26 de outubro de 2026
A Beata Celina Borzęcka foi esposa, mãe, viúva e fundadora da Congregação das Irmãs da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, junto com sua filha Eduviges. Sua vida foi marcada pela fidelidade a Deus nas responsabilidades familiares, no cuidado do marido enfermo e nas provações da fundação religiosa. Profundamente unida a Cristo ressuscitado, dedicou-se à educação cristã e à formação espiritual das mulheres, ensinando a encontrar na cruz o caminho para uma vida renovada.
Celina Chludzińska nasceu em 29 de outubro de 1833, em Antowil, próximo de Orsha, numa região de tradição polonesa situada no território da atual Bielorrússia. Cresceu numa família católica que valorizava a oração, a formação intelectual, o trabalho e a responsabilidade para com o próximo.
Desde jovem, demonstrou sensibilidade para a vida espiritual. Desejava conhecer a vontade de Deus e orientar suas escolhas pela fé. A possibilidade de consagrar-se na vida religiosa começou a ocupar seu coração, acompanhada pelo desejo de pertencer inteiramente ao Senhor.
Entretanto, sua família esperava que se casasse. Celina levou essa situação à oração e, depois de um retiro e da orientação de seu confessor, acolheu o matrimônio como o caminho que deveria percorrer naquele momento.
Em 1853, casou-se com José Borzęcki. A união foi vivida com amor e dedicação. Celina assumiu as responsabilidades da casa e colaborou na administração da propriedade familiar, procurando conservar a atenção aos pobres e a fidelidade à vida cristã.
O desejo de entregar-se a Deus encontrou expressão no cuidado concreto do marido e dos filhos. A vida familiar tornou-se seu primeiro campo de santificação: amar, educar, servir e perseverar eram maneiras de responder diariamente à graça.
O casal teve quatro filhos, dos quais dois faleceram na infância. Celina conheceu, assim, a dor da perda de crianças pequenas. Na oração, buscou forças para atravessar o luto e continuar cumprindo suas responsabilidades maternas.
As duas filhas que sobreviveram, Celina e Eduviges, receberam uma educação atenta ao desenvolvimento humano e espiritual. A mãe desejava formar nelas uma fé consciente, acompanhada de honestidade, humildade e amor ao próximo.
Também respeitou o caminho particular de cada uma. A filha mais velha seguiu a vocação matrimonial; Eduviges, chamada Jadwiga em polonês, viria a compartilhar com a mãe a fundação de uma família religiosa. Celina procurou ajudá-las a reconhecer a vontade de Deus sem impor a ambas o mesmo destino.
A vida de Celina transcorreu numa época de tensões políticas e dificuldades para o povo polonês. Em 1863, sua ajuda aos participantes da insurreição contra o domínio czarista levou-a a sofrer prisão. A experiência acrescentou uma provação à sua caminhada de fé e de responsabilidade familiar.
Anos depois, em 1869, José sofreu um derrame cerebral que o deixou paralisado. A enfermidade modificou profundamente a rotina da família. Celina transferiu-se com o marido e as filhas para Viena, procurando proporcionar-lhe melhores cuidados.
Durante cinco anos, dedicou-se à assistência do esposo. Além das necessidades físicas, preocupava-se com seu conforto moral e espiritual. Sua presença paciente ajudava-o a enfrentar a dependência e as limitações impostas pela doença.
Ao mesmo tempo, continuou acompanhando a educação das filhas e as demais obrigações familiares. A perseverança nesse período exigiu uma entrega contínua, feita de atenção, renúncia e confiança em Deus.
Foi nesse contexto que começou a escrever suas memórias destinadas às filhas. Registrava experiências, reflexões e orientações que desejava deixar como herança espiritual. Nessas páginas, a maternidade aparece como uma missão que envolve tanto o cuidado cotidiano quanto a formação da consciência e da fé.
