24 de agosto de 2026
Santa Joana Antida Thouret foi uma religiosa francesa, serva incansável dos pobres e fundadora das Irmãs da Caridade. Depois de conhecer a perda, a perseguição religiosa, a pobreza e a dolorosa separação da própria congregação que fundara, permaneceu fiel à Igreja e entregou toda a sua vida a Deus e aos necessitados, vivendo segundo o princípio que resumiu sua espiritualidade: “Deus somente.”
Santa Joana Antida Thouret nasceu em 27 de novembro de 1765, em Sancey-le-Long, na região de Franche-Comté, França, em uma família de camponeses. Foi a quinta filha de Jean-François Thouret e Jeanne-Claude Labbe. Recebeu desde cedo uma educação profundamente cristã e desenvolveu especial devoção à Santíssima Virgem.
Aos dezesseis anos, perdeu a mãe. Ainda muito jovem, precisou assumir grande parte dos trabalhos domésticos e do campo, tornando-se responsável pelo cuidado da família. Em meio às dificuldades, encontrou na Virgem Maria uma verdadeira mãe espiritual. Ao mesmo tempo, começou a perceber em seu coração o chamado para consagrar-se inteiramente a Deus.
Seu desejo, porém, encontrou forte resistência de seu pai. Joana precisou esperar e perseverar até conseguir seguir a vocação religiosa que havia reconhecido como vontade de Deus.
Aos vinte e dois anos, Joana conseguiu ingressar nas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris. Ali recebeu formação para a vida religiosa e para o serviço dos pobres, dos enfermos e dos abandonados.
Entretanto, sua vida religiosa seria profundamente marcada pelos acontecimentos da Revolução Francesa.
A Revolução trouxe perseguições contra a Igreja e a supressão das comunidades religiosas. As Filhas da Caridade foram dispersadas, e Joana precisou deixar a vida comunitária que havia abraçado.
Em meio à perseguição, não abandonou sua vocação. Seguiu o padre Receveur durante seu exílio e dedicou-se ao cuidado dos enfermos e à educação e recuperação de jovens necessitadas.
Foi uma época de grande pobreza, incerteza e sofrimento, mas também de amadurecimento espiritual. Joana aprendeu a confiar cada vez mais na Providência e a reconhecer que a obra de Deus poderia continuar mesmo quando todas as estruturas humanas pareciam destruídas.
Depois de retornar à França, Joana chegou a Besançon. Em 1797, abriu uma escola destinada às meninas pobres e, ao mesmo tempo, continuou dedicando-se aos enfermos e necessitados.
Pouco a pouco, outras jovens começaram a reunir-se ao seu redor, desejosas de compartilhar sua vida de oração e serviço.
Assim nasceu o primeiro núcleo da congregação que se tornaria as Irmãs da Caridade de Besançon, posteriormente conhecidas como Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida.
Para Joana, a caridade não era simplesmente assistência social. Era consequência direta do amor a Deus.
Sua vida unia oração e ação, contemplação e serviço. Os pobres, os doentes, as crianças sem recursos e todos aqueles que sofriam deveriam encontrar nas irmãs não apenas auxílio material, mas também a presença misericordiosa de Cristo.
Seu princípio espiritual podia ser resumido na expressão que se tornou seu grande lema:
“Deus somente.”
Em suas cartas, Joana retornaria constantemente a essa confiança absoluta em Deus, reconhecendo que toda a força de sua obra vinha d’Ele. A própria congregação conserva hoje um vasto conjunto de suas cartas, cartas circulares e memórias.
A congregação cresceu e suas obras de caridade se multiplicaram.
Joana procurava formar suas companheiras para uma vida inteiramente dedicada a Deus e aos pobres. Seu desejo era que o instituto permanecesse fiel à Igreja e à missão para a qual havia sido fundado.
Depois de anos de trabalho, o Instituto recebeu a aprovação pontifícia durante o pontificado de Pio VII. A aprovação papal representou para Joana uma confirmação importante de que a obra que havia começado em meio à pobreza e às dificuldades estava verdadeiramente a serviço da Igreja.
Mas justamente essa aprovação provocaria uma das maiores provações de sua vida.
O reconhecimento pontifício colocou a congregação em uma situação difícil diante do arcebispo de Besançon, que desejava submetê-la a uma organização de caráter diocesano.
Joana, convencida de que a congregação deveria permanecer fiel à aprovação recebida da Santa Sé, dirigiu-se a Roma para defender a obra diante do Papa.
Enquanto estava ausente, porém, uma nova superiora foi escolhida em Besançon. Quando Joana retornou, encontrou-se afastada do próprio instituto que havia fundado.
O sofrimento foi profundo.
Ela havia dedicado sua vida à congregação, educado suas primeiras companheiras e servido aos pobres por meio daquela obra. Agora, porém, via-se impedida de retornar à comunidade que nascera de seu próprio trabalho.
Joana poderia ter cedido ao ressentimento. Em vez disso, procurou permanecer fiel à Igreja e confiar em Deus.
Sua vida tornou-se então um testemunho de abandono e perseverança. Em meio à divisão, continuou amando suas irmãs e desejando a unidade da obra.
Depois da dolorosa separação, Joana partiu para Nápoles, onde passou a dirigir um grande hospital com algumas das irmãs que permaneceram fiéis a ela.
Ali continuou dedicando-se aos enfermos e aos pobres, vivendo aquilo que havia aprendido desde a juventude: servir a Cristo nos que sofrem.
Às irmãs que permaneceram com ela, confiou um programa de vida centrado na glória de Deus, na santificação das religiosas, nas obras de misericórdia e na fidelidade à Sé Apostólica.
Por sua defesa da união com Roma, recebeu o título de “Filha de Pedro” (Filia Petri).
Mesmo longe de Besançon, Joana não deixou de carregar no coração a congregação que havia fundado. Seus últimos anos foram marcados pela oração, pelo sofrimento e pela esperança.
A própria tradição da congregação conserva a memória de seus últimos anos como uma caminhada espiritual junto à Cruz de Cristo.
Santa Joana Antida Thouret morreu em 24 de agosto de 1826, em Nápoles, aos sessenta anos de idade.
Morreu sem ver a reconciliação dos grupos separados de sua congregação. Essa reunificação aconteceria somente muitos anos depois, em 1954.
A Igreja reconheceu oficialmente a santidade de Joana Antida. Ela foi beatificada e canonizada pelo Papa Pio XI em 1934.
Sua vida permanece como um testemunho de confiança absoluta em Deus, de amor aos pobres e de fidelidade à Igreja.
Joana não realizou sua obra em circunstâncias fáceis. Conheceu a morte da mãe, a oposição do próprio pai, a perseguição religiosa, a dispersão das comunidades, a pobreza, as dificuldades na fundação de sua congregação e, finalmente, a dolorosa separação da própria obra que havia fundado.
Ainda assim, permaneceu fiel.
Seu lema, “Deus somente”, resume toda a sua espiritualidade. Para ela, Deus não era apenas uma parte da vida: era seu princípio, sua força e seu destino.
Sua existência demonstra que uma obra fundada para Deus pode atravessar perseguições, incompreensões e até divisões humanas sem perder sua fecundidade, quando aqueles que a conduzem permanecem fiéis à graça recebida.