das paredes do mosteiro os monges preparando o altar para as matinas, como se a matéria não fosse obstáculo para uma alma purificada. Mais impressionante ainda foi o testemunho de Riculfus, o sacristão, que certa noite viu Anselmo em oração na sala capitular, envolto em um globo de fogo resplandecente, uma manifestação visível do incêndio de amor divino que consumia seu interior.

 

O Pastor Compassivo e o Vaso de Milagres

 

Santo Anselmo não era apenas um místico das alturas; ele era um pai dotado de uma ternura quase materna por seus monges. Sua caridade manifestava-se em atos de profunda compaixão, como quando defendeu uma lebre caçada que buscava refúgio sob seu cavalo, proibindo que rissem do sofrimento do animal. Ele possuía o dom de discernir os corações, como demonstrou na conversão do jovem e rebelde Osberno, a quem conquistou com “santa astúcia” e bondade, acompanhando-o até a morte e recebendo dele, após o falecimento, a revelação de que os anjos o haviam protegido dos ataques da serpente antiga.

Os milagres acompanhavam seus passos como sinais da aprovação divina. Com o sinal da cruz, Santo Anselmo extinguiu incêndios devastadores que ameaçavam povoados e o próprio mosteiro. Em uma viagem, quando a provisão de alimentos era escassa, ele predisse a captura de um esturjão gigante em um rio próximo, provendo milagrosamente para seus companheiros. Em outra ocasião, sua oração fez brotar uma fonte de água doce no topo de uma colina seca em Liberi, para o alívio dos camponeses locais.

 

O Calvário em Canterbury e a Defesa da Liberdade da Igreja

 

A vontade de Deus, que Anselmo sempre buscou acima de tudo, chamou-o para o arcebispado de Canterbury em 1093. Ele aceitou o cargo sob violenta resistência, comparando sua união com o rei Guilherme Rufus a “atrelar um touro selvagem a uma ovelha velha e débil”. Seu episcopado foi um longo calvário de exílios e perseguições, onde ele defendeu com firmeza inabalável a liberdade da Igreja contra as usurpações reais.

Mesmo no exílio, sua santidade brilhava. No Concílio de Bari, ele foi o campeão da fé católica contra os erros dos gregos sobre a processão do Espírito Santo, sendo aclamado pelo Papa Urbano II como o “patriarca de um outro mundo”. Na Itália, ele concluiu sua obra monumental Cur Deus Homo, revelando por que Deus Se fez homem para a nossa redenção. Sua mera presença em Roma inspirava tanta veneração que as multidões o chamavam simplesmente de “O Santo”, e até mesmo os soldados inimigos baixavam as armas ao ver seu rosto angelical, buscando sua bênção.

 

O Trânsito Glorioso e a Eternidade na Glória

 

Nos seus últimos dias, já enfraquecido, Santo Anselmo desejava apenas viver o suficiente para resolver uma última questão teológica sobre a origem da alma. No entanto, o Senhor tinha outros planos. Três meses antes de sua partida, o monge Elias viu em visão São Dunstano oferecendo a Anselmo um anel de ouro, prometendo que ele o receberia plenamente na quarta-feira da Semana Santa.

Na madrugada de 21 de abril de 1109, enquanto o coro entoava os louvores matutinos e lhe era lida a Paixão de Nosso Senhor, Anselmo entregou sua alma ao Criador. No momento de sua morte, um homem enfermo em Canterbury foi visitado por um jovem radiante que lhe anunciou: “O pai desta cidade e de todo este país parte agora para viver eternamente com Deus”, curando-o instantaneamente. Após sua morte, o cinto de Santo Anselmo tornou-se uma relíquia de poder extraordinário, operando curas de paralisias, febres e auxiliando mulheres em partos difíceis por toda a Inglaterra.

Santo Anselmo permanece como um farol de luz para a Igreja, o monge que buscou a face de Deus com a paixão de um amante e a precisão de um filósofo, provando que a verdadeira sabedoria só é encontrada na humildade e na caridade perfeita.

 


Referências bibliográficas

  • EADMER. The Life of St Anselm, Archbishop of Canterbury (Vita Sancti Anselmi). Edição e tradução de R. W. Southern. Londres: Oxford University Press/Thomas Nelson and Sons Ltd, 1972.
  • ESSER, Matthias. Der ontologische Gottesbeweis und seine Geschichte. Bonn: Buchdruckerei von Seb. Foppen, 1905.
  • FROHLICH, Walter (Trad.). The Letters of Saint Anselm of Canterbury, Volume Two. Kalamazoo: Cistercian Publications, 1993.
  • HASSE, Friedrich Rudolph. Anselm von Canterbury. 2 volumes. Leipzig: 1843-1852.
  • RÉMUSAT, Charles de. Saint Anselme d’Aoste. Paris: Didier, 1853.
  • SHANNON, William H. Anselm: The Joy of Faith. New York: The Crossroad Publishing Company, 1999.
  • WELCH, Adam C. Anselm and His Work. New York: Charles Scribner’s Sons, 1901.

 

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