José faleceu em 1874. Viúva aos quarenta anos, Celina precisou reorganizar sua vida e discernir os passos seguintes. A perda do esposo não apagou os vínculos familiares: continuou a cuidar das filhas e, mais tarde, manteve atenção carinhosa aos netos.
Em 1875, viajou com as filhas para Roma. A permanência na cidade ofereceu oportunidades de formação cultural e espiritual, ao mesmo tempo que abriu uma nova etapa em sua busca pela vontade divina.
Na igreja de São Cláudio, conheceu o padre Pedro Semenenko, cofundador da Congregação da Ressurreição. Ele se tornou seu diretor espiritual e ajudou-a a reconhecer como o chamado à vida consagrada, percebido na juventude, poderia agora encontrar realização.
O encontro com a espiritualidade ressuscitacionista deu unidade às experiências de Celina. A paixão, a morte e a ressurreição de Jesus passaram a iluminar, de maneira cada vez mais profunda, sua compreensão da vida cristã.
A esperança da Ressurreição sustentava o esforço de abandonar o pecado, crescer na caridade e acolher a ação transformadora de Deus. Celina desejava que essa vida nova em Cristo alcançasse também as famílias e a sociedade.
Sua filha Eduviges reconheceu a própria vocação religiosa e decidiu colaborar com a mãe. Em 1881, manifestou sua disposição de participar da nova fundação. No ano seguinte, ambas começaram uma experiência de vida comunitária em Roma, com outras candidatas, sob a orientação do padre Semenenko.
A preparação exigiu anos de oração, formação e perseverança. Era necessário discernir o carisma, organizar a comunidade e enfrentar as dificuldades materiais de uma obra nascente.
Em 1886, a morte do padre Semenenko representou um golpe doloroso. Celina perdeu o diretor espiritual que a acompanhara e o principal apoio na formação da comunidade. Surgiram dúvidas e oposições quanto à continuidade da iniciativa.
Ela permaneceu firme no chamado recebido, buscando orientação na Igreja e prosseguindo com prudência. A confiança em Deus precisava traduzir-se em trabalho paciente, mesmo quando o futuro ainda não estava claro.
Em 1887, abriu uma escola vespertina para meninas em Roma. A educação tornou-se uma expressão concreta do apostolado da comunidade. Monsenhor Giacomo Della Chiesa, futuro Papa Bento XV, colaborou nessa obra como capelão e catequista.
Em 6 de janeiro de 1891, festa da Epifania, Celina e Eduviges professaram os votos perpétuos. A data marcou o nascimento oficial da Congregação das Irmãs da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A colaboração entre mãe e filha tornou-se um aspecto singular da fundação. Unidas pelos laços familiares e pela mesma entrega religiosa, apoiavam-se na formação das irmãs e no desenvolvimento das obras. Sua missão comum amadureceu na oração, nas decisões difíceis e no serviço cotidiano.
Ainda em 1891, Madre Celina estabeleceu uma casa em Kęty, em terras polonesas, onde também foi organizado o noviciado. A congregação começou a crescer, acolhendo novas vocações e respondendo a necessidades educativas e missionárias.
Sua atuação alcançou a Bulgária e os Estados Unidos, além de outras localidades da Polônia. A fundadora acompanhava as comunidades por meio de visitas e de correspondência, orientando as irmãs e procurando fortalecer a unidade entre elas.
A formação das meninas e das mulheres ocupava um lugar central nesse apostolado. Celina conhecia, por experiência, a importância da vida familiar e desejava contribuir para sua renovação por meio de uma educação profundamente cristã.
Sua dedicação às religiosas conservava qualidades de sua maternidade: atenção às pessoas, interesse pelo crescimento de cada uma e disposição para corrigir com amor. Procurava formar mulheres capazes de servir com responsabilidade e de permanecer unidas a Cristo.
Também favoreceu a participação de mulheres que viviam no mundo e desejavam compartilhar a espiritualidade e o apostolado da congregação. A vida pascal deveria produzir frutos no ambiente familiar, profissional e social.
