All Saints Pictures
All Saints Pictures Frases de Santos checadas na fonte
Início Frases por Tema Santo do Dia Blog Fotos dos Santos Fale com a Gente
✦ Calendário Litúrgico

Santo do Dia

04 de maio de 2026

Santa Antonina de Nicéia
04 de maio

Santa Antonina de Nicéia

267-306

A história de Santa Antonina é a história de uma fé que nenhum tormento conseguiu abalar. Seu nome, a forma feminina do antigo gentilício romano Antonius (possivelmente derivado do grego Antionos, "nascido antes"), era comum entre os cristãos dos primeiros séculos. Mas foi a heroína que o carregou em Nicéia, na província romana da Bitínia (atual İznik, na Turquia), quem imprimiu nele a indelével memória do martírio.

 

As últimas décadas do século III e os primeiros anos do século IV foram ensanguentadas pelo édito do imperador Diocleciano (284-305), que desencadeou uma das mais violentas e sistemáticas perseguições contra os cristãos. Foi nesse contexto, provavelmente sob o governo do governador Prisciliano, que Antonina foi presa por professar a fé em Cristo. Diante das autoridades, recusou-se terminantemente a oferecer sacrifício aos ídolos pagãos.

Sua resistência inflamou a ira dos seus algozes. As tradições que chegaram até nós, principalmente através de fontes litúrgicas orientais, concordam que os tormentos foram extremos. O Martyrologium Hieronymianum (o mais antigo martirológio latino, compilado entre 430 e 450 d.C.), conforme atesta o estudo crítico, fornece uma quantidade incomum de detalhes para o caso de Antonina. Os relatos descrevem que, após ser açoitada, foi estendida no cavalete (o eculeus, um instrumento de tortura que deslocava os membros), e suas costelas foram dilaceradas por ganchos de ferro. Em seguida, foi queimada com tochas e lâmpadas ardentes. Outra tradição, preservada no Martyrologium Romanum, narra que foi suspensa pelos braços por três dias consecutivos, antes de ser lançada em uma masmorra, onde definhou por dois longos anos.

 

O TESTEMUNHO NAS FONTES ORIENTAIS E OCIDENTAIS

 

A memória de Santa Antonina foi preservada e celebrada em diferentes tradições litúrgicas, o que atesta a amplitude de seu culto, mas também gerou certa confusão sobre os detalhes de seu martírio. O Menaion grego, o livro litúrgico que contém os ofícios dos santos para cada dia do ano na Igreja Ortodoxa, afirma que ela recebeu a palma do martírio em Nicéia, na Bitínia. Essa também é a tradição seguida pelos Synaxaria orientais, que situam sua morte sob o governador Prisciliano.

No Ocidente, o Martyrologium Romanum (o martirológio oficial da Igreja Católica Romana) registra sua comemoração em três datas diferentes: 1º de março, 4 de maio e 12 de junho, refletindo a confusão gerada pela disseminação de seu culto e pela multiplicação de tradições orais em diferentes localidades. A entrada para o dia 4 de maio, que passou a ser sua data principal, descreve que, sob o governador Prisciliano, foi “cruelmente torturada e atormentada com distintos suplícios, depois esteve três dias suspensa e, por fim, por sua confissão de fé em Cristo, foi queimada viva”.

 

O MARTÍRIO E A PROPAGAÇÃO DO CULTO

 

As fontes mais antigas, como o Breviarium Syriacum (um antigo breviário da Igreja Síria), contêm fragmentos de uma relação grega original sobre seu martírio. Esses testemunhos primitivos parecem confirmar a historicidade da mártir, ainda que os detalhes do seu suplício final variem. Algumas tradições afirmam que, após os tormentos, foi colocada em um saco e lançada em um lago pantanoso na periferia de Nicéia, sendo afogada. Outras versões, por sua vez, sustentam que foi decapitada ou queimada viva.

A investigação histórica moderna tende a atribuir a diversidade de relatos a um fenômeno comum na hagiografia antiga: a mesma mártir passou a ser venerada em diferentes lugares sob distintos aspectos de sua Paixão, resultando em uma multiplicidade de tradições que, no fim, celebram uma única e mesma heroína da fé. A transladação de sua cabeça para Praga, em 1673, testemunha a vitalidade de seu culto mesmo na Idade Moderna.

Santa Antonina faleceu, provavelmente, em 304 ou 305, na aurora do século IV. Sua coragem diante do sofrimento descomunal é um poderoso exemplo de fidelidade a Cristo, que a fez atravessar o fogo e as águas deste mundo para entrar na glória do reino dos céus.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Codex Hieronymianus (Referência indireta citada em fontes secundárias). Um código jeronimiano do século V é mencionado como tendo sido fundamental para confirmar que as diferentes celebrações se referiam à mesma mártir.

Acta Sanctorum (vols. publicados a partir de 1643). A monumental coleção da Sociedade dos Bolandistas que reúne as “Atas dos Santos” e que, no volume correspondente a maio, aborda criticamente a vida e o culto de Santa Antonina.

Butler, Alban. Lives of the Saints (ed. 1756-1759). A célebre compilação do hagiógrafo inglês que dedica uma entrada a Santa Antonina, resumindo as tradições do Martirológio Romano e do Menaion grego.

 

Rolar para cima