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08 de outubro de 2026

Beato Laurentino e companheiros
08 de outubro

Beato Laurentino e companheiros

1881–1936

Superior provincial dos Irmãos Maristas que permaneceu junto dos religiosos perseguidos e trabalhou para salvá-los durante a Guerra Civil Espanhola, sendo martirizado em 1936 com Virgílio e outros 44 irmãos dedicados à educação cristã.

Mariano Alonso Fuente nasceu em 21 de novembro de 1881, em Castrecías, na província de Burgos, na Espanha. Na vida religiosa recebeu o nome de Irmão Laurentino, pelo qual seria conhecido entre seus alunos e confrades.

Ainda jovem ingressou na formação dos Irmãos Maristas e, em 1897, iniciou o noviciado. Sua vocação amadureceu numa família religiosa dedicada à educação cristã de crianças e jovens, especialmente daqueles que mais precisavam de acompanhamento e oportunidades de formação.

A missão educativa orientou toda a sua vida. Antes de ser recordado como mártir, Laurentino foi professor, diretor de colégios e superior religioso. Durante muitos anos, sua entrega a Deus tomou a forma de trabalho nas escolas e de responsabilidade pelas comunidades que lhe foram confiadas.

 

Professor e diretor de colégios

 

No início do século XX, Laurentino trabalhou em Cartagena, primeiro como professor e depois como diretor. Mais tarde assumiu a direção do colégio marista de Burgos.

Sua trajetória exigiu atenção às necessidades dos alunos e ao funcionamento das casas religiosas. A educação não se encerrava nas matérias ensinadas: incluía a formação da consciência, a vida de oração e o aprendizado da responsabilidade.

Em 1919, tornou-se visitador da província marista da Espanha. Essa função ampliou seu contato com os irmãos e com as diferentes escolas. Passou a acompanhar comunidades, conhecer suas dificuldades e colaborar com os superiores na organização da missão educativa.

Em 1928, foi nomeado superior provincial. O professor que havia dedicado anos à vida escolar recebeu então a responsabilidade por uma extensa rede de comunidades e obras maristas.

 

O governo da província e a vida espiritual

 

Laurentino assumiu o governo da província num período que se tornaria progressivamente difícil para os religiosos na Espanha. Além das responsabilidades administrativas, precisava sustentar a confiança dos irmãos e ajudá-los a permanecer fiéis à sua vocação.

Sua devoção ao Sagrado Coração de Jesus era uma característica reconhecida por seus superiores. A oração e a confiança na proteção de Nossa Senhora também aparecem nos testemunhos sobre sua atuação durante a perseguição.

À medida que as tensões políticas cresciam, procurou orientar os religiosos para que sua conduta fosse guiada por Jesus Cristo. Desejava que conservassem o sentido de sua consagração e de sua missão, mesmo diante de hostilidade e ameaças.

Em 1933, escreveu aos irmãos sobre a entrega a Deus e a disponibilidade para permanecer fiéis nas circunstâncias mais exigentes. Aquela preparação espiritual ganharia um significado dolorosamente concreto poucos anos depois.

 

A perseguição de 1936

 

Com o início da Guerra Civil Espanhola, em julho de 1936, a situação das comunidades maristas tornou-se extremamente perigosa. Na região de Barcelona, a violência contra instituições religiosas atingiu igrejas, conventos e escolas.

Os irmãos tiveram de abandonar casas, procurar abrigo e reorganizar a vida em condições de insegurança. A missão escolar foi interrompida, e a preocupação imediata passou a ser a proteção das pessoas.

Laurentino viveu essa crise como superior provincial. Recebia notícias de prisões, destruição de obras e mortes de religiosos. Precisava acompanhar irmãos dispersos e buscar meios de retirá-los dos lugares em que corriam maior risco.

Teve oportunidades de procurar segurança fora da Espanha, mas preferiu permanecer próximo dos confrades perseguidos. Sua decisão de ficar acompanhou um esforço concreto para salvá-los.

 

O esforço para proteger os irmãos

 

Ao lado do Irmão Virgílio, Laurentino participou da organização de uma saída para a França. As negociações buscavam obter garantias de passagem para os membros da congregação.

Uma primeira operação permitiu que jovens em formação atravessassem a fronteira. O êxito dessa saída alimentou a esperança de que também fosse possível retirar os religiosos que permaneciam em perigo.

Laurentino e seus colaboradores continuaram a preparar a partida dos demais. Irmãos de diferentes comunidades foram reunidos para seguir o caminho que lhes havia sido apresentado como seguro.

Esse esforço revela um aspecto essencial de sua história: os maristas procuraram preservar a vida. A fidelidade religiosa que a Igreja reconheceria em seu martírio estava presente também na responsabilidade de proteger os confrades.

