26 de junho de 2026
São Josemaria Escrivá nasceu na Espanha em 1902. Sacerdote desde 1925, fundou o Opus Dei em 1928 para difundir a santidade no trabalho profissional. Durante a guerra civil espanhola, exerceu o ministério sob perseguição e enfrentou calúnias e incompreensões ao longo da vida por sua mensagem inovadora. Em 1946, fixou residência em Roma, de onde guiou a expansão da instituição. Faleceu em 1975 e foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002
Josemaria Escrivá de Balaguer nasceu em Barbastro, Espanha, em 9 de janeiro de 1902, fruto de um lar profundamente cristão formado por José Escrivá e Dolores Albás. Sua infância foi precocemente visitada pela Cruz; entre 1910 e 1913, viu morrer três de suas irmãs mais novas, experiência que forjou sua alma no desprendimento e na aceitação dos desígnios divinos. Em 1915, após a falência do negócio de tecidos da família, mudou-se para Logronho, onde o Senhor preparava um sinal místico decisivo.
Ao caminhar pela neve após uma forte tormenta, o jovem Josemaria deparou-se com as pegadas dos pés descalços de um religioso carmelita. Aquele rasto físico tornou-se um rasto espiritual em sua alma: intuiu que Deus desejava algo dele, uma entrega total. Com uma docilidade heróica, decidiu tornar-se sacerdote, não por um desejo pessoal de carreira, mas para estar inteiramente disponível à Vontade Divina.
Iniciou seus estudos em Logronho e seguiu para o Seminário de São Francisco de Paula, em Saragoça, onde sua virtude e liderança o levaram ao cargo de Superior aos 20 anos. Seguindo um conselho de seu pai, também cursou Direito Civil, demonstrando que a ciência humana não se opõe à divina. Foi ordenado sacerdote em 28 de março de 1925, celebrando sua primeira Missa solene na Capela de Nossa Senhora do Pilar.
Em 1927, mudou-se para Madrid, onde mergulhou em um ministério de caridade inesgotável. Nos hospitais e bairros mais miseráveis, cuidava de doentes terminais e desamparados, vendo neles a própria carne de Cristo. Foi nesse crisol de sofrimento e oração que o Senhor decidiu revelar-lhe o seu plano eterno.
O momento culminante ocorreu em 2 de outubro de 1928, durante um retiro espiritual em Madrid. Enquanto meditava nas notas que tomara de suas inspirações divinas, Josemaria “viu” a missão que Deus lhe confiava: fundar o Opus Dei. Não foi uma ideia humana, mas uma visão sobrenatural que revelava um caminho de santidade para todos os homens e mulheres através do trabalho profissional e das circunstâncias ordinárias da vida.
Poucos anos depois, em 7 de agosto de 1931, durante a celebração da Santa Missa, o Senhor concedeu-lhe outra experiência mística profunda. Ao elevar a Hóstia, ouviu em sua alma as palavras: “Et ego, si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum” (E Eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a Mim). Compreendeu então que os cristãos, colocados no pináculo de todas as atividades humanas, deveriam elevar a Cruz de Cristo sobre o mundo, divinizando o trabalho humano como o rei Midas convertia tudo em ouro.
São Josemaria viveu a santidade no “pequeno”. Ele ensinava que o “minuto heróico” — o ato de levantar-se pontualmente sem hesitar — era o primeiro passo para vencer o egoísmo diário. Com uma “ingenuidade infantil”, pedia a Deus “oitenta anos de gravidade” para aprender a aproveitar cada segundo a Seu serviço. Para ele, a oração não era um monólogo, mas um diálogo constante: se não soubesse o que dizer, bastava confessar ao Senhor: “Senhor, não sei rezar!” para que o Espírito Santo tomasse as rédeas da alma.
Sua vida era pautada por jaculatórias constantes e pela presença de Deus. Frequentemente recordava cenas de sua vida, como quando via pescadores rudes na praia de Valência sendo ajudados por um garotinho que puxava a rede com pouca força, mas muito amor; Josemaria via-se como esse menino, pequeno e inepto, mas sustentado pela onipotência de seu Pai-Deus.
A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) trouxe o ápice de suas tribulações. Perseguido pelo seu caráter sacerdotal, foi obrigado a viver clandestinamente em Madrid, refugiando-se em diversos locais sob constante risco de morte. Em meio ao caos, não perdeu a paz; continuou a celebrar a Missa em condições precárias e a dar formação espiritual.
Em 1937, para continuar a missão que Deus lhe confiara, realizou uma travessia heróica a pé pelos Pireneus sob o rigor do frio e da fome, até chegar a Burgos. Ali, num quarto deteriorado de hotel que partilhava com seus primeiros filhos, trabalhava sem descanso, visitando frentes de batalha para confessar soldados e exortá-los a não interromperem sua vida de homens de Deus no meio das trincheiras.
Em 1946, movido pelo desejo de estar perto da Sé de Pedro, fixou residência em Roma. Ali, obteve o Doutorado em Teologia pela Universidade Lateranense e serviu como Consultor em diversas Congregações Vaticanas. Sua alma, porém, não conhecia fronteiras. De Roma, impulsionou a expansão do Opus Dei por todo o mundo, realizando viagens de catequese heróicas pela Europa e América.
Sua pregação era uma “forja” constante. Ele exortava todos a serem “brasas incandescentes” que, sem espetáculo, inflamassem os corações ao seu redor com o fogo do Amor Divino. Sua devoção a Nossa Senhora era o pilar de sua fortaleza; pedia sempre à Virgem, sua Mãe, que o fizesse “pequeno” para que Cristo pudesse crescer nele.
São Josemaria Escrivá faleceu em Roma, em 26 de junho de 1975, após um olhar amoroso para uma imagem da Santíssima Virgem em seu quarto de trabalho. Sua morte não foi um fim, mas um “despertar” para a Vida. Imediatamente, milhares de pessoas e centenas de bispos solicitaram a abertura de sua causa de canonização, atestando sua fama de santidade.
Inúmeros favores e milagres foram atribuídos à sua intercessão, confirmando que o “santo do cotidiano” continuava a ajudar as almas a encontrarem Deus nas ruas do mundo. Foi beatificado em 17 de maio de 1992 e canonizado em 6 de outubro de 2002 pelo Papa João Paulo II, diante de uma multidão recorde que o aclamava como o mestre da santificação no trabalho. Seu corpo repousa hoje na Igreja Prelatícia de Santa Maria da Paz, em Roma, onde continua a ser um farol de esperança e luz para a humanidade inteira.