11 de setembro de 2026
O Beato Boaventura de Barcelona, nascido Miquel Baptista Gran Peris, foi um irmão leigo franciscano catalão, conhecido por sua profunda humildade, vida de oração e empenho pela renovação da vida religiosa franciscana. Depois de ficar viúvo, ingressou na Ordem dos Frades Menores e exerceu com simplicidade os serviços de cozinheiro, porteiro, enfermeiro e esmoleiro. Enviado a Roma, fundou a Riformella, movimento de retiro e renovação da observância franciscana. Foi conselheiro de importantes autoridades da Igreja e de vários papas. Morreu em Roma em 1684 e foi beatificado pelo Papa São Pio X em 1906.
Miquel Baptista Gran Peris nasceu em 24 de novembro de 1620, em Riudoms, na Catalunha, Espanha, em uma família humilde de agricultores. Desde criança demonstrava grande inclinação para a oração e para a vida espiritual, procurando reservar momentos do dia para estar diante do Santíssimo Sacramento e cultivar sua devoção a Nossa Senhora.
Embora desejasse consagrar-se a Deus, por obediência ao pai aceitou casar-se aos dezoito anos. O casamento, porém, durou pouco. Sua esposa morreu cerca de dezesseis meses depois, deixando-o livre para seguir o caminho religioso que havia desejado desde a juventude.
Em 14 de julho de 1641, ingressou no convento franciscano de Sant Miquel d’Escornalbou. Ao receber o hábito religioso, tomou o nome de Boaventura. Durante os anos seguintes, passou por diversos conventos franciscanos da Catalunha, entre eles os de Móra d’Ebre, Figueres e Terrassa.
Longe de buscar posições de destaque, desempenhava humildemente os trabalhos mais simples da comunidade. Foi cozinheiro, porteiro, enfermeiro e esmoleiro. Em todos esses serviços procurava unir o trabalho cotidiano à oração e à penitência, tornando-se conhecido entre os irmãos por sua profunda piedade e alegria no cumprimento das tarefas mais humildes.
Em 1658, depois de receber autorização de seus superiores, Frei Boaventura partiu para a Itália. Visitou importantes lugares de peregrinação, entre eles Assis e Loreto. Em Assis, no convento de São Damião, viveu uma experiência espiritual que marcou profundamente sua missão.
Segundo a tradição, recebeu então um chamado para ir a Roma e trabalhar pela renovação da vida franciscana. Chegando à cidade, foi destinado inicialmente ao convento de Aracoeli e depois ao Colégio de Santo Isidoro, onde exerceu o humilde ofício de porteiro.
Sua fama de santidade, prudência e sabedoria, porém, começou a se espalhar. Pessoas de diferentes condições sociais passaram a procurá-lo em busca de conselho e direção espiritual. Entre aqueles que recorreram à sua orientação estavam membros de importantes famílias romanas e cardeais.
Boaventura não possuía uma formação teológica extraordinária nem ocupava um cargo elevado. Era um simples irmão leigo. Sua autoridade espiritual vinha sobretudo de sua vida de oração, de sua humildade e de sua experiência de Deus.
Boaventura percebeu que muitos religiosos necessitavam recuperar o espírito de silêncio, pobreza, oração e recolhimento que havia caracterizado as origens franciscanas. Por isso, dedicou-se a estabelecer casas de retiro onde os frades pudessem afastar-se temporariamente das atividades exteriores e dedicar-se mais intensamente à oração e à contemplação.
Em 1662, fundou em Ponticelli, na região da Sabina, uma das primeiras dessas casas de retiro. Esse movimento ficou conhecido como Riformella e tornou-se uma importante iniciativa de renovação espiritual dentro da família franciscana.
Nesses retiros, os religiosos buscavam uma vida marcada pela pobreza, silêncio, penitência, contemplação e observância mais rigorosa da Regra de São Francisco. Boaventura fundou outras casas na região de Roma, entre elas a que posteriormente ficaria conhecida como São Boaventura no Monte Palatino.
Sua obra encontrou apoio de autoridades eclesiásticas e seus escritos sobre os retiros receberam aprovação pontifícia. Sua influência também alcançou os mais altos círculos da Igreja, chegando a atuar como conselheiro de quatro papas: Alexandre VII, Clemente IX, Clemente X e Inocêncio XI.
Apesar da estima que conquistou, Boaventura jamais abandonou a simplicidade que havia marcado toda a sua vida. Continuou sendo um irmão leigo franciscano, profundamente dedicado à oração e ao serviço.
Sua espiritualidade unia uma intensa vida contemplativa a uma caridade concreta. A tradição conservou relatos de experiências místicas e de sua grande influência espiritual sobre aqueles que o procuravam. Para ele, a reforma da vida religiosa não começava por estruturas exteriores, mas pela conversão do coração e pelo retorno ao espírito do Evangelho.
Nos últimos anos, permaneceu ligado à casa de retiro de São Boaventura, no Monte Palatino. Ali morreu santamente em 11 de setembro de 1684, aos 63 anos.
A devoção ao religioso espalhou-se depois de sua morte. Em 1775, o Papa Pio VI declarou-o Venerável. O processo de beatificação avançou lentamente até que fossem reconhecidos dois milagres atribuídos à sua intercessão.
Finalmente, o Papa São Pio X aprovou o decreto de beatificação em 21 de maio de 1906, e Boaventura de Barcelona foi solenemente beatificado em 10 de junho daquele ano, na Basílica de São Pedro, em Roma. Seus restos mortais foram posteriormente transferidos para sua cidade natal, Riudoms, onde permanecem venerados.
CHRISTINO DE ROMA, Frei. Resumen de la vida del V. siervo de Dios fr. Buenaventura Gran, llamado comúnmente fr. Buenaventura de Barcelona, lego recoleto de la provincia de Cataluña, y fundador del Sacro Retiro en la provincia reformada de Roma. Madrid: Joaquín Ibarra, 1763.
RECODER ANNEXI, José. El serafín catalán o sea el venerable siervo de Dios fr. Buenaventura de Barcelona, de los franciscanos recoletos de España, fundador de los retiros de la provincia reformada de Roma. Barcelona, 1867.
SERRANO ESTRELLA, Felipe. “Conventos y hospicios de las órdenes mendicantes españolas en la Roma moderna”. Boletín del Seminario de Estudios de Arte y Arqueología, n. 84, 2018, p. 219–254.
ORDO FRATRUM MINORUM. Franciscan Saints, Blesseds and Feasts.
CATHOLIC CHURCH. Roman Martyrology. Vatican City: Libreria Editrice Vaticana, 2004.