20 de abril de 2026
Santa Inês de Montepulciano permanece como uma das flores mais raras da espiritualidade toscana. Sua vida foi um contínuo entrelaçamento entre a humildade profunda e a manifestação gloriosa do poder divino através de prodígios que desafiam a natureza e elevam a alma.
Inês nasceu no ano de 1268, no pequeno vilarejo de Gracciano, próximo a Montepulciano. Desde o momento de sua entrada no mundo, o Céu deu sinais de sua futura grandeza: luzes esplendorosas e tochas ardentes surgiram milagrosamente na câmara de sua mãe, iluminando o ambiente com um brilho sobrenatural que assombrou as testemunhas presentes. Filha da nobre família Segni, especificamente de Lorenzo Segni, ela demonstrou desde muito jovem uma inclinação extraordinária para a oração, aprendendo a recitar o “Pai Nosso” e a “Ave Maria” com uma devoção que superava sua idade.
Enquanto outras crianças se perdiam em jogos mundanos, Inês buscava a solidão para conversar com Deus. Aos nove anos, após vencer a resistência inicial de seus pais, ela foi admitida no mosteiro das religiosas conhecidas como “Saccas”, em Montepulciano. Ali, vestindo o panno roZZo (pano grosso) como sinal de penitência, ela floresceu em obediência e paciência. Uma profecia feita por uma santa mulher da época já anunciava que aquela pequena noviça se tornaria uma “segunda Santa Inês” na Igreja, emulando a pureza da virgem e mártir romana.
A fama de sua santidade levou os cidadãos de Proceno a solicitarem a fundação de um novo mosteiro sob sua direção. Assim, com apenas quinze anos de idade e mediante uma dispensa especial do Papa Nicolau IV (ou Martinho IV, conforme a cronologia de certas fontes), Inês foi eleita Abadessa.
Sua vida em Proceno foi marcada por fenômenos celestiais:
Inês vivia em constante êxtase, sendo vista em oração elevada do solo (levitação) até a altura de um grande crucifixo, onde osculava as chagas do Salvador. Em uma de suas visões mais célebres, a Virgem Maria apareceu-lhe com o Menino Jesus nos braços. Inês, em um arrebatamento de amor, segurou a criança e, para ter um penhor eterno daquela união, retirou uma pequena cruz de ouro que o Menino trazia ao pescoço. Esta cruz permaneceu como uma relíquia física de sua experiência mística. Além disso, por dez domingos consecutivos, ela recebeu a Comunhão das mãos de um anjo sob uma oliveira no horto do mosteiro.
Apesar do amor que dedicava a Proceno, Deus reservava para Inês o retorno a Montepulciano. Através de uma visão simbólica de três navios — comandados por Santo Agostinho, São Francisco e São Domingos — foi-lhe revelado que ela deveria fundar um novo mosteiro sob a regra dos Frades Pregadores (Dominicanos), pois São Domingos havia avançado seu navio para recebê-la.
Ao chegar em Montepulciano em 1306, Inês escolheu para a fundação do mosteiro de Santa Maria Novella um local anteriormente ocupado por lupanares (casas de má fama). Onde antes imperava o vício, ela ergueu um castelo de virtudes, purificando o lugar com sua presença e orações.
Nos últimos anos de sua vida, afligida por graves enfermidades, Inês foi enviada por obediência aos banhos termais de Chianciano. Sua passagem por lá foi um tecido de milagres:
Santa Inês entregou sua alma a Deus em 20 de abril de 1317, aos 49 anos de idade. No momento de sua morte, de forma milagrosa, crianças pequenas em Montepulciano começaram a gritar pelas ruas: “A Santa morreu! A Santa morreu!”. De seu corpo emanava um perfume suavíssimo, e de suas mãos e pés brotou um bálsamo precioso e odorífero, coletado pelas irmãs como relíquia.
Seu corpo permaneceu incorrupto ao longo dos séculos. Décadas após sua morte, a grande Santa Catarina de Sena, que nutria por Inês uma profunda devoção, visitou seu túmulo. Enquanto Catarina se inclinava para beijar o pé da virgem, o pé de Santa Inês elevou-se milagrosamente em direção aos lábios de Catarina, um sinal de reconhecimento entre as duas grandes santas da Ordem Dominicana.