 

O Irmão Virgílio

 

Virgílio, cujo nome de nascimento era Trifón Lacunza Unzu, nasceu em 3 de julho de 1891, em Ciriza, na região de Navarra. Foi educador e exerceu responsabilidades de direção e formação dentro da congregação.

As publicações maristas recordam sua preparação intelectual, generosidade e dedicação aos irmãos. Trabalhou em Burgos, Grugliasco e Murcia, e esteve diretamente envolvido na organização da saída dos religiosos.

Na crise de 1936, tornou-se um colaborador decisivo de Laurentino. Ambos partilhavam a responsabilidade de encontrar uma solução para comunidades ameaçadas e acompanhariam os irmãos até a prisão e a morte.

 

A armadilha no porto de Barcelona

 

Em 7 de outubro de 1936, 107 irmãos maristas reuniram-se no navio Cabo San Agustín, no porto de Barcelona. A promessa de saída para a França levou-os a acreditar que finalmente poderiam alcançar um lugar seguro.

A partida, porém, não aconteceu. As garantias oferecidas foram desrespeitadas, e os religiosos acabaram presos.

Do navio foram conduzidos à prisão de San Elías. A operação organizada para protegê-los transformara-se numa armadilha.

Entre os detidos estavam Laurentino, Virgílio, responsáveis pela formação religiosa, diretores de colégios e professores. Os homens que haviam dedicado sua vida às escolas estavam agora privados de liberdade e sujeitos à violência dos perseguidores.

 

O martírio de Laurentino e companheiros

 

Em 8 de outubro de 1936, 46 desses irmãos foram assassinados em cemitérios da região de Barcelona. Laurentino morreu em Montcada, aos 54 anos.

O grupo é identificado na causa de beatificação como Laurentino, Virgílio e 44 companheiros. Portanto, os 107 religiosos presos no navio e os 46 mártires deste grupo não representam o mesmo número de pessoas.

As publicações maristas registram que foram mortos sem julgamento. A Igreja reconheceu em sua morte o martírio por ódio à fé.

Sua história reúne vidas de diferentes idades e percursos, unidas pela consagração religiosa e pela missão educativa. A morte interrompeu obras, projetos e responsabilidades que haviam ocupado muitos anos de suas existências.

 

Uma fraternidade de educadores

 

Entre os companheiros havia religiosos experientes e jovens que começavam a vida marista. Carlos Rafael tinha apenas 19 anos; Epifânio, 62.

Ángel Andrés dedicou-se ao ensino e ao trabalho editorial. Anselmo teve experiência missionária no México. Antolín serviu em tarefas humildes, como a sacristia e a ajuda na costura. Vito José trabalhou durante muitos anos como enfermeiro.

Esses percursos mostram a diversidade do serviço realizado pelos irmãos. A missão dependia tanto de professores e diretores quanto de religiosos que cuidavam dos doentes e das necessidades diárias das comunidades.

A memória do grupo conserva, assim, mais que o relato de uma execução coletiva. Recorda uma fraternidade formada por pessoas que haviam empregado seus talentos na educação, na catequese e no cuidado dos outros.

 

A beatificação e a memória na Igreja

 

Laurentino, Virgílio e os 44 companheiros foram beatificados em Roma, em 28 de outubro de 2007, durante o pontificado de Bento XVI. Integraram a celebração dos 498 mártires da perseguição religiosa na Espanha.

O processo reuniu documentação histórica e depoimentos de testemunhas para examinar suas vidas e as circunstâncias de sua morte.

O Martirológio Romano recorda Laurentino e companheiros em 8 de outubro. Sua memória permanece ligada à família marista e à história da educação cristã.

A fidelidade de Laurentino manifestou-se especialmente na responsabilidade pelos irmãos. Quando as comunidades foram dispersas e ameaçadas, permaneceu com elas e trabalhou para encontrar proteção. A mesma fraternidade que sustentara sua missão educativa acompanhou-o até o fim.

 

Referências bibliográficas

 

DICASTÉRIO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS. Laurentino Alonso Fuente, Virgilio Lacunza Unzu e 44 compagni. Ficha biográfica institucional.

INSTITUTO DOS IRMÃOS MARISTAS. En tus mártires. Publicação sobre os Irmãos Laurentino, Virgílio e companheiros.

INSTITUTO DOS IRMÃOS MARISTAS. Mensaje. Ano XXI, n. 36, setembro de 2007.

INSTITUTO DOS IRMÃOS MARISTAS. História da Província Marista de Levante: Murcia La Merced. Publicação histórica institucional.

INSTITUTO DOS IRMÃOS MARISTAS. Os Irmãos Laurentino, Virgílio e 44 companheiros. Publicação institucional em português.

IGREJA CATÓLICA NA NORUEGA. 46 Marist-skolebrødre fra bispedømmet Barcelona (d. 1936). Repertório biográfico.

SECRETARIADO NACIONAL DE LITURGIA. Martirológio: elogios de 8 de outubro.

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