Nas cartas, Madre Celina encorajava as irmãs a trabalhar com perseverança, sem se deixarem dominar pela ansiedade diante dos resultados. Ensinava que o crescimento espiritual exige humildade, gratidão e fidelidade nas pequenas ações.
Uma orientação presente em sua correspondência pode ser traduzida assim:
“Façamos serenamente o que nos cabe e deixemos a Deus as consequências e os frutos de nossos trabalhos.”
A confiança na Providência acompanhava o esforço pessoal. Era preciso fazer o bem possível a cada dia e entregar a Deus aquilo que ultrapassava as próprias forças.
Seus escritos — memórias, cartas e anotações espirituais — preservam esse modo de compreender a santidade. Neles aparecem o cuidado materno, a busca da vontade divina e a certeza de que a união com Cristo transforma a maneira de enfrentar as dificuldades.
Em 1905, a congregação recebeu o decreto de louvor da Santa Sé. O reconhecimento fortaleceu a obra que Celina e Eduviges haviam construído ao longo de tantos anos.
Em 27 de setembro de 1906, Eduviges faleceu inesperadamente, aos 43 anos, em Kęty. Sua morte atingiu profundamente Madre Celina, que perdera a filha e a colaboradora mais próxima na fundação.
A mãe esperava que Eduviges pudesse continuar a condução da congregação. Precisou, então, entregar também esse projeto à Providência. A fé na Ressurreição sustentou sua dor e permitiu-lhe prosseguir no serviço às irmãs.
Mesmo envelhecida, continuou acompanhando as comunidades, escrevendo e orientando. Em 1911, convocou o primeiro capítulo geral do instituto e foi eleita superiora-geral por toda a vida.
Seus últimos anos confirmaram a unidade de sua caminhada. A jovem que desejara consagrar-se, a esposa dedicada, a mãe provada pelo luto e a fundadora perseverante haviam procurado responder ao mesmo Senhor em circunstâncias diferentes.
Madre Celina faleceu em Cracóvia, em 26 de outubro de 1913, três dias antes de completar oitenta anos. Nos últimos dias, quando já não podia falar, deixou por escrito uma afirmação que expressava sua esperança: em Deus se encontra a felicidade eterna.
Foi sepultada em Kęty, junto da filha Eduviges. A lembrança de sua santidade permaneceu entre as religiosas e as pessoas que haviam conhecido seu exemplo.
O processo de beatificação começou em Roma, em 1944. Em 11 de fevereiro de 1982, São João Paulo II reconheceu a heroicidade de suas virtudes.
O milagre aprovado para sua beatificação foi a recuperação de Andrzej Mecherzyński-Wiktor, um jovem de sua descendência familiar que sofreu um grave acidente durante um treinamento de escalada, em 1999. Seus familiares e as religiosas recorreram à intercessão de Madre Celina. A recuperação foi examinada no processo canônico e reconhecida como milagrosa.
Em 27 de outubro de 2007, foi beatificada na Basílica de São João de Latrão, em Roma. A celebração foi presidida pelo cardeal José Saraiva Martins, em nome do Papa Bento XVI.
No dia seguinte, Bento XVI apresentou sua vida como exemplo da entrega silenciosa e heroica de quem vive o Evangelho no cumprimento dos deveres e no serviço generoso ao próximo.
Celebrada em 26 de outubro, a Beata Celina Borzęcka oferece um exemplo particularmente próximo das famílias, das mães, dos viúvos e daqueles que cuidam de pessoas enfermas. Sua vida mostra como a fidelidade a Deus pode amadurecer ao longo de diferentes vocações e responsabilidades.
Sua herança espiritual permanece ligada à esperança pascal: unida a Jesus, a pessoa pode atravessar o sofrimento sem perder a capacidade de amar. Celina encontrou na vontade de Deus o caminho que uniu sua família, sua consagração e sua missão na Igreja.